Vigésima Primeira Rodada

 
     

 
Bartender de Fabian Perez

     
 

Rodadas Passadas

 
Rodada Inicial

1a

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Rodada Especial 7a 8a Nano 10a 11a 12a
13a 14a 15a 16a 17a 18a 19a
20a
 

 

 

Carro Alegórico
Por Barbara Leite e Anderson H

Quero falar da alma lavada
que ontem dormiu no varal,
extenuada ao vento quente
saído do baile de carnaval.

Quero brindar com aguardente
o nascimento da batucada,
que despencou malemolente
no decorrer da caminhada

Quero enobrecer meu natimorto
que se consagrou em minha escada
fez despencar o silêncio doído
aplaudido da arquibancada

Quero dizer do rojão troante
que soltei quando derrotado
e da vizinha, que pelo amante,
largou o marido devotado.

Quero cantar o rancor amargo
dos que se juram resolvidos
e proclamar que destruí o fardo
que pesa nos ombros desvalidos.

Quero afirmar minha liberdade,
ainda que do fundo de uma cela,
e ignorar a casta modernidade
que me desmantela


...e desmantela...
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Entregue em metáforas
Por Bia Corelli

Enxerga meu grito de fé tresloucada
Ao menos na noite de nossas promessas.
Sou vã, eu confesso, mas vivo selada
No amor que me vive na voz inconfessa

Escuta meus sonhos, vivíparas peças
Cantando no escuro, clamores de fada
Que beijam-lhe o corpo nas múltiplas rezas
Oradas pra si nestas linhas ornadas

E toca-me a alma sem medo da quebra
Que entrego-me toda qual traços de pólem
Nas hastes que crescem sem foz e sem regra.

Desfolha-me o caule que as folhas o tolhem,
Rutila-me a flor que escondida me integra
E colhe-me em néctar nas mãos que me cobrem...

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Enquanto viva
Por Larissa Marques
enquanto viva
cedi aos ardores da carne
e da palavra estuque
por não ser pedra

vertente desaforada
labirinto de tímpanos torpes
e clarevidência disforme
na retórica inflamada

enquanto morta
entalharam-me em cera
para que o semblante
parecesse vivo

boca torta, noite escura
sem porta, nem dentadura
só a ditadura do silêncio
nula e crua em sonhos de papel

ergueram-me sobre um andor
que aponta para o topo do porém
tiraram-me a língua como castigo
por não me calar, como convém.

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Falo
Por Muryel de Zopppa

em tua
língua

a
gramática
de meus
poros

.

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Teclado-calado

Por Alex Plunk

Estou agora, olhando para meu teclado
Ele também me olha, pelado
É um teclado preto, não é um teclado branco
Mas suas letras são
caucasianas
Por em quanto,
ainda não escrevo nada, namoro
Olho pra ele e ele pra mim
Ele diz "vai", e eu digo:
- Vai o que?
Começo a escrever e meu teclado diz "sai"
e eu digo, - sai do quê? pra onde? por quê?
Não adianta, nada sai da minha mente
tão somente, quando meu teclado mente
ser-eu

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Hostil
Por Betty Vidigal

Súbito,
compreendi o que havia em tua voz:
era somente o inverno.

Tua voz sibiliava como o vento de junho
e tinha a mesma imóvel agressividade
das lâminas de gelo.

Súbito,
o entendimento me atingiu:
a voz hostil

rompeu os elos

e o que havia

de ti em mim

morreu.

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Cervejas, cigarros e a velha raça humana

Por Thomás Torpo


Duas ou três horas? Não sei há quanto estamos aqui nessa mesa engordurada, bebendo essas cervejas geladas nessa noite abafada... quando cheguei, ainda tava claro; não tenho relógio e não vou tirar o celular do bolso pra ver as horas, aliás, qual o motivo de estar pensando no tempo?
Ela chegou, perguntou se não tinha cadeira e um amigo levantou e pegou uma numa mesa próxima, mas quando ele foi ao banheiro ela tomou a cadeira dele e se sentou ao meu lado. Reclamava da faculdade, dos professores, dos idiotas dos colegas, da mãe que não a deixava em paz, do namorado que não queria fazer ménage, de que já estava ficando sem cigarros e volta e meia, entre uma reclamação e outra, colocava a mão esquerda na minha coxa direita e falava alguma besteira e sorria. Tinha uma bunda grande e bonita, um rosto mais ou menos e uma barriguinha a mais do que devia ter... reclamava, reclamava, colocava a mão e sorria.... ah, também pedia cigarros, eu não fumo cigarro, pedia pros outros, pra qualquer um, pra todos. Ela parecia nunca ter cigarros, mas sempre querer fumar. Foi ao banheiro, que merda ser mulher e ter que ir ao banheiro de um pé sujo como esse, imundo, fedido, com a porta sem tranca... quando voltou, ficou em pé atrás de mim com as mãos nos meus ombros fazendo uma massagem chata e repetitiva. Chega um sujeitinho meio gordo, de cabelo raspado, que vive fazendo barulho por causa de políticas estudantis: “vote na chapa dois” ou “vote na chapa um”, sei lá. Senta-se no lugar vago, ao meu lado. Ela pára com a massagem nos meus ombros:
- Porra, esse é meu lugar, Tavinho. Pegue outra cadeira pra você. – ele sorri, sem graça, se desculpando, levanta, pega outra cadeira e a coloca grudada na dela. Fica, então, falando das eleições do C.A. do curso de comunicação, dos artigos que escreve sei lá pra onde... figurinha bizarra, a cada afirmação olha pra garota e tenta descobrir se ela o aprova. Ele quer que sua chapa seja eleita, provavelmente no futuro será vereador, deputado ou tesoureiro de algum partido tão bizarro e mesquinho quanto ele. Me conhece, pelo jeito, tenta puxar assunto, fala sobre os rumos da esquerda e coisa e tal. Sorrio sem vontade, ao menos acho que sorrio, mas não respondo. Então, desiste de falar comigo e passa a falar alto, pra todos na mesa, sempre sorrindo e buscando a aprovação da garota. Só que ela ta com a mão na minha perna e submersa em pensamentos chatos e ainda murmurando coisas sobre a mãe ou o namorado. Não ouço nenhum dos dois, bebo lentamente minha cerveja, jogo um pouco de sal na mão e lambo... vou mijar e, quando volto, um amigo está gritando, ameaçando o futuro vereador ou tesoureiro. Briga de bêbado é sempre chata. Ainda quero beber mais, então nada de briga. Entro no meio, peço pro meu amigo se sentar e empurro o outro fulano fazendo-o se sentar. Ele olha pra mim e grita:
- Hei, camarada, não precisava empurrar!
- É, não precisava. – bebo minha cerveja e a garota novamente enche meu copo e dá um gole antes de devolvê-lo. Meu amigo ainda quer briga. Eu não. Quero beber. Então falo:
- Cara, deixa quieto, vamos beber.
- Mas esse Tavinho é muito chato, chega aqui na mesa e quer monopolizar a conversa...
- Deixa ele, vamos beber – olho pro tal Tavinho e proponho:
- Você não vai mais monopolizar as conversas, não é? Você quer só beber numa boa...
- Claro, quero beber e conversar, teu amiguinho que é muito esquentado. - meu “amiguinho esquentado” quase se levanta novamente, mas meu irmão ta lá ao lado e pede pra ele ficar tranqüilo. O garçom velho e cansado traz batatas fritas e lingüiça calabresa com cebolas, todos comem, alguns se levantam, fingem fazer contas e jogam alguma quantidade de dinheiro na mesa, se despedem, beijos, apertos de mãos, tapinhas nas costas. Ficamos no bar, eu meu irmão, dois amigos, o vereador/tesoureiro e ela.
Kafka, jazigos perpétuos, a loirinha de piercing que faz publicidade e cheira muito pó, a morena que já chupou a todos, as FARC, povoam nossas conversas. O bar vai fechar, pagamos a conta, vamos pro boteco menor que ainda está aberto do outro lado da rua. Mais cerveja. Ela pede cigarro, ninguém mais tem, Tavinho se levanta pra ir comprar na padaria ao lado, volta sorrindo e enquanto a garota fuma, fica debruçado sobre ela, falando palavras moles. Ela me olha pedindo socorro. Sorrio, na verdade não devo ter sorrido, acho que to muito desanimado pra sorrir, e continuo conversando com meu irmão. Ela se vira pra mim e dá as costas ao tesoureiro, pega meu copo e bebe, depois coloca mais cerveja. Falo uma ou duas coisas, besteiras sem importância, pros meus amigos e pro meu irmão e de repente o fulaninho se levanta gritando:
- Prepotente! Você é um prepotente do caralho. – ai, que saco, lá vai ele arrumar briga com meu amigo, dessa vez vou deixar rolar, não tenho mais energia pra separar. Mas aí vejo que ta todo mundo olhando pra mim... então eu sou o tal “prepotente do caralho”. É, deve ser isso:
- Que disse? – quando perguntei, ele parou um instante, olhou pra mim e depois pra garota e pros meus amigos e me apontou o dedo:
- Prepotente! Acha que é quem? – gritou, meio esganiçado e cuspindo involuntariamente... é estranho como essas coisas acontecem, não é? De um segundo pro outro nossas veias saltam, sentimos o rosto queimar e o suor escorrer e estamos prontos para saltar sobre alguém e lhe arrancar dentes, ou até fazer pior que isso. Quando percebi, o estava segurando pelo pescoço, torcendo para que tentasse me dar um soco, mas no mesmo instante meu irmão me puxou e os dois amigos se colocaram entre nós. Sentei e bebi meio copo de cerveja, enquanto isso meu irmão tentava convencer o infeliz a ir embora, mas ele devia achar que seria humilhação demais sair agora, mesmo estando assim tremendo como estava; o homem é bicho engraçado e por vezes o medo de ser humilhado é maior que o medo de um traumatismo craniano...
Vinte minutos depois ele dizia para bebermos mais que seria por conta dele, que homens como nós não deveriam nunca agir assim, que estava arrependido e que isso era coisa da bebida... bebemos por mais uma hora, uma hora e meia, não sei. Ele falava e sorria e falava e nem mais tremia, eu o olhava nos olhos, ele desviava o olhar, pedia mais uma cerveja, acendia mais um cigarro... Me levantei, puxei a garota pelo braço:
- Vamos lá pra casa. – quando me ouviu, ela sorriu e me abraçou, a afastei de leve e a segurei pela cintura e fomos andando, ela ao meu lado e eu com a mão em sua grande e bela bunda. Eu nem tava afim da garota, mas a fodi a noite inteira... sei lá, vai ver sou mesmo um “prepotente”... o homem é um bicho engraçado...


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Silêncio

Por Rodrigo Domit

 
 

Dizem as más línguas

As boas calam, se abraçam.

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Tortura para marido
Por Wilson R

.

Tortura
Para
Marido

- Amor? Ei, amor?
- Hum? Quê? Hã?
- Por que não diz mais que me ama?
- Quê?
- Você... por que não diz que me ama?
- Nas últimas horas, eu não disse porque estava dormindo. (bocejo)
- Você não era assim...
- Ah, deixa disso, amor. Eu disse que te amo quando viemos pra cama.
- Você tá perdendo o interesse em mim...
- Perdendo o inter...? Amor, de noite, nós transamos até cansar!
- Ta vendo? Só pensa em sexo.
- Mas... mas... amor, você gosta. Sempre gostou, uai. Depois, somos casados, dormimos juntos... claro que tem que rolar sexo. Ontem então, você estava um furacão, eh, eh.
- Tarado! E ainda fala essas coisas.
- Ai, Jesus!
- Não fala em Jesus, você é ateu.
- É só uma exclamação.
- Eu sei, não sou burra.
- Não falei que é burra, amor. Sei que não é.
- Ah, tá... o sabidão. Pensa que sabe de tudo, né?
- Ai... é hoje...
- Tá vendo? Não tem paciência comigo. Buuuu.
- Ah, amor... vem cá, dá um abraço. Olha, eu te amo, não sou o sabidão e viver com você é a melhor coisa da minha vida. Tá bom?
- Desculpa, amor... também te amo. Mas é que tô ficando velha.
- O quê? Velha, você? Ah, amor, desculpa, mas dessa tenho que rir.
- É verdade, tô velha, sim. Olha aqui, ó. Um cabelo branco.
- He, he, he. UM cabelo branco. Grande coisa.
- E meus cabelos estão caindo.
- Amor, presta atenção: Um cabelo branco não é nada e todo mundo perde cabelo todos os dias, o tempo todo, a vida inteira.
- Ah, tá... sei. Hoje, um cabelo branco, alguns fios caem. Com trinta anos, tô grisalha e com falhas na cabeça toda. Com quarenta, tô careca.
- Meu Deus, amor... que nóia.
- Buuuuuu. Vou morrer antes do cinqüenta!
- Amor, vem cá, de novo. Dá um beijo. Olha, eu te amo, você é linda e não vai morrer antes do cinqüenta. Tá entendendo?
- Buuuuuu. Tá, amor. Eu também te amo. Buuuuuuu.
(...)

- Sabe, querido, eu gostava tanto das empadinhas da padaria do prédio. Agora, sei lá....
- Eh, eh.
- Que foi?
- Nada.
- Fala, vai. Por que tá rindo? Só porque tô enjoando das empadinhas?
- É, acho que dá pra enjoar, mesmo. Você acabou de comer doze.
- Tá falando que tô gorda?
- Gord... quê? Não falei isso.
- Mas quis dizer, sim.
- Amor, você não pesa cinqüenta quilos!
- É mesmo, né? Será que tô doente? Não engordo de jeito nenhum.
- Doente nada, você é a mulher mais saudável que conheço.
- Tá. Sei. E as outras?
- Outras? Que outras?
- Ora, se sou a mais saudável que conhece, e as outras? As que você conhece e não são tão saudáveis? Gosta delas por que são mais bonitas? Ou mais jovens?
- Ah, pelo amor de Deus. Você é linda, meu amor, e, se eu tivesse me casado com uma mulher mais nova que você poderia ser processado por pedofilia.
- Tá vendo? Só gosta de mim porque sou jovem. Quando eu estiver de cabelos brancos e careca e velha e gorda você vai me largar.
- Querida, amor da minha vida, pára. Olha aqui pra mim.
- Fala. Buuuuuu.
- Presta bastante atenção. Primeiro, não dá ficar de cabelos brancos e careca ao mesmo tempo. Depois, você tem vinte anos a menos que eu. Quando estiver velha, eu já morri faz tempo. He, he.
- Insensível! Não fala que vai morrer e me deixar sozinha... Buuuuuu.
- Ai, meu Deus do céu, pára com isso, cacete!
- Não grita comigo. Buuuuuuu
- Amor, não tô gritando. Vem cá, me abraça.
- Huuuummmm. Abraço gostoso.
- Tá melhor?
- Tô. Rs. Me beija, fiquei com tesão.
- Eu te amo.
- Vamos transar aqui, na cozinha?
- Melhor não, né amor?
- Ai, como você corta o clima. Sempre gostou de transar na cozinha. Que tá havendo?
- Mas sua mãe tá ali na sala.
- Pronto, lá vem você encrencar com a minha mãe. Por que não gosta dela?
- Não gost... Amor, eu a-do-ro sua mãe, mas ela entrar na cozinha e ver a gente transando é fogo, né?
- Tem vergonha de me amar?
- Quê? Claro que não. Ah, quer saber duma coisa. Vem cá, então.

- Larga, vai. Não pensa que só porque gosto de transar que vai resolver tudo com uma trepadinha rápida.
- Não precisa ser uma trepadinha rápida. Eh eh. Pode ser uma trepadinha demorada.
- Trepadinha demorada... que vulgar. Falar “trepadinha”. Antes você dizia “fazer amor”.
- Mas foi você que disse “trepadinha”. Ah, deixa o nome pra lá, vem cá. Vamos fazer amor aqui, agora mesmo.
- Tá louco? E minha mãe, se ela entra aqui e pega a gente?
- (!)
- Buuuuuuu. Você só pensa em você, quando quer sexo, não se importa comigo.... buuuuu.
- Amor, vamos fazer uma coisa?
- Eu vou sair, vou trabalhar e quando eu voltar a gente faz amor na nossa caminha, bonitinho, como a gente sempre faz. OK?
- Ah, melhor não, acho que estou começando a ficar menstruada.
- Entendo, entendo. Eh, eh. Isso explica tudo.
- Explica o quê? Ah, você não entendem nada sobre isso, acham que a gente fica menstruada e perde a cabeça, que a gente...
- Meu Deus, meu Deus.... Ainda bem que termina logo.

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 De bem com a vida

Por Robertón Hefler

 
 Acreditem, já fui um homem sério, circunspecto, pesanva somente em ser bem sucedido, sabe aqueles yuppies auto-suficientes, que se achavam com toque de Midas, pois foi assim que conquistei cargos importantes, salários de fazer gerente de banco gozar nas calças, mordomias, bens materiais, a única coisa que me faltava era o maldito tempo.

Ah, o tempo... Esse sacana é incorruptível, mesmo nessa onda de reclicagem ele fica de fora, impassível, como se nada acontecesse por sua ação direta...

Gastei mais tempo buscando o sucesso do que trabalhando pelas coisas que realmente são importantes.

O tempo passando, eu enfiado até o pescoço no maldito sucesso, meus filhos crescendo, o amor virou hábito... Separação dolorosa, cinco filhos, tantos anos que quase dividimos um saco de sal e eu sequer a conheci. Fiquei sem bem e sem bens...

Larguei tudo! Busquei refúgio no meio do mato, casa pequena, cachorro, filhos nos fins de semana, ah, e muito tempo ocioso... E percebi que aquilo era bom e fui me descobrindo , e fui aprendendo com gente simples, que me valorizava pelo que eu era, não pelo que eu tinha, e aprendi a compartilhar.

Mas sabe, quem me ensinou a ser feliz de verdade? Foi a solidão!

Comecei a perguntar aos meus botões quem iria querer um homem sério e circunspecto? Quem iria me amar, se eu mesmo não me amava? Nem meus botões me responderam...

Passei a achar graça no vento, nos rebolados, nas palavras, no Sol, nas montanhas, na Lua, nas pessoas e em mim mesmo... Passei a me achar um ótima companhia e a me divertir com o dia-a-dia, e como era bom!

Aos poucos os amores foram voltando, agora muito mais percebidos, talvez por isso mais efêmeros; comecei a perceber que aquele cursos de Administração do Tempo, nada mais foram que perda de tempo; comecei a perceber que minha barba se esbranquiçava e aquilo era bom; e percebi que algumas coisa subiam e outras desciam, e aquilo era ruim!

Comecei a perceber que o tempo não dá um tempo e que ele parece muito mais lento pros bem humorados, que pros bem sucedidos!


...

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Carta de despedida
Por Douglas Caju

A faculdade esta acabando. Breve, breve lá vai estar eu de canudo nas mãos sem saber direito o que fazer. Nessas horas o que vai me aborrecer é a certeza de que poderíamos ter feito melhor. Não fizemos.
Há tempos tenho pensado sobre o que levarei pra casa depois que me formar. Um diploma que atesta minhas aptidões técnicas científicas? Uma beca alugada sob o risco de multa? Confesso que sempre quis levar aquilo que meus olhos não poderiam ver.
Fizemos poucos amigos. Reclusos em nossos grupinhos, não nos permitimos novas aventuras, outras experiências. Fomos derrotados pela nossa incapacidade de aceitar as diferenças.
Havia o grupo da direita, da esquerda, do meio, do canto direito, do canto esquerdo, do fundão e até o grupo daqueles que se consideravam sem grupo. Enfim, fomos sempre panelinhas. Seres mesquinhos incapazes de perceber que só se vive uma vez.
Amanhã quando tudo isso acabar, muitos de nós passarão um pelo outro e vamos fingir que aquele rosto que nos cruza o caminho é simplesmente um desconhecido. A verdade é que nunca nos demos a chance de nos conhecer. Nunca fomos além da imagem estereotipada que criamos do outro.
Santo ou de profano, asno ou inteligente, alegre ou triste; esquecemos que por de trás dessa besteira existe um ser humano, alguém que merecia um pouco mais de nós.
Belos enfermeiros estamos saindo. Humanizaremos tudo e todos. Ainda me lembro de frases soltas em nossas discussões. _ é preciso ter empatia, criar vínculos.
Acredito que nunca tivemos a tal empatia e que nunca estivemos dispostos a formar vínculos. As nossas vaidades não nos permitiram se enxergar no lugar do outro. Falaram mais alto que nossa ideologia de humanização.
Entendo que hoje já não há mais tempo pra possíveis reaproximações, existem cicatrizes demais. São tantos estágios, projetos de monografia, e a carreira de enfermeiro batendo na porta; que resta apenas o aprendizado dessa trágica experiência, e os poucos amigos que fizemos. Poderia ter sido melhor. Eu não fui.

No jogo das relações humanas não existem mocinhos nem vilões, cada um foi responsável por tudo aquilo que criamos ou deixamos de construir.
Encerro meu texto acreditando que cada um é melhor do que aquela imagem distorcida que fizeram de nós. Tenho certeza de que tudo não passou de um engano. Um grande equivoco dessa nossa alma carregada de intolerância.

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Deliberação Nº 001

Por Wilson R e Giovani Iemini

 
O BAR DO ESCRITOR, comunidade virtual do site de relacionamentos Orkut, em satisfação às obrigações literárias que se imbuiu desde a sua formação em setembro de 2005, no intuito de contribuir para a Literatura Brasileira DELIBERA a estrutura da composição literária doravante chamada NANOCONTO.
Veja o documento na íntegra.

Ps.: A Deliberação Nº 001 está originalmente publciada no site SOS Língua Portuguesa.

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InterNerd, Brasil, 06 de julho de 2008
Editado por Giovani Iemini