Vigésima Terceira Rodada

 
     





     
 

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Buscando no Google

Por Robertón Hefler

...


Sexo 102.000.000.000
Pó 1.030.000.000
Bomba 48.200.000
Violência 34.500.000
Sangue 24.900.000
Liberdade 15.200.000
Bunda 9.440.000
Assassinatos 2.970.000
Bêbados 1.880.000
Maconha 1.620.000
Sacanagem 1.130.000
Putaria 889.000
Drogados 567.000

De que me serve 18.700
Tanta informação se 741
Eu não sei o que fazer com ela? 169




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Heroína

Por Anderson H

a heroína
do poeta
faz sua cova
na lama

só aceita papel
em cinema mudo
sempre calada
e sem fama

vive no lixo
tentando matar
a vida

busca consolo
na fumaça
na cocaína
e na bebida



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Não-soneto Esquizo-dadadodecassílabo Pobre de Rima

Por Carlos Crus

.
Alvissareiro, o pedreiro filosofa o comércio do amor
Cachaceiro, o tesoureiro vaticina a vacina contra a dor
Matreiro, o vaqueiro tosquia a ovelha do pastor
Brejeiro, o cordeiro ludibria o astuto pensador

Canibalista, o hindu rumina a musical oração
Humanista, o soldado prepara a miraculosa poção
Demonista, o santo apregoa as pregas do sacristão
Fetichista, o exegeta ejeta na aorta o sabão

A Pangéia doente vomita proletários
Tapuias hasteiam a divinal bandeira
Os farrapos devotos da Régia Cangaceira

Riso escarninho, safadeza e: que otários!
Os suados gravatas bravatas crocitam
Fodam-se os asnos que nos criticam

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Eu saio sobre o ego

Por Elizabeth Gama

Sou um imenso
e insuflado
ego gigante.
Me sinto a melhor do mundo,
durmo imunda
e me perfumo antes.

Sou um espelho
virado para o focinho do outro,
sou cega ao crítico ingrato
e ao bajulador escroto

Sou o máximo!

Sou apenas uma alma tola,
como existe em qualquer pessoa
que se leve
um pouco à sério.


Acho que sou uma ignorante
mas não estou tão
certa
se acertei
dessa vez.

Pois tudo isso é mesmo louco,
palavras e versos ocos
e o desejo de mostrar para vocês.


É esse o ego que ninguém quer
Na ABL, na esquina , no BdE,
pois se admitido
fica um gosto esquisito
de ter proseado errado
de nunca ter poetado
nada que valesse
esse ego doente

Eu saio sobre o ego
Se conseguir.


    


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Constatações IX

por Ivo Venarusso

Meu corpo cansado de procurar abrigo
Adormeceu mudo e bêbado.

Solenemente exposto
Foi carregado em triunfo
Por ruas e becos
Assustados pelo volume
Das chuvas prematuras.

Meu corpo viajante foi açoitado
Por varinhas mágicas de fadas
Tenebrosas
Desesperadas com os beijos lascivos
Dos cães dolentes
E suas putas errantes.

Meu corpo dormente
Desembocou nesta sala
Onde assisto pasmo
Essa noite sóbria
De cores latejantes.

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Me deste a mão

por Ruy Vilani

Me deste a mão
Apertada
Ainda agora.
Isso é hora?
Me ofertaste a alma
Em um reles jantar
E isso é lugar?
Tão apertada
Quanto tua mão na minha
É a vida que definha
Enquanto a tentamos
Preservar
E resgatar.

Do pouco que resta,
Do pouco que nos é hora,
Vem. Vem agora
Resgata o que te cabe
O que te pertence.

Vence a vida. Vence!
Só ela te restará
E apenas por enquanto.

Cobre-te com o manto
De um agora plausível
Teu sonho é, no mínimo,
Improvável
Só o que temos nas mãos
É possível. 

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Pronome


Por Muryel de Zoppa




"Estou aqui, mais do que isso não sei."
(Kafka)



Ontem fiz aniversário.

Ansioso, convidei a mim mesmo. Pensei que não aceitaria, mas aceitei. Pensei que não viria, mas vim. À porta, me vi trajado a rigor, me visto bem, exercito Armanis. Me cumprimentei, teci alguns comentários sobre Rimbaud, o 3- reich e, pasmem, fiquei-me... como me gosto!
Só eu e eu na festa de mim.
Impetuoso, tomei-me logo pelos braços e me levei ao quarto, na vitrola Duran Duran, mas gostamos mesmo é de Accept, eu e eu. Na cama, entreguei-me por completo a mim, beijando onde podia e cabia e delineando a entrega do que me tinha, me possuí com completude e vigor. Me despedi quando já amanhecia e prometi me ligar assim que pudesse. Fui.

Hoje estou sábado.
E me espero ansiosamente.



.

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Meu antigo bar de blues


Por Ricardo Passos

 
Trabalhei dia e noite em uma baiúca incômoda. No seio da cidade, lá eu estava. Cigarro que sempre pendia na boca, barba por fazer, pano umedecido nos ombros - sempre havia mesas para assear. Um cliente, amigo velho. Para este, eu oferecia a cachaça habitual. Nunca recusei ouvir as filosofias cujos fundamentos, rotineiramente, se perdiam em meio à inebriante história de chavelho. Somente os mal(a)-amados tinham a disposição de se tornarem minha clientela.

As mulheres, para mim, inexistiam. Nem prostitutas embevecidas com o impudor visitavam-me naquela caverna de bêbados tristes. Nem se eu as convidasse. Mas Tom Jones me alegrava com seu blues mesclado. Arriscava eu, às vezes, cantarolar enquanto recolhia os cacos de vidros estraçoados, resíduos de uma guerra ora interna, ora entre a própria clientela.
Volta e meia, um homem alto e magro, com um típico bigodinho fino e um paletó listrado, abordava-me no balcão.

- Carece de vender este tugúrio, polaco? Proposta como a minha, tenha certeza, não haverá!

No entanto, por mais que meu casebre desfalecesse gradualmente, nem a mais alta quantia e as mais belas ninfetas me tirariam daquele lugar forçosamente herdado. Lá, eu não sentia o tempo, e nem pretendia analisá-lo como um conceito a priori. Lá, eu não tinha o tempo. A cronologia de uma boa vida consiste em viver sempre novamente no Kairós. Não me tornei, em meu ofício, filho de Cronos, pois não almejava eu ser devorado pelo senhor do tempo.

Mas a verdade era que a totalidade de meu esforço culminou em um fracasso desesperador. O bar caiu. Os cupins o devoraram. Meus vinis de blues riscaram. Minha adega ruborizou-se com o tom dos próprios vinhos. Minhas lágrimas insistiam em lavar meu rosto empoeirado.

Desolado, ainda sobrevivi. Por fim, resolvi vender aquele acanhado espaço para o teimoso homem dos bigodes pontiagudos. O desgracido fez miséria! Arquitetou um prostíbulo, contratou putas aclamadas, aumentou o recinto...

Tornei-me sócio, afinal não pretendia deixar aquela aresta. Hoje, vivo em orgias, inebrio-me nas mais belas e carnudas donzelas, tequilas, nas quinas de sofás vermelhos e nos candelabros sugestivos. O melhor: Tom Jones ainda é minha trilha sonora, mas, agora, trauteio em conjunto.

Fim!


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Dama da Estrada
Por Edson Feuser




A vivência ensinou-a a escolher apenas os caminhões que vinham com os faróis baixos.

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A nova fachada do BDE - segundo o China

Por Véio China

 
Bem, de tempo em tempos eu procuro analisar o “modus operandis” de todos nós que enchemos a cara nesse boteco. Evidente, e todos sabem, aqui são oferecidos cardápios que satisfazem todos os gostos, do mais simples ao ricamente sofisticado. E a maioria que escolhe itens da “carta” do Bar, saboreia os seus escritores favoritos, pagam a conta, dão gorjetas e vão-se embora mais que satisfeitos. Aqui, por ser democrático tal qual um jogo de futebol, e a casa, assim como as torcidas uniformizadas, as vezes nos apresenta uns “pegas” violentos, esparramados entre um tópico ou outro. Críticos aqui há aos montes. Há pessoas que te ajudam, que fazem gosto em te ver progredir, mas, como na moeda, há cara e há coroa, portanto os que querem te derrubar, também. Há os que se julgam enormemente “cult” . Daqueles que parecem achar que o humor britânico ao estilo do “Monty Phyton” é o máximo, lance bem sacado, e assim ficam por aí grafando sarcasmos e ironias nos seus ”É cu” – “Eu sou vegetariano” – Então, mamãe disse que sou bonitinho” como resposta ao cara que teve algum trabalho em pensar, digitar e publicar o texto. Há também (e eu percebi isso faz tempo) uma certa cultura ao regionalismo e preferências aos textos das pessoas locais. Provas? Ah, poupem-me! Os tópicos estão aí pra confirmar. Ah, há também os que de uma hora para outra cismam de postar tópicos moralizadores, que procuram incitar comportamentos, como se devessem ser seguidos à risca. Egos, Narcisismos? Claro! Sempre existiram e hão de existir! E acho que se não existissem não haveria bar, sequer os escritores. Mas, o perigo de tais demonstrações de força, quando ultrapassadas do trato da questão literária, está no fato que, transbordando, desemboca no canal da mesquinhez, ocasiona a autodefesa do egos inflamado, e geram a parte mau dos narcisos que habitam o nosso ser.

Estou há muito tempo aqui para poder comprovar que nunca houve tanta gente capaz. Nunca houve tantos e fantásticos poetas e escritores como nos dia de hoje.

E o melhor; a cada dia proliferam mais e mais e mais. E reconheço; administrar uma constelação é quase impossível. Então o que nos resta é só o bom censo e o discernimento de ser razoável.

É claro, também vez ou outra perdemos gente estupenda. E lá se vão embora alguns Emanueis e Kaspas. Partem também alguns que além de não aceitarem as limitações dos nossos sonhos, vão-se embora sem ter tido para si o prazer de também sonhar. E eu fico só, ao lado, assistindo a tudo, sentado na minha cadeira favorita, colado ao crooner de voz rouca e dos blues da meia noite, sentindo uma saudade até que compreensível da moça da burca, que enquanto fake e a despeito de sua idade ou aparência, era a fêmea, era a parte lasciva que mantinha eretos os membros desse Bar (hehehe. Talvez haja gente que jamais deveria se ver extrapolada do campo de nossa fértil imaginação), mas que, um tanto maquiavélica pôs tudo e todos a perder. E eu, (mesmo diante das testemunhas de acusação) mantenho-me e continuo avesso à fanfarronice da exacerbada egolatria, mas confesso, narcisista, mas não o suficiente que não me faça reconhecer o quanto de superior existe nas letras de muitos por aqui.

Portando Bar do Escritor, ao ultrapassar a marca dos 2.500 bêbados eu o parabenizo pela existência e ideal. E acho até que se editoras vasculhassem por entre nossas cadeiras quebradas e cinzeiros abarrotados encontrariam escritores e poetas fantásticos, mas que infelizmente permanecem longe dos olhos de leitores ansiosos por quem sabe, alguma revolução cultural.

Parabéns B.D.E.
Parabéns bebunzada!



...

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InterNerd, Brasil, 05 de setembro de 2008
Editado por Giovani Iemini