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Décima Primeira Rodada |
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Rodadas Passadas |
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faz um pra mim |
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Por Viviane Marques |
Por Ângela Gomes |
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eu sempre escrevi todos os versos |
Mataram-me mais |
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Por Maria Júlia |
Por Me Morte |
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O risco rasura as linhas traçadas à risca |
Hoje acordei assim |
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Por Lameque Lopes |
| Consultou o relógio cogitando a hipótese
de Janete haver desistido. Ele sabia que o atraso das
noivas fazia parte de um ritual cumprindo a risca por dez
entre dez mulheres, mas aquela demora o consumia em
incertezas. Motivos para temer o abandono em pleno altar
não ele não poderia deixar de tê-los, afinal, houve
muita oposição da parte dos parentes da noiva em relação
aquelas bodas. “Onde já se viu? Unir-se a um homem
que mal conhecia?” tornou-se um bordão entre boa
parte dos familiares da noiva que também definiam o casório
como “um gesto de irresponsabilidade em dose dupla”.
Entretanto, a futura companheira dobrara a todos se
utilizando daquilo que Nestor logo percebeu ser uma das
suas maiores virtudes: a teimosia. Casariam-se e ponto
final. O resto “que se danasse” como Janete
costumava dizer com singela naturalidade. O noivo afrouxou levemente o incomodativo nó da gravata enquanto matutava sobre a possibilidade de Janete haver de véspera pesado os prós e os contras de uma união com aquele quase desconhecido e concluir pela desistência. Encarando de cima do altar as incontáveis cabeças humanas a congestionar o átrio da igreja, Nestor pensou no papel mais ridículo que ele representaria em sua vida medíocre se a cerimônia não se realizasse. Recordou-se do primeiro encontro entre dois, em uma feira-livre, há algumas semanas, quando ele ainda lutava para acostumar-se ao vácuo provocado pela ausência da sua esposa. Desde a sua partida, Nestor descobrira o quanto fora dependente da mulher e o resultado desta submissão o tornara incapaz de lidar com as mais corriqueiras tarefas domésticas. Sempre fora homem da rua, provedor de uma casa que, ausente de filhos, funcionava satisfatoriamente sob o comando da companheira. Agora, além da dolorida saudade, tinha que, resignado, adaptar-se a sua nova vida e tentar vencer e o desafio que uma banal feira-livre poderia representar.Foi dela a iniciativa de aproximar-se e perguntar ao homem atrapalhando diante do dono da barraca de temperos se precisava de ajuda, depois de observá-lo confundir de modo patético um molho de salsa com outro de hortelã. Janete em minutos desvendou-lhe os segredos das especiarias, apresentadas a Nestor embrulhadas por cativantes sorrisos. Tímido, o homem agradeceu o que a princípio lhe pareceu certa intromissão de uma desconhecida, mas a simpatia que aquela mulher suburbanamente trajada e puxando um carrinho de feira emitia desfez a sua prelúdica má impressão. Em minutos, Nestor deixou a feira-livre com a leve sensação de estar apaixonado. E era paixão mesmo, das boas. Desde que conhecera Janete, a ida semanal a feira tornou-se um acontecimento especial na vida de Nestor. Arrumava-se como se a um importante evento fosse, trajando roupas da melhor maneira aceitável para aquele ambiente, tomando cuidado de não destoar dos outros freqüentadores e tornar-se uma figura caricata entre as barracas de frutas e legumes. Quando avistava Janete, seu coração galopava de ansiedade. Forçava a coincidência do encontro e ia feliz em companhia de sua amada, trocando simpatias entre odores de peixes, reclamando dos preços em meio a temperos e hortaliças, falando mal do governo tendo como fundo musical o pregão dos feirantes.Um dia, Janete o convidou para irem ao cinema. Apesar de surpreso pela audácia do convite, ele alegremente aceitou. Nestor gostava de comédias açucaradas, Janete adorava filmes de terror. E na escuridão do cinema, entre gritos histéricos da mocinha perseguida por um psicopata na tela em cinemascope, o casal trocou o primeiro beijo. Na semana seguinte, no alto de uma roda-gigante, ela o pediu em casamento. Novamente surpreendido pela ousadia feminina, Nestor aceitou sem pestanejar. Pendurado naquele altar, imerso em verdes recordações, Nestor envergava seu terno de missa, ensopado pelo suor que o calor daquela tarde-noite de verão produzia. Associava-se ao desconforto do clima quente o seu nervosismo em protagonizar aquele espetáculo sob risco de não se realizar.Suas dúvidas foram sepultadas ao ouvir os primeiros acordes da marcha nupcial invadindo a nave com Janete surgindo na entrada da igreja. Uma linda noiva, conduzida com seriedade pelo seu irmão preenchendo a lacuna deixada pelo pai falecido. Para Nestor, pareceu uma eternidade a distância percorrida pela futura esposa até o altar. Seu cunhado, um tanto contrariado, a entregou e, diante do sacerdote, os dois selaram sua união perante Deus e os mortais. Festa simples. Bolo minúsculo onde não faltou o casal de noivinhos no topo, sidra ordinária estourada e votos de felicidades. Lua-de-mel mais parcimoniosa ainda, no quarto onde de agora em diante eles iriam morar. Estavam casados. Era o que interessava. O resto “que se dane”, pensou Nestor com sorriso maroto estampado na cara, deitado na cama de casal, na companhia do seu pijama novo, comprado especialmente para a ocasião. Janete saiu do banheiro vestindo sua camisola de núpcias encobrindo o corpo magro. Sorriu para ele. Nestor estendeu o braço direito e ofereceu o ombro para a esposa aninhar-se. Passaram a noite assim, abraçados, trocando confidências e juras de amor até que o sono os assaltasse. Quem precisava de sexo aos oitenta anos? Ambos haviam experimentado destes prazeres com seus respectivos primeiros cônjuges. Para aquele casal de agora ex-viúvos bastava a mútua companhia. O resto, inclusive os idosos, testemunhas da sua noite de núpcias, que ocupavam aquela ala dos dormitórios do asilo onde eles se internaram para viver o outono de suas existências, que se danassem. *XII Antologia de Contos Albert Renart. Fundação Cultural Cassiano Ricardo (São José dos Campos - 2007) Blog do Bar do Escritor, em 09 de julho de 2007 Opiniões no fórum do Bar |
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Por Efe |
| . BÚ . |
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Por Wilson R |
| . Bragança Paulista. Um dia qualquer deste mês. Uns caras roubaram uma loja na qual um deles trabalhou durante anos. Raptaram uma criança de 5 anos e seus pais. Amarram-nos dentro de um carro e atearam fogo. A criança foi queimada vida. Com seus pais. A pena de morte não pode ser admitida. Sabe, a gente não pode ser criminoso como eles. Estamos longe dos tempos de Hamurabi, hoje as leis são modernas. Hoje as leis são feitas de códigos de acusação e defesa, hoje há advogados... Afinal, não somos mais bárbaros da estirpe “olho por olho”. Isso é passado distante e já esquecido. E a criança foi queimada viva. Com seus pais. O problema do país é social, é educacional, é profundo. Quem tem uma vida miserável e cheia de carências não dá valor à própria existência, quanto mais à existência dos outros. A desigualdade social é a causa primeira dos crimes no Brasil. Quem é discriminado socialmente não pode receber toda a culpa do fardo que lhe impuseram. O discriminado socialmente é tão vítima quanto agressor. E a criança fui queimada com os pais. Estavam vivos, os três. Num país onde a distribuição de renda é tão injusta, não é difícil entender por que a criminalidade aumenta tanto. E o ser humano é complexo e alguns não sabem lidar com algumas facetas ocultas na própria personalidade. Esse ser humano envereda-se pelos tortuosos caminhos marginais à lei dos homens quase que involuntariamente. E a criança foi queimada. Viva. Os pais estavam com ela. Sabemos que a justiça dos homens apresenta algumas falhas, mas é a lei que temos e a lei que devemos cumprir. Não há como manter a ordem numa civilização, aliás, não há nem mesmo como existir uma civilização se não houver obediência às leis dos homens. Nós a aplicamos e esperamos seus efeitos, afinal, todos têm direito de defesa e podem ser reeducados e reintegrados à sociedade. E a criança demorou para morrer, queimada dentro do carro. E, caso falhe a justiça terrena, não nos esqueçamos da Justiça de Deus! Todos morremos e teremos que prestar contas ao Criador sobre nossos atos. Não importa a religião, todas – TODAS – pregam a bondade e o amor ao próximo. Todas as religiões podem oferecer conforto e todas as religiões prevêem a salvação dos pecadores. Deus perdoa, ora, claro que perdoa! E a criança não entendia nada, enquanto morria queimada. Gritava e procurava seus pais. Eles estavam com ela, ali. Dentro do carro. |
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InterNerd, 10 de novembro de 2007
Editado por Giovani Iemini