Terceira Rodada |
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Pintura de João Werner |
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Por Roberto Klotz |
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| Aqui em Nova Iorque sempre é difícil
conseguir a Folha de São Paulo. Não impossível. Abri o
jornal da forma costumeira. Li as novidades políticas,
notícias internacionais, índices econômicos e no
caderno esportivo comemorei a vitória do meu time.
Quando me preparava para fazer as palavras cruzadas me
assustei. Li e reli. Tremi nas bases. Não é possível.
O anúncio fúnebre contém meu nome. Antenor N. Baltazar.
Petrifiquei! Puxei todo o ar do apartamento para oxigenar
meus pensamentos. Não é possível. Li pela terceira vez: Antenor N. Baltazar A família do querido e inesquecível Antenor N. Baltazar convida a todos os amigos para a missa de sétimo dia de seu falecimento, a realizar-se hoje na Igreja de São Francisco, Centro. Puta-que-o-pariu! Não é possível! Não, não é possível. Que dia é hoje? Olho a data no relógio e confiro com a data do jornal Merda! Este jornal é de ontem. A missa foi ontem. Isso é uma loucura! Repeti não é possível mais umas dez vezes. Minhas idéias estavam engessadas. Sou uma pessoa brilhante. Tanto que trabalho no projeto carro-chefe da empresa. Graças às minhas idéias estou pela quinta vez em Nova Iorque. O presidente acredita no meu potencial, na minha inteligência e na minha capacidade de gerar idéias. Alavanquei os negócios e assinamos fantásticos contratos para exportação. Estou prestes a abrir também o mercado na costa oeste. Não é à toa que me promoveu diretor comercial. E agora estou aqui, feito uma estátua fria. Uma escultura disforme e inacabada. Pura pedra. Sinto como se a neve e o gelo das calçadas estivessem dentro da minha alma. Estou aqui há uma semana, congelando por fora e agora também por dentro. E quando consigo um jornal de São Paulo leio esta coisa. Olho mais uma vez olha a solitária nota fúnebre. Esse Teixeira é mesmo um grande de um pão duro. Eu morro e o filho da mãe nem sequer coloca uma homenagem da firma no jornal. Espera aí, é lógico, ele sabe que não morri. Falei com ele ontem de manhã. É isso, não estou ficando louco!Renata, saindo do banheiro, descalça e enrolada na toalha, franze a testa. Tudo bem com você, Antenor? Está falando sozinho... e alto. Você está pálido... Olha só isso! Apontando o retângulo com negras letras. Não é possível! Renata lê. Estala os dedos um a um e depois de alguns segundos estende o telefone. Por que você não liga logo para sua mulher, seus filhos? Você precisa dizer que está tudo bem. Que houve um equívoco... Levo minhas duas mãos à cabeça, respiro fundo e depois pego o telefone. Parece o infinito digitar aquela dezena de números neste momento nervoso. Quando o telefone é atendido reconheço logo a voz da minha mulher. É você Antenor? Aqui está tudo bem. Estou trabalhando muito. Eu não morri. Para mim morreu! Eu te avisei que te mataria se você me traísse. E bateu o telefone na minha cara. |
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Por Lameque Hyde |
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| Tudo se modificou após a arrebatadora chegada daquela forasteira. Sua Majestade, o Rei, não dava a mínima atenção para a Rainha. Esta, magoada, deixou de protegê-lo, aventurando-se por locais desconhecidos. Ela, a Rainha, tinha consciência de sua força. Sabia defender-se como ninguém. Os bispos confabulavam entre si, assustados com tamanho descaramento de Sua Alteza. Do alto das duas torres, observa-se o descalabro. A cavalaria, pasmem, revoltou-se e buscou refúgio no reino situado logo a frente. Sentiram-se estranhos, dada a lógica diferença. Somente a criadagem, o lado mais fraco deste episódio, manteve-se fiel. Como insignificantes servos, davam a vida pelo seu Soberano, não hesitando sacrificar-se na linha de frente de qualquer combate. Mesmo assim, não compreendiam o porquê da paixão fulminante do Rei por aquela peça de jogo de damas, que acidentalmente caíra no tabuleiro de xadrez. | |||||||||
Por Giovani Iemini |
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O bimotor passou num
rasante sobre o pasto. O piloto sentiu um frio na
barriga, o prazer do risco. Estava com 58 anos, rico,
casado, com filhos e netos. Ficou de saco cheio e
resolveu esvaziá-lo curtindo seus prazeres mais secretos.
A aviação era um deles. |
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Por Lobo |
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| Uma rua vazia... Um bar rarefeito... Uma
vida deserta.. _ Oi. _ ... _ Eu disse oi! _ Ah, desculpa... Pensei ser outra miragem... _ Você está bêbado? _ Você se repete nos rostos que vejo... No ônibus, no táxi, no trem, no carro velho, no carro novo, na moto... Não, na moto não... _ Foi um tombo feio. _ Tombo maior foi depois. _ Você está mais magro. _ E você mais Bonita... _ Mais barbudo também. _ Não lhe vejo no espelho... _ Você me odeia? _ Digamos que esteja... te adorando pelo avesso... _ Eu não devia ter voltado. _ Se nem mesmo saiu... _ Esqueça. _ Não há um só dia que não reze pra isso... _ Eu não vim aqui. _ Eu imaginei... _ Isso. É apenas outra miragem. _ Uma miragem que fala... _ Que seja! _ ... _ ... _ Volte quando puder beijar. |
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Por Wilson R |
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| Chamava-se Narciso e era filho
do deus-rio Cefiso e da ninfa Liríope. Dono de indescritível
beleza, porém, ele nasceu privado do sentimento de amor.
Todas as jovens das redondezas se apaixonavam pelo belo
rapaz, mas não tinham a audácia sequer de chegar perto
dele. Certa feita, a ninfa Eco criou coragem e, com muita
dificuldade, aproximou-se e declarou seu amor. Ao ser
repelida por Narciso, Eco entrou em desespero. Sua dor
foi tão profunda que ela definhou, definhou... até que
desapareceu e restou apenas a sua voz. Essa parte menos conhecida do mito de Narciso tem um triste paralelo com a realidade do mundo de hoje. A voz dos invisíveis. O grito de pessoas que são ignoradas. OS FAVELADOS GRITAM por socorro, e as autoridades os chamam de vagabundos que são coniventes com traficantes. Ora, os traficantes lhes dão o que comer! Como esperam que eles os entreguem? Ao contrário dos políticos, as classes pobres não costumam cuspir no prato que comem. Não que isso justifique o tráfico, mas que tal acabar primeiro com a miséria, antes de atacar o tráfico? Tenho certeza que o crime organizado perderia um grande aliado: a penúria de todo um povo. OS TRABALHADORES GRITAM por melhores condições, labutando como escravos e mal ganhando para comer, e o governo faz demagogia e não ouve. Criam eles mesmos obstáculos intransponíveis que inviabilizam suas próprias promessas. Acabar com a fome no Brasil é simples, como uma respeitada revista nacional já demonstrou, passo a passo. O desperdício é enorme e a especulação imensa. Enquanto se discute o valor do salário mínimo, milhões de toneladas de alimentos apodrecem em armazéns por não contarem com infra-estrutura de distribuição decente. OS FLAGELADOS DA SECA GRITAM e o seu próprio filho, que hoje é chefe de nossa nação, cerra os olhos com força, vencido, como era previsto, pelo sistema podre e corrupto que se estabeleceu e fincou profundas raízes em nosso país. E ele sabe, mais do que ninguém, que regiões muito mais áridas do planeta fornecem hoje colheitas fartas, como acontece em diversos países do Oriente Médio. OS VELHOS GRITAM e seu grito se perde nas filas de bancos e nos bancos de hospitais públicos. Apesar da semelhança no nome, os lugares são diferentes. A aposentadoria, mesmo sendo irrisória e ridícula, ele conseguirá ao final da fila do banco. Já o médico pode não vir hoje e ele passará a noite no frio, deitado no banco. OS CIDADÃOS DO MUNDO GRITAM por paz, e o poderoso ditador mundial toca o gado em sua fazenda, preocupado como vai beneficiar os produtores de aço e petróleo de seu país. Mesmo os próprios estadunidenses gritam, irados com a covardia georgebushiana contra o resto do mundo. Igualmente, ele não ouve. Até quando os gritos de Eco soarão em vão entre os Narcisos do poder do mundo? Quando as vozes desesperadas e, ainda assim, esperançosas, deixarão de ser ignoradas por pessoas que, se tivessem apenas um pouco de boa vontade, resolveriam grande parte dos problemas mundiais? Até quando Ecos desesperadas serão ignoradas em todas as partes do globo? Poderemos um dia acabar com os prepotentes Narcisos do mundo? Talvez a resposta esteja na continuação do próprio mito: Certo dia, ao sair para caçar, Narciso debruçou-se sobre a fonte Téspias, próximo ao Monte Helicon. Viu seu reflexo nas águas límpidas e apaixonou-se perdidamente. Não conseguia tirar os olhos da própria imagem e ali morreu, de inanição. Basta que deixemo-los admirando seus feitos mesquinhos e matemo-los de fome pela ausência do que os mantêm vivos: nossos votos. |
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| O Bar - anderson, apresente-se e fale um
pouco sobre vc. sua poesia é bem consistente. quais são seus autores prediletos, escreve desde quando e o que espera alcançar com essa arte que não se vende e é imprestável a qualquer outra coisa a não ser o prazer pessoal? Eu
sou um sujeito criado com bisavós, avós, pais e tios
nascidos no sertão. Passei a infância lendo cordel,
vendo xilogravura e escutando poetas repentistas na sala
de casa, dentre os quais destaco meu primo Geraldo Amâncio,
o maior que eu já vi na arte. |
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| O Bar - Qual a função da literatura
para você? O que ela faz do/pelo mundo? É uma diversão,
um passatempo prazeroso, uma possibilidade de catarse em
um mundo agitado como o nosso, uma fonte de libertação
das consciências, um exercício onanista dos grandes
egos? Para que ler? Para que escrever? Nesse campo
firmo posição com dois escritores: Thomas de Quincey,
para quem descobrir um problema novo é tão importante
quanto solucionar um antigo; e Jorge Luís Borges, que
afirmava ser a literatura uma forma de apresentar
perplexidades, dúvidas. |
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| O Bar - qual a contribuição da
faculdade e da comunidade em tua escrita? Muryel, o
curso de letras tem sido importante para aumentar meus
recursos técnicos no momento de exercitar a escrita e,
por mais incrível que possa parecer, para matar
preconceitos linguísticos. |
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| O Bar - vc prefere ser considerado como
um poeta que escreve ou como um escritor que faz poesia? eu tenho me esforçado para ser um poeta que escreve. Não acho que tenho tarimba para me dizer "escritor", porque esse termo é global demais. |
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| O Bar - O escritor é influenciado pelo
advogado, ou vice-versa, no ato da criação (obras literárias
x petições)? o poeta repele o Advogado
constantemente, mas o Advogado se apropria do poeta todos
os dias, em cada petição. |
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| O Bar - Qual a importância de submeter
textos à análise crítica de outros poetas e gente
especializada? dificilmente um autor olha para a sua
obra e diz: mas que cagada! |
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| O Bar - Eu vi, no seu perfil e album, um
homem extremamente família. Você encontra inspiração
nela para teus poemas, se sim, em quais momentos? Tem uma
hora de sua preferência para escrever ou o instante
pinta sem avisar? Como é a sua relação com a poesia?
Ou vc simplesmente constrói, independente do momento em
que vive. Eu costumo levar para o papel meus sentimentos
diários, é assim que funciona o "Anderson poeta"? E os sonhos nessa área, o que espera conseguir? encontro
inspiração não exatamente nas pessoas da família, mas
sim nas histórias que elas carregam e que tentam de
alguma forma me passar. Eu viajo muito nas histórias dos
meus avós, dos meus pais, na luta diária deles. Uma
coisa que bate fundo em mim é o fato de eu ser de uma
família que fugiu da seca para não morrer e que demorou
20 dias para fazer o percurso do Ceará até São Paulo. |
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| O Bar - Se pudesse largar tudo e viver de
poesia. Você encarava essa? Viver de poesia? Encararia
fácil. Viver de poesia é um sonho maravilhoso não é
mesmo?! Mas viver de poesia exige viver de verdade, viver
mais que os outros, ir aonde as demais pessoas não vão,
conversar com Deus de mãos dadas com o demônio. |
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| O Bar - O poeta deve falar do que viveu
ou do que não viveu? O poeta deve falar de tudo e
qualquer coisa, pois a poesia, como diz Manuel Bandeira,
está tanto nos amores quanto nos chinelos. |
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| O Bar - Já publicou algo ou está em
vias de fazê-lo? tem esse e-book que o Giovani, muito
mais que gente boa, topou tocar e eu tenho interesse sim
em lançar um livro, que já está até montado, mas que
não cavalga porque o dinheiro não sobra para tanto. |
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| O Bar - Na sua opinião o crédito de uma
boa poesia, deve, necessariamente, levar em conta
aspectos técnicos como métrica e rima ou ainda palavras
pouco conhecidas pelo leitor em geral? essa é uma
questão que me maltratou durante muito tempo. Ressalto a importância de se exercitar as formas
fixas, que hoje encaro realmente como puro exercício. |
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| O Bar - Existe temas preferidos a serem
abordados pelo autor? Temas pelo qual tenha maiores
interesses ou veja neles desafios de sempre abordá-los
de forma diferente? Pois é, o amor "faísca na
medula", como escreveu Drummond. rsrsrs |
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| O Bar - Dizem que um homem só pode se
considerar realizado se: 1- Plantou uma árvore 2- Escreveu um livro 3- Teve um filho Seguindo essa ordem, já sei que tem filho, está em vias de ter seu livro (e-book) e a árvore, creio que deva já ter plantado muitas. Mas e a sua relação com a natureza? Você é um cara preocupado com essas questões, assiste somente a elas ou se enganja nas lutas. Acha que o mundo ainda tem conserto nessa área? Que acha prioridade fazer a longo prazo e qual a contribuição que você, como escritor, tem a oferecer? Já plantei
algumas árvores sim. rsrsrs Na verdade durante um bom
tempo eu fui integrante de um grupo chamado Prakrit, que
une filosofia oriental, mediunidade espiritual e proteção
ambiental. |
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| O Bar - Qual os seus autores preferidos? Eu
sempre gostei muito de Manuel Banderia. Depois veio o
Leminski e minha cabeça virou com aqueles poemas curtos
que nos pegam na curva. |
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| O Bar - Por quê escrever? três
respostas: |
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| O Bar - Politicamente como você se
define? Eu sou vermelho Antônio Negri e acho Luís Carlos Prestes o maior homem que pisou na terra. Peço desculpas aos mamantes do Che. Gosto muito do Che, mas o comandante Prestes tem cadeira cativa na sala da minha vida. |
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| O Bar - Por tuas referências, tanto
literárias quanto políticas, pelo fato de fazer letras
e por tuas origens gostaria que discorresse um pouco
sobre a questão popular e erudito (sempre em pauta) e
posição quanto à abertura do cânone. Lí a poesia que
encabeça tua página no orkut e gostaria também de
confirmar contigo se tua escrita tem tendências
armorialistas. Uma bela pergunta. Você acha que um rapaz que mora na favela vai ficar
preocupado em se utilizar da forma culta no seu dia a
dia? Só se quiser virar motivo de piada. Ele tem que
aprender a forma culta para escolher o melhor momento de
utilizar esta variação linguística, mas isso jamais
deve ser cobrado em cima do "certo" ou do
"errado". É a variação linguística dele e
deve ser respeitada. A língua tem conteúdo político de
dominação e nós vivemos plenamente isso aqui no Brasil. |
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| O Bar - haverá a vez de um poema sem metáfora?
Como seria um poema destituído de toda metaforização? Será possível um poema assim? onde há força de sentimento e tensão de espírito há poesia, com metáfora ou sem metáfora. rsrsrsrsrs. |
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| O Bar - Você disse: "O mundo vai
melhorar sim. A educação está na ponta deste processo
de melhora". Sob este ponto de vista o Brasil
tem "cura"? o Brasil tem cura sim e essa cura
passa pela educação. Por isso é tão importante
incentivarmos as crianças no sentido de valorizar cada
vez mais as ciências humanas, a geografia, a história,
a filosofia, as letras... Porra! Neguinho hoje só quer
fazer Direito! Pergunta pro cara o que ele quer na
faculdade de Direito! Quer ser Juiz! Quer pompa e poder! |
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| O Bar - vc acha que a poesia tem que
refletir o autor? Eu acho que tem sim. Aliás, penso
que acaba sendo natural, porque dificilmente o autor
conseguirá bloquear o "eu" . |
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| O Bar - não soa estranho para um poeta q
se diz adepto de uma "revolução" de padrões
contribuir para essa revolução voltando justamente às
formas clássicas e procurando aprender e apreender as técnicas
do passado, qdo se sabe q a palavra pressupõe um levante
contra o q está em voga para implantar algo novo? o q vc
acha? e o futuro da nossa Literatura onde está, afinal? Outro
dia mesmo eu me manifestei aqui no Bar dizendo que o único
cara que me convence com a forma soneto abordando objetos
novos é o Glauco. Eu não acredito que esse resgate se
desenvolva como uma revolução, como um movimento a
exemplo do arcadismo. |
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| O Bar - ANDERSON, dê suas considerações
finais. vc já comentou, mas diga o que acha que o bar
deve fazer para continuar evoluindo no caminho das letras.
Beleza. rsrsrs Gostei muito das perguntas. O pessoal
bateu firme. rsrsrsrs (neste momento, os bebuns se levantaram e aplaudiram o entrevistado. um ou outro mais sensível verteu lágrimas. os outros pediram cachaça com os poemas do Anderson no EBOOK TORMENTA de petisco. |
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InterNerd, 01 de junho de 2007