Terceira Rodada

         
                   
     

 
Anderson H
 
 

   
       

Pintura de João Werner

         
                 

 

           
   

Ladainha Seca

 

S/

   
   

Por Anderson Henrique

 

Por Ângela Gomes

   
   
as carpideiras choram
onde o homem caiu:

e o chão secou
e secou a planta
e secou o gado
e secou o filho
os seios da mãe
e o céu por reflexo.

os Santos ouvem
em auto amplexo
e sem chorar:

abençoam os crânios
tão-somente secos
que vazam segredos
pelo oco do olhar
e que lamentam a viola
e que lamentam a rabeca
e que lamentam a sanfona
que não podem ouvir
e que não podem tocar.

As opiniões no bar


 
o meu corpo nu
passeia pela casa
e
na parede da sala
sangra
a minha
natureza morta.

As opiniões no bar


   

 

       

         
                   
       

Nota de Falecimento

         
       

Por Roberto Klotz

         
                   
        Aqui em Nova Iorque sempre é difícil conseguir a Folha de São Paulo. Não impossível. Abri o jornal da forma costumeira. Li as novidades políticas, notícias internacionais, índices econômicos e no caderno esportivo comemorei a vitória do meu time. Quando me preparava para fazer as palavras cruzadas me assustei. Li e reli. Tremi nas bases. Não é possível. O anúncio fúnebre contém meu nome. Antenor N. Baltazar. Petrifiquei! Puxei todo o ar do apartamento para oxigenar meus pensamentos. Não é possível. Li pela terceira vez:
Antenor N. Baltazar – A família do querido e inesquecível Antenor N. Baltazar convida a todos os amigos para a missa de sétimo dia de seu falecimento, a realizar-se hoje na Igreja de São Francisco, Centro.
– Puta-que-o-pariu! Não é possível! Não, não é possível. Que dia é hoje? – Olho a data no relógio e confiro com a data do jornal – Merda! Este jornal é de ontem. A missa foi ontem. Isso é uma loucura!
Repeti não é possível mais umas dez vezes. Minhas idéias estavam engessadas.
Sou uma pessoa brilhante. Tanto que trabalho no projeto carro-chefe da empresa. Graças às minhas idéias estou pela quinta vez em Nova Iorque. O presidente acredita no meu potencial, na minha inteligência e na minha capacidade de gerar idéias. Alavanquei os negócios e assinamos fantásticos contratos para exportação. Estou prestes a abrir também o mercado na costa oeste. Não é à toa que me promoveu diretor comercial. E agora estou aqui, feito uma estátua fria. Uma escultura disforme e inacabada. Pura pedra. Sinto como se a neve e o gelo das calçadas estivessem dentro da minha alma. Estou aqui há uma semana, congelando por fora e agora também por dentro. E quando consigo um jornal de São Paulo leio esta coisa.
Olho mais uma vez olha a solitária nota fúnebre.
– Esse Teixeira é mesmo um grande de um pão duro. Eu morro e o filho da mãe nem sequer coloca uma homenagem da firma no jornal. Espera aí, é lógico, ele sabe que não morri. Falei com ele ontem de manhã. É isso, não estou ficando louco!Renata, saindo do banheiro, descalça e enrolada na toalha, franze a testa.
– Tudo bem com você, Antenor? Está falando sozinho... e alto. Você está pálido...
– Olha só isso! Apontando o retângulo com negras letras. – Não é possível!
Renata lê. Estala os dedos um a um e depois de alguns segundos estende o telefone.
– Por que você não liga logo para sua mulher, seus filhos? Você precisa dizer que está tudo bem. Que houve um equívoco...
Levo minhas duas mãos à cabeça, respiro fundo e depois pego o telefone.
Parece o infinito digitar aquela dezena de números neste momento nervoso.
Quando o telefone é atendido reconheço logo a voz da minha mulher.
– É você Antenor?
– Aqui está tudo bem. Estou trabalhando muito. Eu não morri.
– Para mim morreu! Eu te avisei que te mataria se você me traísse.
E bateu o telefone na minha cara.
         
       

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Paixão fulminante em 64 casas

         
       

Por Lameque Hyde

         
                   
        Tudo se modificou após a arrebatadora chegada daquela forasteira. Sua Majestade, o Rei, não dava a mínima atenção para a Rainha. Esta, magoada, deixou de protegê-lo, aventurando-se por locais desconhecidos. Ela, a Rainha, tinha consciência de sua força. Sabia defender-se como ninguém. Os bispos confabulavam entre si, assustados com tamanho descaramento de Sua Alteza. Do alto das duas torres, observa-se o descalabro. A cavalaria, pasmem, revoltou-se e buscou refúgio no reino situado logo a frente. Sentiram-se estranhos, dada a lógica diferença. Somente a criadagem, o lado mais fraco deste episódio, manteve-se fiel. Como insignificantes servos, davam a vida pelo seu Soberano, não hesitando sacrificar-se na linha de frente de qualquer combate. Mesmo assim, não compreendiam o porquê da paixão fulminante do Rei por aquela peça de jogo de damas, que acidentalmente caíra no tabuleiro de xadrez.          
       

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Felácio

         
       

Por Giovani Iemini

         
                   
       

O bimotor passou num rasante sobre o pasto. O piloto sentiu um frio na barriga, o prazer do risco. Estava com 58 anos, rico, casado, com filhos e netos. Ficou de saco cheio e resolveu esvaziá-lo curtindo seus prazeres mais secretos. A aviação era um deles.
- Tá gostando? – Perguntou Guilherme, do banco do co-piloto.
- Sim... – Fechou levemente os olhos. A sensação de voar se confundia com o prazer de estar ali, livre, fazendo o que gostava, finalmente sentindo-se autêntico.
Um solavanco. Abriu os olhos. Havia batido no topo de uma moita de bambu. O avião descontrolado ia se esborrachar no chão. Avistou uma estrada e embicou para lá.
Ainda teve a presença de espírito de tirar a boca do amante de seu pau antes de invadir a pista e espatifar a aeronave no asfalto. Seria humilhante se descobrissem que o acidente foi causado por um boquete aéreo.
***
Mariângela viu, de longe, o avião trombar com a moita de bambu. Apertou-se contra o banco do carro depois de conferir o cinto de segurança. Notou que o motorista não percebera a queda iminente.
O barulho e a bagunça causada pela queda do bimotor na pista contrária assustou o piloto. A carona, traiçoeiramente, gritou desesperada e puxou o volante. O carro desgovernou-se e trombou de frente contra o portão de uma casa.
Recobrando-se ligeira, Mariângela conferiu no pescoço do motorista se havia pulsação. Ele batera a cabeça violentamente no volante. Aquela foi a última vez que deu carona a desconhecidas.
Ela baixou a calça do sujeito e ali mesmo abocanhou o bilau. Sugou com força enquanto massageava o saco. Punhetou o pau uns segundos e de repente: porra. O morto gozou! A mulher engoliu tudo murmurando um cântico gótico. Seria a melhor de suas bruxarias, a mais potente.
- O néctar masculino de um morto recente! – Anunciou, imaginando se aquelas gotinhas de esperma realmente lhe dariam uma voz magicamente sedutora.
***
Ele levantou-se da cama coçando a bunda. A esposa viu a cena e imaginou por que se casara. Quando ele se virou e ela notou que ele ainda acordava excitado todos os dias mesmo aos 41 anos, lembrou-se do motivo.
- Você dormiu armado ou tá feliz em acordar ao meu lado? – gemeu, lânguida.
- É apenas tesão de mijo, esposa tarada! – Ele ria.
- Veremos. – Ela puxou a intumescência da cueca para si, descobriu o presente e aqueceu o falo do amado na boca suave e molhada. Deu umas lambidelas, umedeceu o membro e iniciou um trabalho violento. Sugou e masturbou com vontade. Enfiava até a garganta, depois voltava e chupava a cabeça enquanto massageava a base.
O marido, satisfeito, tinha ímpetos de prazer quase doloridos. Parecia que talvez virasse ao avesso através do pau.
- Ai, querida. – Afagou os cabelos da amada. – Assim você me mata! – Olhou o relógio. – Eu já devia estar saindo pro trabalho no portão de casa.
Um estrondo. Ela mordiscou de susto. Foram para a frente da casa enrolados no lençol. Um carro havia se estourado contra o portão.

         
       

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Miragem

         
       

Por Lobo

         
                   
        Uma rua vazia... Um bar rarefeito... Uma vida deserta..
_ Oi.
_ ...
_ Eu disse “oi”!
_ Ah, desculpa... Pensei ser outra miragem...
_ Você está bêbado?
_ Você se repete nos rostos que vejo... No ônibus, no táxi, no trem, no carro velho, no carro novo, na moto... Não, na moto não...
_ Foi um tombo feio.
_ Tombo maior foi depois.
_ Você está mais magro.
_ E você mais Bonita...
_ Mais barbudo também.
_ Não lhe vejo no espelho...
_ Você me odeia?
_ Digamos que esteja... “te adorando pelo avesso”...
_ Eu não devia ter voltado.
_ Se nem mesmo saiu...
_ Esqueça.
_ Não há um só dia que não reze pra isso...
_ Eu não vim aqui.
_ Eu imaginei...
_ Isso. É apenas outra miragem.
_ Uma miragem que fala...
_ Que seja!
_ ...
_ ...
_ Volte quando puder beijar.
         
       

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O grito dos invisíveis

         
       

Por Wilson R

         
                   
        “Chamava-se Narciso e era filho do deus-rio Cefiso e da ninfa Liríope. Dono de indescritível beleza, porém, ele nasceu privado do sentimento de amor. Todas as jovens das redondezas se apaixonavam pelo belo rapaz, mas não tinham a audácia sequer de chegar perto dele. Certa feita, a ninfa Eco criou coragem e, com muita dificuldade, aproximou-se e declarou seu amor. Ao ser repelida por Narciso, Eco entrou em desespero. Sua dor foi tão profunda que ela definhou, definhou... até que desapareceu e restou apenas a sua voz”.

Essa parte menos conhecida do mito de Narciso tem um triste paralelo com a realidade do mundo de hoje. A voz dos invisíveis. O grito de pessoas que são ignoradas.
OS FAVELADOS GRITAM por socorro, e as autoridades os chamam de vagabundos que são coniventes com traficantes. Ora, os traficantes lhes dão o que comer! Como esperam que eles os entreguem? Ao contrário dos políticos, as classes pobres não costumam cuspir no prato que comem. Não que isso justifique o tráfico, mas que tal acabar primeiro com a miséria, antes de atacar o tráfico? Tenho certeza que o crime organizado perderia um grande aliado: a penúria de todo um povo.
OS TRABALHADORES GRITAM por melhores condições, labutando como escravos e mal ganhando para comer, e o governo faz demagogia e não ouve. Criam eles mesmos obstáculos intransponíveis que inviabilizam suas próprias promessas. Acabar com a fome no Brasil é simples, como uma respeitada revista nacional já demonstrou, passo a passo. O desperdício é enorme e a especulação imensa. Enquanto se discute o valor do salário mínimo, milhões de toneladas de alimentos apodrecem em armazéns por não contarem com infra-estrutura de distribuição decente.
OS FLAGELADOS DA SECA GRITAM e o seu próprio filho, que hoje é chefe de nossa nação, cerra os olhos com força, vencido, como era previsto, pelo sistema podre e corrupto que se estabeleceu e fincou profundas raízes em nosso país. E ele sabe, mais do que ninguém, que regiões muito mais áridas do planeta fornecem hoje colheitas fartas, como acontece em diversos países do Oriente Médio.
OS VELHOS GRITAM e seu grito se perde nas filas de bancos e nos bancos de hospitais públicos. Apesar da semelhança no nome, os lugares são diferentes. A aposentadoria, mesmo sendo irrisória e ridícula, ele conseguirá ao final da fila do banco. Já o médico pode não vir hoje e ele passará a noite no frio, deitado no banco.
OS CIDADÃOS DO MUNDO GRITAM por paz, e o poderoso ditador mundial toca o gado em sua fazenda, preocupado como vai beneficiar os produtores de aço e petróleo de seu país. Mesmo os próprios estadunidenses gritam, irados com a covardia georgebushiana contra o resto do mundo. Igualmente, ele não ouve.
Até quando os gritos de Eco soarão em vão entre os Narcisos do poder do mundo? Quando as vozes desesperadas e, ainda assim, esperançosas, deixarão de ser ignoradas por pessoas que, se tivessem apenas um pouco de boa vontade, resolveriam grande parte dos problemas mundiais? Até quando Ecos desesperadas serão ignoradas em todas as partes do globo? Poderemos um dia acabar com os prepotentes Narcisos do mundo?
Talvez a resposta esteja na continuação do próprio mito:

“Certo dia, ao sair para caçar, Narciso debruçou-se sobre a fonte Téspias, próximo ao Monte Helicon. Viu seu reflexo nas águas límpidas e apaixonou-se perdidamente. Não conseguia tirar os olhos da própria imagem e ali morreu, de inanição”.

Basta que deixemo-los admirando seus feitos mesquinhos e matemo-los de fome pela ausência do que os mantêm vivos: nossos votos.
         
       

As opiniões no fórum do Bar

         
       
         

 

       

         
                   
       

Anderson H - o primeiro poeta lançado pelo BDE.

         
                   
        O Bar - anderson, apresente-se e fale um pouco sobre vc.
sua poesia é bem consistente. quais são seus autores prediletos, escreve desde quando e o que espera alcançar com essa arte que não se vende e é imprestável a qualquer outra coisa a não ser o prazer pessoal?

Eu sou um sujeito criado com bisavós, avós, pais e tios nascidos no sertão. Passei a infância lendo cordel, vendo xilogravura e escutando poetas repentistas na sala de casa, dentre os quais destaco meu primo Geraldo Amâncio, o maior que eu já vi na arte.
Eu já nasci em terras paulistanas, mais precisamente no subúrbio, em um lugar chamado Jardim Brasil. Esse lugar só deu três coisas até hoje: jogador de futebol; ladrão; e sambista. Portanto, minha segunda influência.
Como todo filho de nordestino pobre, tive que estudar. Na verdade era uma escolha prática: - ou você estuda ou vai carregar pedra na cabeça! Estudar é mais leve. Optei por isso mesmo. Aí a terceira influência: Elomar Figueira de Mello; Manuel Bandeira; Drummond; Leminski; e Murilo Mendes. Esses os principais.
Sou um Advogado que não gosta de advogar e que está partindo para o campo das letras. Sou novamente um universitário e continuo, depois de tanto tempo, um universitário dos mais vagabundos do planeta.
Acho que sou isso, uma mistura de nordestino, paulistano suburbano e algo entre um acadêmico de letras e um advogado.

Escrever eu escrevo desde pequeno. Acho que todos aqui devem ter essa mesma história.

Agora, o que eu espero alcançar com essa coisa de escrever é tão-somente ser lido. Publicar livros. Acho incrível! Fico olhando as vezes para as pessoas nas livrarias folheando o trabalho dos escritores e fico pensando: caralho, o sujeito está sendo lido! O sujeito mesmo! Não só as palavras!

         
        O Bar - Qual a função da literatura para você? O que ela faz do/pelo mundo? É uma diversão, um passatempo prazeroso, uma possibilidade de catarse em um mundo agitado como o nosso, uma fonte de libertação das consciências, um exercício onanista dos grandes egos? Para que ler? Para que escrever?

Nesse campo firmo posição com dois escritores: Thomas de Quincey, para quem descobrir um problema novo é tão importante quanto solucionar um antigo; e Jorge Luís Borges, que afirmava ser a literatura uma forma de apresentar perplexidades, dúvidas.
Então é isso. Se a literatura é a ponte entre o subconsciente do leitor e o subconsciente do escritor, acredito realmente na viabilidade desta teoria da troca de perplexidades.
Veja que função incrível! Trocar perplexidades!
Nessa piração alguns vão se encontrar e outros vão se perder.

O que a literatura faz pelo mundo

A literatura ressuscita os mortos, prevê o futuro e convulsiona o presente. Isso é muito.
Ao ressuscitar os mortos o homem tende a respeitar o que já foi ou que está indo (pessoas e coisas); ao prever o futuro a literatura orienta o homem para o bem ou para o mal - Mein Kampf e a Bíblia são bons exemplos -; e ao convulsionar o presente bota o homem frente a frente com a necessidade de tomar um posicionamento em relação àquelas perplexidades borgianas.

Já essa questão do prazer é bem relativa. Eu vivi um momento muito difícil na minha vida, um envolvimento realmente amoroso com as drogas que quase me matou por inúmeras vezes e a poesia era a única forma que eu tinha de dividir minha dor na procura de uma solução para essa mesma dor. Eu só podia conversar comigo mesmo e o prazer naquele momento apresentou-se assim, em forma de poesia. Um descarrego dos bichos sem os tambores do candomblé. rsrsrsrs
Esse foi um bom motivo para eu ler e escrever. Cada um tem o seu... eu acho.

         
        O Bar - qual a contribuição da faculdade e da comunidade em tua escrita?

Muryel, o curso de letras tem sido importante para aumentar meus recursos técnicos no momento de exercitar a escrita e, por mais incrível que possa parecer, para matar preconceitos linguísticos.
Já o Bar, com absolutamente todos os seus componentes, foi essencial. Aqui trocamos idéias, nos ofendemos, rsrsrs, apontamos falhas, acertos, crescemos. O Bar foi e é simplesmente vital. Até porque aqui todos escrevem e têm suas idéias pré concebidas do que é bom e do que é ruim por trazerem culturas e vivências diferenciadas. É isso que faz com que o Bar funcione. Eu nos vejo como uma espécie de grupo Oulipo, só que mais libertinos. rsrsrsrs

         
        O Bar - vc prefere ser considerado como um poeta que escreve ou como um escritor que faz poesia?

eu tenho me esforçado para ser um poeta que escreve. Não acho que tenho tarimba para me dizer "escritor", porque esse termo é global demais.

         
        O Bar - O escritor é influenciado pelo advogado, ou vice-versa, no ato da criação (obras literárias x petições)?

o poeta repele o Advogado constantemente, mas o Advogado se apropria do poeta todos os dias, em cada petição.
É muito interessante, porque costumo citar mais obras literárias do que doutrinas jurídicas nas peças que faço.
Obs.: tem dado bons resultados. rrsrsrs

         
        O Bar - Qual a importância de submeter textos à análise crítica de outros poetas e gente especializada?

dificilmente um autor olha para a sua obra e diz: mas que cagada!
Então é necessário submeter os textos à análise de pessoas honestas, sejam escritores, críticos acadêmicos ou pessoas de fora do meio, para que o autor tenha a real dimensão da qualidade do trabalho que está produzindo.
Ressalto que eu, particularmente, gosto da opinião de pessoas que também estão nesta luta de melhorar os próprios trabalhos. Sinto mais confiança no olhar de um poeta amigo do que no olhar de alguém que acabou de ler, por exemplo, Goethe, para depois cair em um poema meu. Se o cara não for poeta o ponto de referência dele será o Goethe e por mais que eu me empenhe tudo o que eu fizer será uma merda. rsrsrsrsrsrsrs

         
        O Bar - Eu vi, no seu perfil e album, um homem extremamente família. Você encontra inspiração nela para teus poemas, se sim, em quais momentos? Tem uma hora de sua preferência para escrever ou o instante pinta sem avisar? Como é a sua relação com a poesia? Ou vc simplesmente constrói, independente do momento em que vive. Eu costumo levar para o papel meus sentimentos diários, é assim que funciona o "Anderson poeta"?
E os sonhos nessa área, o que espera conseguir?

encontro inspiração não exatamente nas pessoas da família, mas sim nas histórias que elas carregam e que tentam de alguma forma me passar. Eu viajo muito nas histórias dos meus avós, dos meus pais, na luta diária deles. Uma coisa que bate fundo em mim é o fato de eu ser de uma família que fugiu da seca para não morrer e que demorou 20 dias para fazer o percurso do Ceará até São Paulo.
Eu sempre digo que Homero teve o Aquiles e o Odisseu dele e que eu tenho os meus, que são avô e pai.

Escrever é realmente um barato. Acho que é o papel mais doido que um ser humano pode desempenhar. Uma dezena de vezes já tive que parar o carro para escrever um pensamento, uma idéia, com medo dela fugir. Mas o período da madrugada é o que mais me agrada. É a hora do silêncio, a hora em que as coisas ficam mais lentas, a hora das fotos nas paredes conversarem entre si, da madeira dos móveis estalar...e eu fico ali absorvendo estas coisas, pensando, sentindo.

A minha relação com a poesia é uma relação de paixão. Não consigo passar um único dia sem ter contato com a poesia. E isso é interessante porque minha filhinha pega as folhas pela casa e fica atrás de mim falando - olha papai, olha essa poesia que eu fiz!
A poesia está tão impregnada na minha vida que vasa, ultrapassando os meus limites físicos e atingindo as pessoas mais próximas.
Mas confesso que às vezes é uma consumição violenta, porque se estou amando a poesia pede para amar "n" vezes mais, se estou com ódio ela exige uma carga maior ainda de ódio. O pior é quando o exercício poético exige que se tome o lugar de um outro ser humano. Aí as lágrimas caem pesadas, como no caso do poema "Após Jantar com os Urubus". É visceral.
Então é isso aí, as poesias acabam saindo de visões diacrônicas e sincrônicas. Eu também entro no dia a dia, mas não deixo de voltar no tempo.

A única coisa que não quero com a poesia é ir ao Jô Soares. rsrsrs Meu sonho real é poder escrever um bom livro de poesias e no futuro fazer uma ligação estreita entre poesia e cinema.

         
        O Bar - Se pudesse largar tudo e viver de poesia. Você encarava essa?

Viver de poesia? Encararia fácil. Viver de poesia é um sonho maravilhoso não é mesmo?! Mas viver de poesia exige viver de verdade, viver mais que os outros, ir aonde as demais pessoas não vão, conversar com Deus de mãos dadas com o demônio.
Eu vejo a poesia como um veículo fabuloso. O poeta tem a possibilidade de possuir inúmeras vidas e de experimentar diversos tipos de morte. É a maravilha das maravilhas.

         
        O Bar - O poeta deve falar do que viveu ou do que não viveu?

O poeta deve falar de tudo e qualquer coisa, pois a poesia, como diz Manuel Bandeira, está tanto nos amores quanto nos chinelos.
Ressalto, todavia, que a poesia se revestirá de uma força muito maior quando seu objeto for a vivência do poeta.
O que seria do "Poema dos Olhos da Amada", do Vinícius de Moraes, sem o amor real que ele nutria pelas nove esposas? rsrsrsrs E o que seria do poema "Um homem com uma dor", do Leminski, sem a dor que ele sentia no fígado? rsrsr

Mas não descarto a beleza dos poemas que tentam traduzir o que o poeta não viveu! Temos grandes exemplos de competência e Álvares de Azevedo é um destes exemplos.

         
        O Bar - Já publicou algo ou está em vias de fazê-lo?

tem esse e-book que o Giovani, muito mais que gente boa, topou tocar e eu tenho interesse sim em lançar um livro, que já está até montado, mas que não cavalga porque o dinheiro não sobra para tanto.
A editora que o André utilizou tem preços bons, porém acredito que uma boa solução seria uma cooperativa do bar do escritor.
Tenho fé que isso ainda vai acontecer.
A Alice Ruiz, o Silvestrin, o Celso Gutfreind , o Paulo Seben, o Marcelo Pires, o Silvestrin Roberto, o Fred Maia, o Ricardo Portugal, a Estrela Leminski e o Glauco Matoso estão na Editora AmeoPoema, que é fruto de uma idéia como essa.

O link está aí para consulta: http://www.ameopoema.com.br/

Acho que vamos chegar lá.

         
        O Bar - Na sua opinião o crédito de uma boa poesia, deve, necessariamente, levar em conta aspectos técnicos como métrica e rima ou ainda palavras pouco conhecidas pelo leitor em geral?

essa é uma questão que me maltratou durante muito tempo.
Só consegui me salvar deste mal quando li:

"um dia
a gente ia ser homero
a obra nada menos que uma ilíada

depois
a barra pesando
dava pra ser aí um rimbaud
um ungaretti um fernando pessoa qualquer
um lórca um éluard um ginsberg

por fim
acabamos o pequeno poeta de província
que sempre fomos
por trás de tantas máscaras
que o tempo tratou como a flores"
(Paulo Leminski)

O crédito do poema cabe à capacidade do poeta de botar no papel letras de carne e sangue e não está em uma receita de bolo.

A bem da verdade, algumas pessoas apreciam os devaneios soltos de Murilo Mendes e não sentem nada ao ler sonetos, enquanto outras amam sonetos e creditam a Murilo Mendes a alcunha de xarope tresloucado metido a poeta. Tem até comunidade com o grande título: "Paulo Leminski não é poeta". rsrsrsrs

Na verdade a relação acaba sendo bem simples. O mundo interior do poeta, que é um conjunto de sensibilidade, cultura e vivência irá se ligar ao mundo interior de quem lê e se afina ao diapasão desse conjunto.

Ressalto a importância de se exercitar as formas fixas, que hoje encaro realmente como puro exercício.
Eu já comentei algumas vezes que acredito que formas poéticas antigas ficam capengas quando abordam objetos novos. Eu realmente não gosto de ler um soneto que fale sobre a guerra do tráfico de drogas, por exemplo. Esse objeto pede uma outra forma, uma forma nova. É por isso que a poesia se modifica no tempo, porque o objeto se modifica e extrapola as possibilidades da forma.

         
        O Bar - Existe temas preferidos a serem abordados pelo autor? Temas pelo qual tenha maiores interesses ou veja neles desafios de sempre abordá-los de forma diferente?

Pois é, o amor "faísca na medula", como escreveu Drummond. rsrsrs
Esse é o tema preferido pelo mundo. Eu não conheço um só sujeito que não tenha abraçado esse tema. Porém, trata-se de um tema que vem exigindo muito dos poetas, porque o amar da década de 20 é totalmente diferente do amar da década de 50, da década de 80 e assim por diante. As pessoas não são as mesmas!!!

Outro tema difícil é a morte. E como somar morte e amor sem parecer um ultra-romântico tacanha? rsrsrsrs É difícil! E aqui faço uma ligação com a resposta que dei ao Leonardo. Como é que você vai falar de amor e morte utilizando-se de uma forma do século passado sem ser tão-somente a reprodução de um poeta do século passado?

Acho que a dificuldade está aí, porque os temas atuais estão tão presentes na nossa vida e se apresentam de maneiras tão diferenciadas no dia a dia que fica fácil trabalhar.

         
        O Bar - Dizem que um homem só pode se considerar realizado se:
1- Plantou uma árvore
2- Escreveu um livro
3- Teve um filho
Seguindo essa ordem, já sei que tem filho, está em vias de ter seu livro (e-book) e a árvore, creio que deva já ter plantado muitas. Mas e a sua relação com a natureza? Você é um cara preocupado com essas questões, assiste somente a elas ou se enganja nas lutas. Acha que o mundo ainda tem conserto nessa área? Que acha prioridade fazer a longo prazo e qual a contribuição que você, como escritor, tem a oferecer?

Já plantei algumas árvores sim. rsrsrs Na verdade durante um bom tempo eu fui integrante de um grupo chamado Prakrit, que une filosofia oriental, mediunidade espiritual e proteção ambiental.
Mas é um trabalho de formiguinha e acho que combina comigo, porque não sou dado a coisas muito grandiosas, como ocupar a sede de empresas, fazer barricadas humanas e coisas do gênero. Estou sempre plantando árvores, catando o lixo que os outros jogam, procurando reciclar, conversando com as pessoas próximas sobre a necessidade de se gastar menos no chuveiro e coisas do tipo. Parece pouco, mas acho que tem gerado alguns frutos. Minha filha e meus priminhos já estão acumulando valores que eu não tinha quando da idade deles. Me posto mais como um educador que dá o exemplo do que como um ativista prórpiamente dito e entendido, mas espero algum dia poder terminar um livro de poesias que vem desde meus 15 anos e se chama "A morte da Paulicéia". Nele trato justamente do fim da cidade de São Paulo pela ausência de uma consciência ambiental.

O mundo vai melhorar sim. A educação está na ponta deste processo de melhora.
O futuro só existirá porque tenho fé que a Carta da Terra irá se tornar o principal parâmetro de conduta dos seres humanos. Estive em uma palestra do Leonardo Boff em que ele apresentou a Carta da Terra. O homem tem que tomar a carta da terra como referência.

http://www.ufmt.br/remtea/downloads/Carta%20da%20Terra.doc

         
        O Bar - Qual os seus autores preferidos?

Eu sempre gostei muito de Manuel Banderia. Depois veio o Leminski e minha cabeça virou com aqueles poemas curtos que nos pegam na curva.
Ando viajando bastante com Murilo Mendes e Manuel de Barros.
E não posso negar que Ginsberg e Burroughs têm um lugar especial na estante da mente, assim como a geração de 20 norte americana.
Maiakovisk e Baudelaire são geniais.

Na prosa fico com Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Ruben Fonseca, Saramago gênio de tudo, Amós Oz, Bukowski, que me ganhou a atenção faz pouco tempo, e Kerouak velho de guerra. Mas tem tanta gente boa que fica duro de listar.

Os teóricos são Wolfgang Kayser, Noan Chomsky e Anatol Rosenthal.
Saussure e Hjelmslev são bons, mas como me lascaram muito, peguei birra.

         
        O Bar - Por quê escrever?

três respostas:

1) para ser amado

2) para dividir dores

3) (resposta muito pessoal) para saber minimamente porque quase toda mulher se orgulha das dores do parto.

         
        O Bar - Politicamente como você se define?

Eu sou vermelho Antônio Negri e acho Luís Carlos Prestes o maior homem que pisou na terra.

Peço desculpas aos mamantes do Che. Gosto muito do Che, mas o comandante Prestes tem cadeira cativa na sala da minha vida.

         
        O Bar - Por tuas referências, tanto literárias quanto políticas, pelo fato de fazer letras e por tuas origens gostaria que discorresse um pouco sobre a questão popular e erudito (sempre em pauta) e posição quanto à abertura do cânone. Lí a poesia que encabeça tua página no orkut e gostaria também de confirmar contigo se tua escrita tem tendências armorialistas.

Uma bela pergunta.

Fui estudar violão erudito e o professor questionou o porquê do desprezo para com o violão popular.
Respondi com uma pergunta: Se eu não estudar violão erudito, eu consigo tocar as músicas do popular Pixinguinha?
Dificilmente. Só se o cara nasceu com muita tarimba para a coisa. rsrsrsrsrs
O erudito e o popular se misturam no tempo e o popular sempre será a fonte primeira do erudito.
Um outro bom exemplo é a história do Chamamé, música "popular" Argentina.
Ela nasceu em uma renomada escola de música erudita paraguaia, escola, aliás, que criou o Bandoneon, um instrumento lindo e difícil. O Brasil destruiu esta escola na guerra do paraguai e tanto o Chamamé quanto o Bandoneon migraram para a Argentina como instrumento e música folclóricas.
Veja bem que um estudo diacrônico colocaria o Chamamé como erudito e um estudo sincrônico o coloca como popular.
E o jazz? rsrsrsrsrs
Na literatura funciona da mesma forma. O que eram os Aedos e os Raphsodos na antiguidade? Eruditos? Claro que não! E Homero, que era um Aedo, hoje é erudito.
Isso nunca fez muito sentido na minha vida porque eu sempre ouvi repentistas fazendo "cantoria de parede" contando a vida de Carlos Magno.
Estes são rótulos que servem para jogar um tapete sobre o povo. É assim com o nosso idioma. As pessoas apresentam erros de ortografia
como erros de língua portuguesa, quando na verdade um falante que tem a língua internalizada não comete erros de português. Pode cometer erros de ortografia, que é tão-somente não se utilizar da forma padrão imposta por um projeto de lei sem qualquer relação com a língua falada pelo povo. Isso é proposital! É para excluir mesmo!
Existem palavras que têm a mesma origem e são grafadas de forma diferente. Por quê a falta de lógica? Simples! A classe "erudita" que dorme com a farda da academia brasileira de letras precisa de um motivo para se colocar acima dos não imortais. Então eles definem quando se usa x ou z e pronto.

Você acha que um rapaz que mora na favela vai ficar preocupado em se utilizar da forma culta no seu dia a dia? Só se quiser virar motivo de piada. Ele tem que aprender a forma culta para escolher o melhor momento de utilizar esta variação linguística, mas isso jamais deve ser cobrado em cima do "certo" ou do "errado". É a variação linguística dele e deve ser respeitada. A língua tem conteúdo político de dominação e nós vivemos plenamente isso aqui no Brasil.

Quanto ao movimento armorial, a escrita acaba tendo sim alguma influência, pois adoro o Ariano Suassuna, gosto do Antônio Nóbrega, do Antúlio Madureira e aí não tem como.

         
        O Bar - haverá a vez de um poema sem metáfora? Como seria um poema
destituído de toda metaforização? Será possível um poema
assim?

onde há força de sentimento e tensão de espírito há poesia, com metáfora ou sem metáfora. rsrsrsrsrs.

         
        O Bar - Você disse: "O mundo vai melhorar sim. A educação está na ponta deste processo de melhora". Sob este ponto de vista o Brasil tem "cura"?

o Brasil tem cura sim e essa cura passa pela educação. Por isso é tão importante incentivarmos as crianças no sentido de valorizar cada vez mais as ciências humanas, a geografia, a história, a filosofia, as letras... Porra! Neguinho hoje só quer fazer Direito! Pergunta pro cara o que ele quer na faculdade de Direito! Quer ser Juiz! Quer pompa e poder!
Durma neste barulho!
Mas isso é culpa do sujeito?! É nada. Ele sofreu uma lavagem cerebral. Desde pequeno ouviu que o que dá dinheiro é engenharia, medicina, direito. Que quem manda é delegado, juiz, desembargador e que quem estuda letras, geografia, que os ambientalistas, são pessoas que se contentam com pouco, com "empreguinhos" de professor.
Eita idéia de merda!
Mas nós podemos mudar isso. Podemos mudar a partir da nossa casa mostrando aos nossos "pequenos" que os professores são "gigantes" na movimentação da humanidade.
Um dia desses eu ouvi: você fazer letras tudo bem, porque você já é advogado. Mas não entendo alguém escolher isso como carreira. Vai ser o quê na vida?
Cacilda! Como assim? Vai ser o professor de língua portuguesa dos nossos filhos, no mínimo! Um sujeito vital!
Eu sou mais um que acredita que nós, os "doidos", junto com os "pequenos" que conseguirmos conquistar, faremos a cura.

         
        O Bar - vc acha que a poesia tem que refletir o autor?

Eu acho que tem sim. Aliás, penso que acaba sendo natural, porque dificilmente o autor conseguirá bloquear o "eu" .
Estou tentando imaginar alguém que tenha conseguido e não estou encontrando um só exemplo.
E, vamos analisar, nós amamos os que se derramam. Olha o Vinícius de Moraes. É até engraçado um cara que escreve "que seja eterno enquanto dure", que teve nove casamentos, que só vivia no bar, ser tão amado pela mulherada.
O Leminski disse que os brasileiros amam seus poetas. Eu acredito que o mundo ama os poetas que estão gravados nas letras dos poemas e que por isso é que aceitam facilmente as loucuras dos poetas como se fosse algo comum e até divinamente maravilhoso.

         
        O Bar - não soa estranho para um poeta q se diz adepto de uma "revolução" de padrões contribuir para essa revolução voltando justamente às formas clássicas e procurando aprender e apreender as técnicas do passado, qdo se sabe q a palavra pressupõe um levante contra o q está em voga para implantar algo novo? o q vc acha? e o futuro da nossa Literatura onde está, afinal?

Outro dia mesmo eu me manifestei aqui no Bar dizendo que o único cara que me convence com a forma soneto abordando objetos novos é o Glauco. Eu não acredito que esse resgate se desenvolva como uma revolução, como um movimento a exemplo do arcadismo.
Se o Glauco acredita que o futuro é o poema via internet ele tem que levar em consideração a velocidade do sistema e a necessidade de se passar a mensagem rapidamente e de forma simples. Será o soneto uma poesia internética? Tem ele essa velocidade de comunicação?
Vamos levar em consideração apenas o soneto, que acredito seja a forma fixa mais cultivada no mundo. Alguns teóricos creditam sua criação aos italianos e afirmam que nasceu para ser música. Que tipo de música é mais ouvida via internet? Existe um soneto que possa acompanhar uma música tecno? Se a forma couber no ouvido desta nova geração de leitores, pode até ser que ganhe alguma força, mas não acredito.
Eu acredito que o futuro da poesia é a síntese. Os bons poetas irão se expressar cada vez mais sucintamente, depositando uma carga violenta de emoção e informação em cada palavra.
As poesias serão lidas de veículos em movimento, serão lidas por pessoas que têm na pressa sua principal preocupação. Que trafegam com fones no ouvido pulsando fora do ritmo do soneto. Esses são os leitores em formação e desvencilhar a poesia destes leitores é condená-la a viver apenas no plano acadêmico.
Um bom exemplo está na minha faculdade. Sempre escuto falar dos sonetos do Glauco em sala de aula, mas o Leminski, o Arnaldo Antunes e o Zé Alvin só aparecem no bar, nos corredores, na cantina... Quem é o futuro? Eu aposto no poema imediático e livre.

         
        O Bar - ANDERSON, dê suas considerações finais. vc já comentou, mas diga o que acha que o bar deve fazer para continuar evoluindo no caminho das letras.

Beleza. rsrsrs Gostei muito das perguntas. O pessoal bateu firme. rsrsrsrs

A nossa união aqui tem um propósito. Temos o interesse comum de escrever sempre e cada dia melhor. Estamos no caminho certo e juntando forças. Já temos o e-zine, o blog e acredito realmente que formamos um time que faz a diferença e que vai ser um referencial no futuro.
O André já publicou o livro dele, a Larissa também, temos alguns e-books e logo logo teremos outros e outros.
O importante é firmar mesmo esta idéia de membros do Bar do Escritor, porque vai ser um baita tesão ouvir mais dia menos dia alguém dizer assim: Esse cara aí é daquele grupo literário que publica revistas e livros com umas coisas muito loucas. Sabe? O Bar do Escritor? Então! Esse cara faz parte!
É isso o que somos. Somos os poetas, os contistas, os cronistas, os romancistas e os nanoromancistas, rsrsrsrs, não poderia faltar, é claro, do Bar do Escritor.
Cada época tem seu grupo artístico. Foi assim com o modernismo, com o concretismo em São Paulo, com o expressionismo Alemão...
Essa época é a nossa e nós é que somos o ísmo da vez.
Já estamos até registrados!
E para os que acham que essa é a idéia de um doido que sonha demais, eu respondo simplesmente que o sonho é uma matéria que não pesa. Pode encher a sacola e subir no nosso balão que ele não vai cair.

(neste momento, os bebuns se levantaram e aplaudiram o entrevistado. um ou outro mais sensível verteu lágrimas. os outros pediram cachaça com os poemas do Anderson no EBOOK TORMENTA de petisco.

         
       

A entrevista no bar

         
       
         

 

 

InterNerd, 01 de junho de 2007