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Décima Quinta Rodada |
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Rodadas Passadas |
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Amo você como quem ama um carro. Como quem ama fumar um cigarro. Amo você por amor ao prazer. Amo o prazer de andar de braço dado, de ser somente eu a caminhar ao seu lado e a inveja que causa esse nosso caminhar. Amo sobretudo a calma e a certeza de saber a quem pertencem você e sua beleza, amo a luxúria que existe em amar. Amo o amor como aquele que amaria a mais linda beldade a que aprouvesse um dia tomar a liberdade de apenas deixar-se amar. Amo você algo que casualmente, por ter nos posto a vida lado a lado simplesmente tendo-me então imperado: - Tu! Põe-te a amar! Amo você como quem ama bocas que por não ser nenhuma, torna-se então em todas, pois o que amo é o êxtase, que qualquer das bocas dá. As opiniões no bar |
| Pausa |
| Por Angela Oiticica |
| Ser errante e de repente parar nubla as trilhas do destino. Continuar e continuar... Tudo se desenrola tão de repente Quando se vê passou Estava assim naqueles momentos quando a buzina na estrada chamou. Terei de ir. Não há espera, a volta que aguarde. Adeus supermercados cobranças de gaz e luz Para traz choro de crianças bocas insatisfeitas fogões colchões adeus cobradores de cartões Adeus adeus nem aguardem Adivinhem um sorriso rústico me espera na estrada Muito longe estarei guardado qual ermitão alado voarei aqui e além Adeus ainda direi assim mesmo chamarão Segunda terça nem na quarta e quinta ouvirei na sexta já me livrei mesmo assim cobrarão e o sol qual tição queimará todo o segredo vomitando a paixão Nada sabem onde irei já nem me lembrarei que toquem o telefone que berrem xinguem que cobrem Leva-me trem errante para a estação da luz lá onde o coaxar dos sapos anunciam estrelas suposições e razões As opiniões no bar |
| Lançado
o anzol |
| Por Devora-me |
| Ninguém é mais que a espera num porto de partida ninguém é mais que o anzol entre o peixe e a isca no lamarão que bordeja entre o gozo e o ataúde ninguém é mais que uma vida entre a gávea e a quilha entre o leme e o timão ninguém é mais que uma ilha As opiniões no bar |
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Por André Espínola |
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O céu recebe Ao mesmo tempo Ares sórdidos de cigarros No pulmão. Algumas nuvens São apenas átomos De tabacos Em combustão. Outras preferem drogas Alucinógenas Metamorfoseando-se Em diversas formas Como forma de diversão. A tosse contagiosa, Quase tísica, Gera benfazeja Brisa. O pássaro bêbado Segue o mesmo caminho Pelo qual O vento voou.
E a chuva como urina De toda a cerveja Que o céu tomou ...C ..a .i . Enquanto a recebemos No vaso sanitário Da vida. |
| O Devedor |
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Por Flávio Gustavo |
Eu devo de tudo. Devo boceta, casa, trabalho, família, dinheiro, jóia, coca-cola, salame, presunto, computador, DVD, escola, universidade, diversão, putaria. Devo tudo isto aos pobres. Eu sei que devo, mas não pago, não irei pagar porra nenhuma. Se tem uma coisa que eu não gosto nesta merda de país, são os pobres. Eu poderia aqui ficar dando mil explicações, dos porquês deste meu ódio. Prefiro ser suscinto e dizer que pobre é tudo um cu, porém um cu cheio de câncer que não para de crescer. Sendo assim, jurei que ia mandar grande parte deles para o cemitério. Ia demorar, é claro que ia, mas Roma não tinha sido construída em um dia, tinha? Entramos no carro, eu o Marcelo e o Fernando.O Marcelo era um pouco mais rico que eu, eu tinha um pouco de inveja dele, não, não era inveja era admiração mesmo, rico não inveja ninguém, rico apenas admira. Ri em silêncio do meu pensamento. Já o Fernando era um novo rico, enfim, uma merda, ele tinha que mostrar o valor dele perante a nós. Acendemos nossos charutos. Eu gostava de fumar um charuto antes de fazer uma ação social. Descemos do carro, e de cara ouvimos a música. Puta que pariu! Àquela música, aqueles tambores de merda, era tudo invenção de pobre. Caralho! ia ser fantástico, íamos foder um tanto de miseráveis de uma vez só. Marcelo e Fernando, cheguem atirando, mirem nas mulheres, mirem nelas, eu atiro nos homens. Matem o maior número de vagabundas possíveis, elas cagam um monte de pobre no Brasil, lembrem-se disso; lembrem-se, elas defecam um monte de pobre. Deixem as crianças e os homens filhos-da puta-comigo. Eles concordaram e deram uma risada, uma gargalhada de rico. Em seguida, seguraram as metralhadoras enquanto desciam do carro, eu fiz o mesmo. Tiros, gritos, sangue, garrafas quebrando, pobre clamando por Deus, crianças chorando, tudo isto ao som do pagode. Àquela música de merda, soava como as canções de Bach para os meus ouvidos, graças aos arranjos que eu e meus amigos estávamos adicionando a elas. Fiz questão de matar as crianças primeiro, depois foram os adultos. Marcelo e Fernando alvejavam as mulheres. Tiro na cabeça, só tiro na cabeça, eu gritava! Saímos de lá. Tudo tinha sido um sucesso, uma grande obra, uma grande composição de Bach. Roma estava sendo construída, tínhamos dado o primeiro passo. No outro dia, no notíciário, o repórter dizia, briga entre gangues de traficantes rivais mata vinte no Pagode do Gegê. Os próprios putos se matavam. Perfeito! brindamos, fodemos umas putas e cantamos. Viva Roma! As opiniões no fórum do Bar |
| Banalidades... |
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| Desperdício ou Evolução? |
Por Robertón Hefler |
Pronto, a ciência acaba de descobrir que o genoma feminino é mais complexo que o dos homens. Agora sim está confirmada a luta desigual entre os sexos. A mulher tem um cromossomo X de reserva, assim como sapatos, saias, blusas, namorados, maridos...Garanto que quem descobriu foi um cientista, que, como bom pesquisador, desconhecia completamente a índole exploratória, oportunista e exibicionista da mulher. Normalmente o cientista tenta explicar aquilo que todos já sabem: Homem é muito mais simples! Essa grande descoberta explica muita coisa. Por isso que as mulheres são infinitamente mais perdulárias do que os machos, o desperdício começa na genética feminina. Nós, homens de verdade, somos seres superiores na cadeia evolutiva e de qualidade genética inquestionável. Macho que é macho não precisa de reserva, se garante... Se fosse o homem que gerasse a prole não ficaria durante nove meses grávido. A gestação duraria apenas três meses e os rebentos já sairiam andando e comendo arroz com feijão. Mulher fica preparando a cria três ou quatro meses, o restante é pura frescura, só pra chamar a atenção do homem e justificar aqueles desejos mais inimagináveis. Homem é muito mais eficiente e resignado, quantos verdadeiros representantes da masculinidade não carregam barrigas onde tranqüilamente caberiam quadrigêmeos adolescentes sem reclamar nadinha, sem gastar uma gota sequer de óleos, cremes ou elastificadores. Homem sabe usar o que têm, já imaginou o que seria da espécie humana se fosse a mulher quem tivesse o pênis? Estaríamos condenados à extinção... As mulheres jamais conseguiriam concluir uma relação sexual em apenas uma noite, só nas preliminares levariam 25 horas, até chegar a famosa dor de cabeça e dizer, com o maior desdém: Você me fez brochar! Mulher ia enfeitar todo o bilau... Botar laçinho, brinquinho, botox... Imagine a mulher lavando o ... Lá se iam mais uns vinte minutos só pra lavar e perfumar! O quanto não gastaria com cremes anti-rugas, enrijecedores... Nem quero pensar no que se transformaria 500ml de silicone ou um simples xixizinho, o que seria da nossa clássica e orgulhosa balançadinha... A natureza é sábia... Essa natureza cromossômica da mulher explica por que nós, machos, somos obrigados a produzir milhões de espermatozóides a cada ejaculação, como a mulher tem um cromossomo X a mais e neurônios de menos, até conseguir escalar qual será o cromossomo que vai participar da fertilização leva um baita tempão... Aí fica: vai você. Não, não... Peraí; vai o X aí da esquerda ou o X da direita? Ih... Acho que deve ir o Y... Até acontecer a decisão e haver uma eventual fecundação, 99% dos espermatozóides se cansam e desistem ou se suicidam de tanto tédio... Mas a mulher ainda gosta de ser vista como o sexo frágil – sic – afinal precisa de nós, homens realmente machos, senão quem lhe mandaria flores no dia seguinte? Quem lhe faria poesias cheias de paixão? Quem procuraria ama-la sem sequer tentar entende-la? Cabe a nós, a cada dia mais raros, homens machos de verdade, admirar a natureza feminina, por sua emancipação social, profissional e por que não dizer genética. Cabe a nós, homens machos, mas sensíveis, amar essa mulher por sua sinuosa e deliciosa anatomia, por suas inseguranças e por suas indecisões. Cabe a nós verdadeiros representantes da virilidade nos redermos ao carinho e a paixão pelas mulheres. |
| Sobre o ano-novo e a ressaca |
| Por Giovani Iemini |
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"Se eu não faço nada, fico satisfeito Durmo o dia inteiro e aí não é direito Porque quando escurece, só estou a fim de aprontar" Tédio
(com um T bem grande para
você) – Legião Urbana O fim do ciclo solar traz a mesma sensação de um início de noite quando se dormiu o dia inteiro de ressaca: a vontade de aprontar! Ou melhor, de fazer algo construtivo, importante, de reorganizar o tempo e cumprir tudo aquilo que sonhou porém não conseguiu realizar. Eu já amadureci; não reclamo mais das ressacas nem digo que "nunca mais beberei", apenas me conformo com o estômago provocando uma cisão político-biológica com o resto do corpo. Aceito a ressaca, assim como reconheço que o ano vindouro será apenas mais um ciclo que em não cumprirei minhas metas. Essa ansiedade em corrigir os pretensos defeitos, para começar uma existência mais plena e feliz, mas somente no ano novo, é a desculpa dos desiludidos. Todos que sonham alcançar o próximo degrau do auto-desenvolvimento renovam as esperanças. Contudo, esquecem que qualquer mudança deve ser gradual e introspectiva. Não adianta fazer "listas de ano novo". Eu sou um desses desiludidos. Já compreendi que meus defeitos não sumirão, nem no ano novo e nem no dia de São Nunca. Devo conviver com eles e contorná-los, para aprender a sofrer cada vez menos com minhas falhas. Entretanto, não me abstenho de permanecer um ébrio, tanto das mais deliciosas cachaças quanto dessa idiotice chamada esperança. Em cada ciclo imagino o defeito de personalidade que eu poderia limar ou a característica que deveria absorver; sempre tenho boas intenções. Até a meia noite! Daí para frente só penso em acabar de encharcar a cara de mé! Quando vier a ressaca do dia Primeiro de 2008 já terei esquecido todas as promessas, não saberei quais planos me dedicar nem como resolver meus problemas (que eu certamente havia solucionado na noite anterior). Não começarei a malhar, nem a estudar, nem controlarei minha língua (e pena) ácida. Não serei paciente, nem dedicado e tampouco deixarei de reclamar sobre tudo. Continuarei cultivando meus defeitos (é claro que na intenção de regá-los cada vez menos) e buscarei não perder as ínfimas virtudes que mantive até agora (como cactos num deserto). Serei o autêntico eu, só que um tantinho mais sábio, afinal, quem não aprende com os erros é um imbecil. - ô imbecil, se continuar fazendo as mesmas besteiras não subirá o tal degrau no auto-desenvolvimento. – Diria o leitor. Sim, reconheço, porém não farei as mesmas besteiras. Farei, na verdade, novas besteiras, cometerei outros enganos e praticarei diferentes pecados. Ano novo, bobagens novas. Afinal, sabiamente, precisarei atualizar meu rol de problemas para avaliá-los ao final do ano e resolver corrigir alguma coisa para 2009. O ciclo nunca termina, mas a ressaca, essa sim, uma hora vai acabar. - Bebamos, então! – Um brinde ao ano novo. |
InterNerd, 15 de janeiro de 2008
Editado por Leandro de Almeida (Doctor T)
e produzido por Giovani
Iemini