|
Vigésima Primeira Rodada |
||||||||||||||||||||||||||||||
![]() Bartender de Fabian Perez
|
||||||||||||||||||||||||||||||
|
Rodadas Passadas |
||||||||||||||||||||||||||||||
|
||||||||||||||||||||||||||||||
|
|
|
| Carro Alegórico |
| Por Barbara Leite e Anderson H |
|
Quero falar da alma lavada |
| Entregue em metáforas |
| Por Bia Corelli |
|
Enxerga meu grito de fé tresloucada |
| Enquanto viva |
| Por Larissa Marques |
|
enquanto viva cedi aos ardores da carne e da palavra estuque por não ser pedra vertente desaforada labirinto de tímpanos torpes e clarevidência disforme na retórica inflamada enquanto morta entalharam-me em cera para que o semblante parecesse vivo boca torta, noite escura sem porta, nem dentadura só a ditadura do silêncio nula e crua em sonhos de papel ergueram-me sobre um andor que aponta para o topo do porém tiraram-me a língua como castigo por não me calar, como convém. |
| Falo |
| Por Muryel de Zopppa |
|
em tua |
Teclado-calado |
| Por Alex Plunk |
|
Estou agora, olhando para meu teclado |
| Hostil |
| Por Betty Vidigal |
|
Súbito, |
Cervejas, cigarros e a velha raça humana |
|
Por Thomás Torpo |
Duas ou três horas? Não sei há quanto estamos aqui nessa mesa engordurada, bebendo essas cervejas geladas nessa noite abafada... quando cheguei, ainda tava claro; não tenho relógio e não vou tirar o celular do bolso pra ver as horas, aliás, qual o motivo de estar pensando no tempo? Ela chegou, perguntou se não tinha cadeira e um amigo levantou e pegou uma numa mesa próxima, mas quando ele foi ao banheiro ela tomou a cadeira dele e se sentou ao meu lado. Reclamava da faculdade, dos professores, dos idiotas dos colegas, da mãe que não a deixava em paz, do namorado que não queria fazer ménage, de que já estava ficando sem cigarros e volta e meia, entre uma reclamação e outra, colocava a mão esquerda na minha coxa direita e falava alguma besteira e sorria. Tinha uma bunda grande e bonita, um rosto mais ou menos e uma barriguinha a mais do que devia ter... reclamava, reclamava, colocava a mão e sorria.... ah, também pedia cigarros, eu não fumo cigarro, pedia pros outros, pra qualquer um, pra todos. Ela parecia nunca ter cigarros, mas sempre querer fumar. Foi ao banheiro, que merda ser mulher e ter que ir ao banheiro de um pé sujo como esse, imundo, fedido, com a porta sem tranca... quando voltou, ficou em pé atrás de mim com as mãos nos meus ombros fazendo uma massagem chata e repetitiva. Chega um sujeitinho meio gordo, de cabelo raspado, que vive fazendo barulho por causa de políticas estudantis: “vote na chapa dois” ou “vote na chapa um”, sei lá. Senta-se no lugar vago, ao meu lado. Ela pára com a massagem nos meus ombros: - Porra, esse é meu lugar, Tavinho. Pegue outra cadeira pra você. – ele sorri, sem graça, se desculpando, levanta, pega outra cadeira e a coloca grudada na dela. Fica, então, falando das eleições do C.A. do curso de comunicação, dos artigos que escreve sei lá pra onde... figurinha bizarra, a cada afirmação olha pra garota e tenta descobrir se ela o aprova. Ele quer que sua chapa seja eleita, provavelmente no futuro será vereador, deputado ou tesoureiro de algum partido tão bizarro e mesquinho quanto ele. Me conhece, pelo jeito, tenta puxar assunto, fala sobre os rumos da esquerda e coisa e tal. Sorrio sem vontade, ao menos acho que sorrio, mas não respondo. Então, desiste de falar comigo e passa a falar alto, pra todos na mesa, sempre sorrindo e buscando a aprovação da garota. Só que ela ta com a mão na minha perna e submersa em pensamentos chatos e ainda murmurando coisas sobre a mãe ou o namorado. Não ouço nenhum dos dois, bebo lentamente minha cerveja, jogo um pouco de sal na mão e lambo... vou mijar e, quando volto, um amigo está gritando, ameaçando o futuro vereador ou tesoureiro. Briga de bêbado é sempre chata. Ainda quero beber mais, então nada de briga. Entro no meio, peço pro meu amigo se sentar e empurro o outro fulano fazendo-o se sentar. Ele olha pra mim e grita: - Hei, camarada, não precisava empurrar! - É, não precisava. – bebo minha cerveja e a garota novamente enche meu copo e dá um gole antes de devolvê-lo. Meu amigo ainda quer briga. Eu não. Quero beber. Então falo: - Cara, deixa quieto, vamos beber. - Mas esse Tavinho é muito chato, chega aqui na mesa e quer monopolizar a conversa... - Deixa ele, vamos beber – olho pro tal Tavinho e proponho: - Você não vai mais monopolizar as conversas, não é? Você quer só beber numa boa... - Claro, quero beber e conversar, teu amiguinho que é muito esquentado. - meu “amiguinho esquentado” quase se levanta novamente, mas meu irmão ta lá ao lado e pede pra ele ficar tranqüilo. O garçom velho e cansado traz batatas fritas e lingüiça calabresa com cebolas, todos comem, alguns se levantam, fingem fazer contas e jogam alguma quantidade de dinheiro na mesa, se despedem, beijos, apertos de mãos, tapinhas nas costas. Ficamos no bar, eu meu irmão, dois amigos, o vereador/tesoureiro e ela. Kafka, jazigos perpétuos, a loirinha de piercing que faz publicidade e cheira muito pó, a morena que já chupou a todos, as FARC, povoam nossas conversas. O bar vai fechar, pagamos a conta, vamos pro boteco menor que ainda está aberto do outro lado da rua. Mais cerveja. Ela pede cigarro, ninguém mais tem, Tavinho se levanta pra ir comprar na padaria ao lado, volta sorrindo e enquanto a garota fuma, fica debruçado sobre ela, falando palavras moles. Ela me olha pedindo socorro. Sorrio, na verdade não devo ter sorrido, acho que to muito desanimado pra sorrir, e continuo conversando com meu irmão. Ela se vira pra mim e dá as costas ao tesoureiro, pega meu copo e bebe, depois coloca mais cerveja. Falo uma ou duas coisas, besteiras sem importância, pros meus amigos e pro meu irmão e de repente o fulaninho se levanta gritando: - Prepotente! Você é um prepotente do caralho. – ai, que saco, lá vai ele arrumar briga com meu amigo, dessa vez vou deixar rolar, não tenho mais energia pra separar. Mas aí vejo que ta todo mundo olhando pra mim... então eu sou o tal “prepotente do caralho”. É, deve ser isso: - Que disse? – quando perguntei, ele parou um instante, olhou pra mim e depois pra garota e pros meus amigos e me apontou o dedo: - Prepotente! Acha que é quem? – gritou, meio esganiçado e cuspindo involuntariamente... é estranho como essas coisas acontecem, não é? De um segundo pro outro nossas veias saltam, sentimos o rosto queimar e o suor escorrer e estamos prontos para saltar sobre alguém e lhe arrancar dentes, ou até fazer pior que isso. Quando percebi, o estava segurando pelo pescoço, torcendo para que tentasse me dar um soco, mas no mesmo instante meu irmão me puxou e os dois amigos se colocaram entre nós. Sentei e bebi meio copo de cerveja, enquanto isso meu irmão tentava convencer o infeliz a ir embora, mas ele devia achar que seria humilhação demais sair agora, mesmo estando assim tremendo como estava; o homem é bicho engraçado e por vezes o medo de ser humilhado é maior que o medo de um traumatismo craniano... Vinte minutos depois ele dizia para bebermos mais que seria por conta dele, que homens como nós não deveriam nunca agir assim, que estava arrependido e que isso era coisa da bebida... bebemos por mais uma hora, uma hora e meia, não sei. Ele falava e sorria e falava e nem mais tremia, eu o olhava nos olhos, ele desviava o olhar, pedia mais uma cerveja, acendia mais um cigarro... Me levantei, puxei a garota pelo braço: - Vamos lá pra casa. – quando me ouviu, ela sorriu e me abraçou, a afastei de leve e a segurei pela cintura e fomos andando, ela ao meu lado e eu com a mão em sua grande e bela bunda. Eu nem tava afim da garota, mas a fodi a noite inteira... sei lá, vai ver sou mesmo um “prepotente”... o homem é um bicho engraçado... As opiniões no fórum do Bar |
| |
|
Por Rodrigo Domit |
|
Dizem as más línguas As boas calam, se abraçam. |
|
|
| Tortura para marido |
| Por Wilson R |
|
.
- Sabe, querido, eu gostava tanto das empadinhas da padaria do prédio. Agora, sei lá....
- Larga, vai. Não pensa que só porque gosto de transar que vai resolver tudo com uma trepadinha rápida. |
| De bem com a vida |
|
Por Robertón Hefler |
| Acreditem, já fui um homem sério, circunspecto, pesanva somente em ser
bem sucedido, sabe aqueles yuppies auto-suficientes, que se achavam com
toque de Midas, pois foi assim que conquistei cargos importantes,
salários de fazer gerente de banco gozar nas calças, mordomias, bens
materiais, a única coisa que me faltava era o maldito tempo. Ah, o tempo... Esse sacana é incorruptível, mesmo nessa onda de reclicagem ele fica de fora, impassível, como se nada acontecesse por sua ação direta... Gastei mais tempo buscando o sucesso do que trabalhando pelas coisas que realmente são importantes. O tempo passando, eu enfiado até o pescoço no maldito sucesso, meus filhos crescendo, o amor virou hábito... Separação dolorosa, cinco filhos, tantos anos que quase dividimos um saco de sal e eu sequer a conheci. Fiquei sem bem e sem bens... Larguei tudo! Busquei refúgio no meio do mato, casa pequena, cachorro, filhos nos fins de semana, ah, e muito tempo ocioso... E percebi que aquilo era bom e fui me descobrindo , e fui aprendendo com gente simples, que me valorizava pelo que eu era, não pelo que eu tinha, e aprendi a compartilhar. Mas sabe, quem me ensinou a ser feliz de verdade? Foi a solidão! Comecei a perguntar aos meus botões quem iria querer um homem sério e circunspecto? Quem iria me amar, se eu mesmo não me amava? Nem meus botões me responderam... Passei a achar graça no vento, nos rebolados, nas palavras, no Sol, nas montanhas, na Lua, nas pessoas e em mim mesmo... Passei a me achar um ótima companhia e a me divertir com o dia-a-dia, e como era bom! Aos poucos os amores foram voltando, agora muito mais percebidos, talvez por isso mais efêmeros; comecei a perceber que aquele cursos de Administração do Tempo, nada mais foram que perda de tempo; comecei a perceber que minha barba se esbranquiçava e aquilo era bom; e percebi que algumas coisa subiam e outras desciam, e aquilo era ruim! Comecei a perceber que o tempo não dá um tempo e que ele parece muito mais lento pros bem humorados, que pros bem sucedidos! ... |
|
|
| Carta de despedida |
| Por Douglas Caju |
|
A faculdade esta acabando. Breve, breve lá vai estar eu de canudo nas
mãos sem saber direito o que fazer. Nessas horas o que vai me aborrecer
é a certeza de que poderíamos ter feito melhor. Não fizemos. No jogo das relações humanas não existem mocinhos nem vilões, cada um
foi responsável por tudo aquilo que criamos ou deixamos de construir.
|
|
Por Wilson R e Giovani Iemini |
| O BAR
DO ESCRITOR,
comunidade virtual do site de relacionamentos Orkut, em
satisfação às obrigações
literárias que se imbuiu desde a sua formação em
setembro
de 2005, no intuito de contribuir para a Literatura Brasileira DELIBERA
a estrutura da composição literária doravante
chamada NANOCONTO. Veja o documento na íntegra. Ps.: A Deliberação Nº 001 está originalmente publciada no site SOS Língua Portuguesa. As opiniões no bar |
InterNerd, Brasil, 06 de julho de 2008
Editado por Giovani Iemini