Oitava Rodada

   
       


Salad Bar de Victor Powel

 

     

 

   

Alcatrão (ou Tiro pela culatra)

 

Farta

Por Muryel de Zoppa

 

Por Maria Júlia

     

A face defunta
O espesso da baba
Na tripa a matéria
Aos moldes da bala

Espesso, inóspito
O cancro-pigarro
É lima, ferida
Qual cuspe, o catarro

Convulso, falência
A da carne, arrepio
Engendra tal qual
Dilacera, o tiro

Qual terra (in)fecunda
Habita-o, a ferida
Corrói em espasmo
O corpo sem vida

As opiniões no bar


 

Maléficas horas danadas, corta-lhe o peito o cutelo,
Um querer pérfido e farto, num canto qualquer de um quarto
No seu louco inferno esquecido, um coração arrefecido,
Me admira a tal donzela, tão formosa, tão singela,

Por fartas horas a eito, tentando contar em versos
Os sentimentos controversos, emaranhados no seu peito,
Já caíra em desmazelo, esperando uma emulsão
Que alguém inventaria, pra poder remediar, o que não se remedia.

As opiniões no bar


Voltar

Voltar

   
     

Todas as andorinhas andam nuas

 

Ne me quites pas

Por Me Morte

 

Por Eduardo Perrone

     

Me visto de sangue...

ANDO SOZINHO...
TODAS AS ANDORINHAS ANDAM NUAS
TODO HORIZONTE É COMO A LUA
INTOCAVEL

Me visto de ódio....

VOU PERSEGUINDO
VELHOS INIMIGOS INVISIVEIS
BELAS LUTAS SEMPRE INVENCIVEIS
FALTA CORAGEM...

Me visto de Trevas...

COM TANTAS GUERRAS LA FORA
TRAVADAS NO ARDOR DA EXISTENCIA
DE TODAS AS INCOERENCIAS
A MINHA É MAIOR
A MINHA É PIOR
A MAIS CRUEL...

Me visto de dor...

TRAGO O ROSTO MARCADO
DOS MEUS DISSABORES, DE TUDO
E TODAS AS DORES DO MUNDO
TRAGO NAS MAOS
NA SOLIDAO
NO VIVER...

Me visto de choro...

ANDO SOZINHO
SOU COMO A LUA
E AS ANDORINHAS
SO ANDAM NUAS

Me visto de amor...


As opiniões no bar


 

Não te deixo
Não te abandono.
Não me queiras
Como dono
Pois, nem de mim
Tenho a posse.
Continua cantando
E tente perceber,
Que nunca deixei você
Sozinha.
És minha
E não abandonada.
Te quero muito
Te dou quase nada,
Mas não te deixo,
Mas não me queixo,
Pelo tanto de desejo
Dessa alma
Que nunca tive.
Nascestes livre.
E eu também.

As opiniões no bar


Voltar

Voltar

   

 

 

Solitária

Por Carlos Cruz

Era uma tarde cinza, como sempre são as tardes do fim, e após seis meses de paquera, dois anos de namoro e três de noivado ele finalmente teve coragem e disse o que eu cobrava insistentemente ouvir sem querer escutar, todas as vezes que estava ao seu lado, mas com a nítida impressão de estar solitária.
- Olha amorzinho, não dá mais. Gosto de você, mas não te amo. Agora preciso ser sincero. Tenho o direito de ser feliz, assim como você também. Acho... Não, tenho certeza que você irá sofrer bem menos agora e encontrará alguém que te mereça e te faça muito feliz.
Cretino! Para mim a felicidade era ele. Gosto de você! Se gostasse não estava me dando um pé na bunda. Preciso ser sincero! Que palhaçada, diz de uma vez tenho outra e pronto, você esta gorda, algo mais real. Se tivesse me dado uma bofetada no rosto teria sido melhor. Foi como se o chão sumisse sob meus pés. Subiu aquele nó na garganta, os olhos encheram de água, estomago começou a dar voltas, as pernas tremeram. Estranho, era como estar apaixonada só que ao avesso.
Sempre ouvir dizer que a dor de ser abandonada era uma dor real, física mesmo. Nunca acredite nisso até aquela fatídica tarde cinzenta. Na primeira semana depois do ocorrido ainda acreditava que ele iria se arrepender e voltaria a me procurar, dizendo que havia se arrependido que eu era a mulher da vida dele, que não podia viver sem mim, etc, etc. Obviamente eu o rejeitaria no começo. Claro para fazê-lo pagar pelo meu sofrimento e por ser burro e não perceber aquilo que eu sempre soube, que “EU” sou a mulher da vida dele. Assim passaram as horas esperando um telefonema, uma carta, um e-mail, aquelas mensagem que chegam em um carro fazendo a maior barulheira piscando luzes quando agente quase morrer de vergonha, enchendo o saco dos vizinhos, mas nada. E foram dias, semanas, meses e nada. Admito que só me convenci realmente que tinha acabado quando ao sair de uma farmácia vi o safado abraçado com uma loira. Sempre tem que ser loira!
O que posso dizer, me entreguei.
Depressão, não queria sair de casa, ficava chorando pelos cantos, não queria falar com ninguém o básico nestas situações. Como já disse a dor era realmente física. Continuava sentindo cólicas abdominais, enjôo, alterações intestinais, mudança do apetite, indisposição, fraqueza e pelo menos alguma coisa boa, emagrecimento. Como li em um livro: Não sou feliz, mas sou magra!
Por mim tudo bem não via mais sentido para viver mesmo. Mas como o que importa na vida são nossos amigos eles me obrigaram a procurar um médico. Após relutar bastante aceitei. Marquei hora com um psicólogo e fui. Ele falou um monte de baboseira que eu precisava reagir, que ele não me merecia, que eu era jovem, saudável, bonita. Acho que ele estava era me paquerando. Resolvi dar corda e realmente ele estava.
Ele era mais velho que eu, devia ter uns quarenta anos, mas bem apessoado, cabelos negros, ombros largos, parecia ser sincero, de confiança. Começamos a sair juntos, nos conhecer e finalmente namorar. Eu gostava dele, de sua companhia, sua conversa, mas continuava a sentir fraqueza, indisposição. Será que ainda estava apaixonada pelo cretino! Não podia ser já haviam se passado muitos meses, eu estava com outro e feliz! Resolvi procurar outro médico, só que dessa vez um de almas.
Seu Genuíno, meu avô, que apesar de ser iletrado sabia ler a alma humana profundamente além de conhecer o segredo das ervas. Segredo este recebido de seu pai que por sua vez também recebeu de seu pai assim sucessivamente.
Sentei em seu colo como fazia quando era criança e abri meu coração. Contei tudo o que estava se passando em minha vida. Ele como sempre fazia ouviu tudo atentamente e quando terminei falou tranqüilamente:
- Minha neta se tá solitária.
Não entendi direito. Será que ele não havia ouvido minha história. Eu já estava com outro e feliz, não podia estar solitária. Então falei:
- Vovô eu já estou com outro. E este é muito melhor que o cretino.
- Eu sei minha filha. Eu disse que esses enjôos, fraqueza que se ta sentindo é por causa da solitária.Se ta com lombriga filha. Toma esse chazinho que se logo melhora!

As opiniões no fórum do Bar


  Voltar

 
 

Decadências Pirlimpimpinescas

Por Zé Ronaldo

Na noite em que a Carochinha resolveu sair para tomar uns hi-fi e dar uma trepadinha, o reino encantado aproveitou para surtar.
O príncipe da Rapunzel gritou a moça tarde da noite e pediu as tranças. Escalou a torre, entrou e comeu a princesinha a noite quase toda, pegando no sono. Certa hora, mexeram na porta. O rapaz, desesperado, pega suas roupas e salta pela janela, esquecendo-se do andar em que se encontrava. Não deu outra. Morreu de traumatismo craniano.
A Cuca aproveitou que Dona Benta havia dado uma escapolidinha para um bingo clandestino e comeu a Narizinho. A velha está movendo uma ação de abuso infantil e pedofilia. O pior é que a jacaroa só fez aquilo para abaixar o nariz da menina!
Os garotos perdidos, depois de amarrarem Peter Pan e darem-lhe uma coça que o deixou roncolho, foram até a boca de fumo do Saci e compraram de tudo: heroína, talquinho colombiano, haxixe, crack, exctasi, chá de zabumba, maconha e até pó de pirlimpimpim e detonaram com tudo! Saíram pelas ruas da cidade distribuindo porrada em todas as aias, damas de companhias e cocheiros do reino. Foram presos e torturados no pau-de-arara, onde o Lobo Mau introduzia o Pequeno Polegar no ânus de cada um deles.
Mas o mais foda aconteceu com o burro do Pinóquio. Aquele graveto imbecil encontrou a Playboy preferida daquele Gepeto sacana, aquela com a Chapeuzinho vermelho só de gorrinho do Flamengo e entrou no banheiro para descascar umas. Aí, já viu, né....madeira – fricção – é combustão instantânea!
 


As opiniões no fórum do Bar


Voltar

 

 

Comunicação direta

 

Por Paulo F

 

Já faz algum tempo que percebi que a chave da transcendência é imaginar o inimaginável. Claro que isso é impossível, há um paradoxo intrínseco à proposição. Mas como vem sendo insinuado desde a aurora da humanidade, de vez em sempre a grande recompensa em uma jornada é o caminho percorrido, não o destino a que se chega.

Neste caso específico, isto significaria que o exercício de tentar imaginar o inimaginável é mais importante que a resposta a ser alcançada através de sua prática. Isso porque tal “técnica” nos induz a um estado mental similar ao de “mente vazia” considerado ideal por espadachins e duelistas em geral, quando no desempenho de funções e/ou hobbies.

Ao que parece, o efeito para o praticante é uma liberação da consciência, permitindo que corpo e mente hajam simultaneamente, sem interferências de qualquer ordem. No dia a dia, sua utilidade seria especialmente sentida em coletivos lotados, onde invariavelmente um infeliz – no mais das vezes estudante – se coloca às minhas costas com uma mochila aos ombros.

Apenas quando a sabedoria e engenho acumulados por nossa civilização atingissem um grau tal que nos permitisse a invenção de um transcendenciômetro, poderíamos talvez vislumbrar a magnitude do processo por que passa um indivíduo que, corpo e mente funcionando em perfeita sintonia, menos do que apercebendo-se que o corpo humano é similar a uma pirâmide invertida – com o tronco ocupando volume significativamente maior do que as pernas – instintivamente transferisse seu fardo das costas para a mão, minimizando assim o óbvio desconforto que a sua parca percepção tem por efeito causar àqueles a sua volta.

Um cidadão razoável certamente poderia tentar acelerar o evento, verbalmente comunicando a situação ao ser atravancante. Eu porém, sigo os preceitos milenares de antiqüíssimas civilizações orientais, as quais, mui corretamente, nos legaram o popular adágio: “uma cotovelada na nuca vale mais que mil palavras”.

As opiniões no fórum do Bar


Voltar

 

InterNerd, 08 de setembro de 2007
Editado por Giovani Iemini