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Vigésima Terceira Rodada |
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Rodadas Passadas |
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| Buscando no Google |
| Por Robertón Hefler |
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| Heroína |
| Por Anderson H |
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a heroína
do poeta faz sua cova na lama só aceita papel em cinema mudo sempre calada e sem fama vive no lixo tentando matar a vida busca consolo na fumaça na cocaína e na bebida |
| Não-soneto Esquizo-dadadodecassílabo Pobre de Rima |
| Por Carlos Crus |
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. Alvissareiro, o pedreiro filosofa o comércio do amor Cachaceiro, o tesoureiro vaticina a vacina contra a dor Matreiro, o vaqueiro tosquia a ovelha do pastor Brejeiro, o cordeiro ludibria o astuto pensador Canibalista, o hindu rumina a musical oração Humanista, o soldado prepara a miraculosa poção Demonista, o santo apregoa as pregas do sacristão Fetichista, o exegeta ejeta na aorta o sabão A Pangéia doente vomita proletários Tapuias hasteiam a divinal bandeira Os farrapos devotos da Régia Cangaceira Riso escarninho, safadeza e: que otários! Os suados gravatas bravatas crocitam Fodam-se os asnos que nos criticam |
| Eu saio sobre o ego |
| Por Elizabeth Gama |
| Sou um imenso e insuflado ego gigante. Me sinto a melhor do mundo, durmo imunda e me perfumo antes. Sou um espelho virado para o focinho do outro, sou cega ao crítico ingrato e ao bajulador escroto Sou o máximo! Sou apenas uma alma tola, como existe em qualquer pessoa que se leve um pouco à sério. Acho que sou uma ignorante mas não estou tão certa se acertei dessa vez. Pois tudo isso é mesmo louco, palavras e versos ocos e o desejo de mostrar para vocês. É esse o ego que ninguém quer Na ABL, na esquina , no BdE, pois se admitido fica um gosto esquisito de ter proseado errado de nunca ter poetado nada que valesse esse ego doente Eu saio sobre o ego Se conseguir. |
| Constatações IX |
por Ivo Venarusso
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Meu corpo cansado de procurar abrigo |
| Me deste a mão |
por Ruy Vilani
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Me deste a mão |
Pronome
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Por Muryel de Zoppa |
"Estou aqui, mais do que isso não sei." (Kafka) Ontem fiz aniversário. Ansioso, convidei a mim mesmo. Pensei que não aceitaria, mas aceitei. Pensei que não viria, mas vim. À porta, me vi trajado a rigor, me visto bem, exercito Armanis. Me cumprimentei, teci alguns comentários sobre Rimbaud, o 3- reich e, pasmem, fiquei-me... como me gosto! Só eu e eu na festa de mim. Impetuoso, tomei-me logo pelos braços e me levei ao quarto, na vitrola Duran Duran, mas gostamos mesmo é de Accept, eu e eu. Na cama, entreguei-me por completo a mim, beijando onde podia e cabia e delineando a entrega do que me tinha, me possuí com completude e vigor. Me despedi quando já amanhecia e prometi me ligar assim que pudesse. Fui. Hoje estou sábado. E me espero ansiosamente. . As opiniões no fórum do Bar |
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Por Ricardo Passos |
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Trabalhei dia e noite em uma baiúca incômoda. No seio da cidade, lá eu
estava. Cigarro que sempre pendia na boca, barba por fazer, pano
umedecido nos ombros - sempre havia mesas para assear. Um cliente,
amigo velho. Para este, eu oferecia a cachaça habitual. Nunca recusei
ouvir as filosofias cujos fundamentos, rotineiramente, se perdiam em
meio à inebriante história de chavelho. Somente os mal(a)-amados tinham
a disposição de se tornarem minha clientela.
As mulheres, para mim, inexistiam. Nem prostitutas embevecidas com o impudor visitavam-me naquela caverna de bêbados tristes. Nem se eu as convidasse. Mas Tom Jones me alegrava com seu blues mesclado. Arriscava eu, às vezes, cantarolar enquanto recolhia os cacos de vidros estraçoados, resíduos de uma guerra ora interna, ora entre a própria clientela. Volta e meia, um homem alto e magro, com um típico bigodinho fino e um paletó listrado, abordava-me no balcão. - Carece de vender este tugúrio, polaco? Proposta como a minha, tenha certeza, não haverá! No entanto, por mais que meu casebre desfalecesse gradualmente, nem a mais alta quantia e as mais belas ninfetas me tirariam daquele lugar forçosamente herdado. Lá, eu não sentia o tempo, e nem pretendia analisá-lo como um conceito a priori. Lá, eu não tinha o tempo. A cronologia de uma boa vida consiste em viver sempre novamente no Kairós. Não me tornei, em meu ofício, filho de Cronos, pois não almejava eu ser devorado pelo senhor do tempo. Mas a verdade era que a totalidade de meu esforço culminou em um fracasso desesperador. O bar caiu. Os cupins o devoraram. Meus vinis de blues riscaram. Minha adega ruborizou-se com o tom dos próprios vinhos. Minhas lágrimas insistiam em lavar meu rosto empoeirado. Desolado, ainda sobrevivi. Por fim, resolvi vender aquele acanhado espaço para o teimoso homem dos bigodes pontiagudos. O desgracido fez miséria! Arquitetou um prostíbulo, contratou putas aclamadas, aumentou o recinto... Tornei-me sócio, afinal não pretendia deixar aquela aresta. Hoje, vivo em orgias, inebrio-me nas mais belas e carnudas donzelas, tequilas, nas quinas de sofás vermelhos e nos candelabros sugestivos. O melhor: Tom Jones ainda é minha trilha sonora, mas, agora, trauteio em conjunto. Fim! |
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| Dama da Estrada |
| Por Edson Feuser |
A vivência ensinou-a a escolher apenas os caminhões que vinham com os faróis baixos. |
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| A nova fachada do BDE - segundo o China |
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Por Véio China |
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| Bem, de tempo em tempos eu procuro analisar o “modus operandis” de
todos nós que enchemos a cara nesse boteco. Evidente, e todos sabem,
aqui são oferecidos cardápios que satisfazem todos os gostos, do mais
simples ao ricamente sofisticado. E a maioria que escolhe itens da
“carta” do Bar, saboreia os seus escritores favoritos, pagam a conta,
dão gorjetas e vão-se embora mais que satisfeitos. Aqui, por ser
democrático tal qual um jogo de futebol, e a casa, assim como as
torcidas uniformizadas, as vezes nos apresenta uns “pegas” violentos,
esparramados entre um tópico ou outro. Críticos aqui há aos montes. Há
pessoas que te ajudam, que fazem gosto em te ver progredir, mas, como
na moeda, há cara e há coroa, portanto os que querem te derrubar,
também. Há os que se julgam enormemente “cult” . Daqueles que parecem
achar que o humor britânico ao estilo do “Monty Phyton” é o máximo,
lance bem sacado, e assim ficam por aí grafando sarcasmos e ironias nos
seus ”É cu” – “Eu sou vegetariano” – Então, mamãe disse que sou
bonitinho” como resposta ao cara que teve algum trabalho em pensar,
digitar e publicar o texto. Há também (e eu percebi isso faz tempo) uma
certa cultura ao regionalismo e preferências aos textos das pessoas
locais. Provas? Ah, poupem-me! Os tópicos estão aí pra confirmar. Ah,
há também os que de uma hora para outra cismam de postar tópicos
moralizadores, que procuram incitar comportamentos, como se devessem
ser seguidos à risca. Egos, Narcisismos? Claro! Sempre existiram e hão
de existir! E acho que se não existissem não haveria bar, sequer os
escritores. Mas, o perigo de tais demonstrações de força, quando
ultrapassadas do trato da questão literária, está no fato que,
transbordando, desemboca no canal da mesquinhez, ocasiona a autodefesa
do egos inflamado, e geram a parte mau dos narcisos que habitam o nosso
ser. Estou há muito tempo aqui para poder comprovar que nunca houve tanta gente capaz. Nunca houve tantos e fantásticos poetas e escritores como nos dia de hoje. E o melhor; a cada dia proliferam mais e mais e mais. E reconheço; administrar uma constelação é quase impossível. Então o que nos resta é só o bom censo e o discernimento de ser razoável. É claro, também vez ou outra perdemos gente estupenda. E lá se vão embora alguns Emanueis e Kaspas. Partem também alguns que além de não aceitarem as limitações dos nossos sonhos, vão-se embora sem ter tido para si o prazer de também sonhar. E eu fico só, ao lado, assistindo a tudo, sentado na minha cadeira favorita, colado ao crooner de voz rouca e dos blues da meia noite, sentindo uma saudade até que compreensível da moça da burca, que enquanto fake e a despeito de sua idade ou aparência, era a fêmea, era a parte lasciva que mantinha eretos os membros desse Bar (hehehe. Talvez haja gente que jamais deveria se ver extrapolada do campo de nossa fértil imaginação), mas que, um tanto maquiavélica pôs tudo e todos a perder. E eu, (mesmo diante das testemunhas de acusação) mantenho-me e continuo avesso à fanfarronice da exacerbada egolatria, mas confesso, narcisista, mas não o suficiente que não me faça reconhecer o quanto de superior existe nas letras de muitos por aqui. Portando Bar do Escritor, ao ultrapassar a marca dos 2.500 bêbados eu o parabenizo pela existência e ideal. E acho até que se editoras vasculhassem por entre nossas cadeiras quebradas e cinzeiros abarrotados encontrariam escritores e poetas fantásticos, mas que infelizmente permanecem longe dos olhos de leitores ansiosos por quem sabe, alguma revolução cultural. Parabéns B.D.E. Parabéns bebunzada! ... |
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InterNerd, Brasil, 05 de setembro de 2008
Editado por Giovani Iemini