Quinta Rodada

       
                   
     

 

 

     
                   
                 
                   

 

           
   

Tormenta

 

Esquálida poética

   
   

Por Anderson H

 

Por Rita

   
   

ejaculei ventania
no útero do mundo
e passados nove meses
e alguns raros segundos
ela virou tormenta!

já riscou meus discos,
já rasgou meus livros,
repintou meus quadros
e a cada dia aumenta.

escasseiam-me os cabelos!

mas eu amo essa tormenta,
filha pura da mistura
dos meus fios
com meus novelos.

As opiniões no bar


 

Ritual pagão
de esfregar-se no caderno
já corroído
pelo linguajar do inferno

Mete a palavra entorpecida!
a veia rasgada
pingando esquecida
a sensação roubada

Dá-me tua vida
numa única palavra
Decodifique seu mundo
Em metaliguagem esganiçada

Urra! Grita que é urgente
Da minha feia poética
Quebra os ossos e os dentes



Por que idéias vazias
em um papel absurdo
podem colorir tão demencialmente
meu esquálido, frágil mundo?

As opiniões no bar


   
             
   

Nas Teias

 

Liberdade burguesa

   
   

Por Professor

 

Por Thomás Thorpo

   
   

Não há Saída
Nas tuas Teias

Embora senhora
Ainda te ame

Profano amor de aranha
Na complicada fiagem fria
Eu me perdia
Embora senhora
Ainda te ame

E a existência
Vai findando-se
Tão curta foi minha vida
Querida senhora
Ainda te amo

As opiniões no bar


 

Você é livre

Para escolher
A cor das tuas cortinas
Dos teus tapetes
Dos teus cabelos
Da tua empregada

Você é livre

Para decidir se quer
Beber ou cheirar
Fumar ou injetar
Malhar ou engordar
Envelhecer ou se lipoaspirar
Comer ou dar
Corromper ou denunciar
Demitir ou humilhar
Socar ou abraçar

Você é livre

Para mudar
O canal da tua televisão
A marca do teu som
O tamanho do teu celular
Ou mesmo para determinar
Se quer versos livres ou rimar


Você é livre

Mas experimente
Distribuir e não vender
Pisar na grama e não no homem
Tentar entender
Perguntar o porquê
De comprar
De pagar
De vender
De calar
Vendo a polícia matar
O jornalista mentir
O advogado omitir
O juiz humilhar
A madame sorrir
Do acordo velado que a permite
Ser livre e lucrar

Você é livre?

As opiniões no bar


   
             
             
             

 

       

         
                   
       

O porteiro Gabriel e as velhas do condomínio

         
       

Por Giovani Iemini

         
                   
        - Chama o Gabriel! – Pediu dona Alice quando o chuveiro queimou.
O porteiro, muito educado, fez o serviço. Inda trocou um armário de lugar.
- Obrigada, meu bom homem. – A velha sorriu com a dentadura perfeita. Pagou cinqüenta mangos pelo trabalho que ele cobrou “uma cervejinha”. – O senhor é um anjo.
- Se precisar de mim para outros serviços, pode chamar!
Ele mudou o olhar quando disse “outros serviços”, parecia quase lascivo. Talvez fosse apenas com uma coceira, esfregava a Havaiana com os dedos do pé.
- Sim – falou dona Alice – preciso. – Puxou o homem de volta ao apartamento e o beijou na boca. Ela nem imaginava como ele iria reagir, talvez a rejeitasse, talvez gostasse, mas àquela altura da vida pequenas dúvidas não podiam mais ser remoídas. Resolveu agir, chance como aquela poderia nunca mais ocorrer. Se fosse a última, ela haveria arriscado.
Gabriel se assustou. Mas só a princípio, também não era garoto, 54 anos, com aparência de sessenta e cinco. Muito trabalho braçal a vida inteira. Os dentes caíram na mesma proporção que as sarnas subiram até as canelas. Sentiu cheiro de maça azeda na mulher, coisa de velho, a boca parecia conter uma estranha baba seca, com gosto de Superbonder. Cola de dentadura, talvez. Gostou, sonhava arrancar os dentes restantes e pregar um belo e alinhado teclado de piano daqueles na boca. Abraçou-a e impressionou-se com a rigidez, ela estava em boa forma para uma mulher de oitenta e três anos. Magra, bons olhos, vivia sozinha e era novamente independente depois que instalou um corrimão ao lado da privada.
A tarde de amor foi memorável. Dois orgasmos para ela, que retribuiu escondendo duas notas de cem no bolso do macacão esquecido no sofá.
- Chama o Gabriel! – Ao interfone, a velha não dava sossego. Duas ou até três vezes por semana requisitava os serviços do zelador. Insaciável.
Na festa de natal do prédio, dona Alice bebeu umas a mais e confidenciou às amigas o namoro com o zelador. Contou que o ajudava com uns trocados, mas só para ele se apresentar melhor.
- Chama o Gabriel! – Pediu dona Teresinha, a arretada moradora do 102, ao interfone.
Ele bateu à porta. “Pode entrar”, ouviu lá de dentro. Assustou-se ao ver a mulher de espartilho. Aos 72 anos, nunca passou de metro e meio mas a cintura cresceu a vida inteira. Parecia uma batata enrugada com cabelos de palha de milho. Deitava-se no sofá, lânguida, torcendo as pernas flácidas num suposto balé sensual.
- Vem cá, meu anjo. – Ronronou.
Ele não queria trair dona Alice, mas, oras, já era casado mesmo. E sua própria mulher não o procurava há anos. Deduziu que a dona Teresinha não estaria se contorcendo feito uma minhoca gorda para ele se dona Alice não tivesse contado sobre o caso, ele não era tão sedutor assim.
Aproximou-se da gordinha e a despiu do espartilho vermelho. Jamais se excitaria. Ela achou uma atitude máscula e selvagem, partiu para cima e arrancou o macacão do zelador, que adorou aquela ansiedade. Mandaram bala: chupadas, lambidas, esfregadas, enfiadas, balançadas, até mordiscadas com a dentadura fora da boca de dona Teresinha. Ele adorou.
Ela escondeu três notas de cem entre os guardanapos do sanduíche que deu a Gabriel ao despedir-se. – Coma tudo para ficar forte.
- Chama o Gabriel! Chama o Gabriel! – Gozavam os colegas da portaria. Diziam que havia se tornado o “anjo protetor das velhas do condomínio”, tantos eram os chamados. Porém, começaram a desconfiar dos bens do amigo: roupas, relógio, prótese dental e até a entrada num carrinho bem conservado. Dedaram para o síndico, dizendo que o homem andava extorquindo indefesas senhoras, provavelmente enganando-as nos trabalhos domésticos.
- Chama o Gabriel! – Mandou o manda-chuva.
O zelador estava sumido, prestando serviço em algum apartamento.
- A dona Dilma requisitou o Gabriel hoje às duas. – Comentou alguém. Como era quase o horário, a comitiva seguiu para o apartamento da mulher na esperança de descobrir o mistério.
Tocaram a campainha no horário marcado. “Está aberta”, falou dona Dilma. Ela havia conversado com dona Teresinha, sabia que Gabriel gostava de apetrechos sexuais e atitudes atrevidas. Usava os piercings que acabara de furar nos mamilos. Era a peituda mais velha a comprar calcinha de couro, segundo o vendedor.
Encontraram-na na sala, a meia luz, brandindo um chicote. O surpresa foi para todos, principalmente para Gabriel, que chegava agora.
- Gabriel, seu safado, então você está é comendo essa velharada? – Apontou o síndico para dona Dilma que, embora ultrapassasse os sessenta anos, era bem conservada, ainda atraia olhares na rua. Gabriel esperava ansiosamente pelo dia que ela solicitasse seus préstimos.
- Como se atreve? – Interviu dona Dilma. – Ponham-se daqui para fora!
Todos iam saindo do apartamento.
- Você fica, Gabriel. – A voz era doce mas autoritária.
Ela bateu a porta. Os homens, calados, desconfortáveis no hall do elevador, sabiam que Gabriel não perdoaria a intromissão deles. O síndico sentia-se desmoralizado, não aceitou ser expulso. Tocou a campainha.
- Gabriel, faça o que quiser – Gritou. – mas fora da hora de serviço!
A porta foi destrancada. O zelador, sem camisa, apareceu e perguntou quem estava de folga. O mesmo que lembrou de dona Dilma se apresentou.
- Tome, trinta pilas, fique hoje no meu lugar. – E bateu novamente a porta, atrevido e satisfeito com o novo ofício.
         
       

As opiniões no fórum do Bar

         
       
         
                   

 

       

         
                   
       

Coisas do Amor

         
       

Por Me Morte

         
                   
        AH...o Amor!
O amor em si é lindo, o que adoece é o coração de quem está amando.
O aspecto físico apaixona! O intelecto mais ainda! Sedução, admiração, paixão...são tantos os "ãos" que nos fazem suspirar. Os mesmos "ãos" que nos trazem o instinto de matar. Matamos por ciúmes; às vezes em pensamento, noutras literalmente. Matamos nosso dicernimento, não enxergamos os defeitos e mesmo se olharmos direito, o feio nos será belo. Uma vontade de acordar junto, dormir junto, viver...sem medo da rotina, maldita! Ah...a mesma rotina que dita a morte de tantos amores! O jeito, o olhar, a beleza, a sedução...os mesmos motivos que nos fizeram amar agora nos fazem perder a noção. Queremos mudar, mexer, melhorar aqui e ali, sem perceber que vamos transformar a pessoa em tudo, menos naquela que nos apaixonamos. O companheiro não pode ter amigos, não pode ter admiração, não pode sonhar se o sonho não for peneirado, se o sonho não for ao lado de seu "dono e senhor".
Ah, esse amor amaldiçoado! Tantas regras pra morrer, por sorte morre lentamente, nem se percebe...a agonia nunca é breve! É triste ver um amor de perder!
E mesmo quando não estamos amando, vivemos procurando. Como diria minha avó: "Sarna pra se coçar". Já eu digo: "Um Amor pra matar" ou "Um homicídio pra viver"!
         
       

As opiniões no fórum do Bar

         
       
         

 

InterNerd, 06 de julho de 2007
Editado por Giovani Iemini