NanoContos
Nona Rodada

 

 

O nanoconto

 
 

Rodadas Passadas

 
   

 

 

 

Dia dos Pais

Por Carlos Cruz

Olhou o bebê através do vidro - uma criança linda. Sua esposa dormia no quarto ao lado. Uma enfermeira deu-lhe parabéns. Fôra uma decisão difícil, tomada após o resultado do espermograma. Ligou para seu amigo Ricardo, o pai: "Traz o charuto. Acabou de nascer."
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Divórcio

Por Me Morte

Se ao conhecê-la, nos anos 60, tivesse se imaginado ali, num tribunal, brigando por ninharias, certamente teria virado a esquina em sentido contrário.
 

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Velocidade da luz

Por Véio China

A fumaça ardida, fedia, porque zunira à velocidade da luz.
- Não me mat.... - ele gemeu, afinal, foi a queima roupa. Se a distância tivesse sido um pouco maior, haveria terminado o seu lamento.
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Fim

Por Wilson R

Faminto, Insistiu Muito. Formou-se, Indanovo, Maduro. Fez-se, Indômito, Malvado. Feliz,
Insistiu – Matou-se. Faleceu, Inda Menino.

Foda, Isso, Meu.

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O Jogo Divino

Por Quimas

Ele lá de cima, olhado o que criara, viu que o mundo estava ensandecido e a caminho da destruição. Assim, preocupado, disse aos seus anjos, com aquela sua voz poderosa: "Correi logo, cambada, pois que a bola está murchando e a partida pode não chegar no fim do segundo tempo".
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Cuspe

Por Jôn Lenu

Cuspiu pra cima pra ver a direção do vento
Como não ventava...
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Nano

Por Ruy Villani

 
Eu a penetrei de um só golpe, profundamente. Depois penetrei de novo e de novo enquanto ela gemia. A última estocada, dei com força e permaneci dentro. Quando ela parou de estremecer, retirei o punhal de seu peito e limpei o sangue na borda do lençol.

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  Gostosa

Por Edson Freuser

Aos doze anos Márcia era a mais gostosa do bairro e atraia todos os olhares impossíveis. Aos treze, ficou grávida. O ficante fincante se mandou. Os pais à contra gosto criam o garoto. Hoje, aos dezessete, continua gostosa. Experiente, cobra cem.

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Depois daquela noite

Por Leonardo Spoke

Depois de uma noite de lascívia e sevícia descobriu, decepcionada, que dormira no quarto errado.
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Marcas de um tempo Alienado

Por Mali Ueno

Olhava o parquinho. Pedia, implorava e rogava à mãe que a deixasse ir. Chorando a mãe retrucava que não. Olhava todas aquelas crianças. Pálidas, ricas, bem tratadas, mimadas e, principalmente, iguais. Por que elas eram melhores? Só porque eram brancas tinham mais direitos. Que injustiça!! Aquilo o havia marcado a brasa. Então jurou: "Eu, Nelson Mandela, não deixarei meu povo perecer à essa causa!!".

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Tiozão

Por Maria Julia

Com pinta de garanhão caminha pomposo pelo calçadão em suas vestes esportivas a cobiçar menininhas. Se Narciso não gosta do que é espelho, fugiu às regras o camarada, pois tem cara de tiozão, e as menininhas? Loucas para darem...uma voltinha no seu carango zerado, e de deixa...faturarem alguns trocados.
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Viajante

Por Lameque Lopes

Viajou dentro da constelação de sardas que banhava o colo nu vialactante da amada, aterrissando no canyon de seus seios cujas auréolas rosáceas destacavam-se à luz artificial feito Fobos e Deimos no horizonte marciano. Pós-cópula, continuaram assim, juntinhos, orgulhoso primeiro casal de astronautas a se amarem no espaço.
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Freudianos

por Zé Ronaldo

Iara era mãe de santo. Jorge era filho de Iemanjá. Naquela noite, copularam. Iara gozou sete vezes. Jorge resolvera seu complexo de Édipo.
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Bipartida

Flávia Valente

Partida ao meio por uma lâmina russa, ainda tento conservar as partes inteiras e levemente deslocadas. A parte esquerda é a que mais dói.
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Flamengo e Vasco

Por Emanuel

- Amor, o que é uma alegoria?
- O quê?
- A-le-go-ria. O que é uma alegoria?
- Ah... Sei lá. Alegoria é uma espécie de alegria com um "o" no meio.
- Então a alegoria da caverna de Platão...
- É isso mesmo. Uma festa na caverna, um monte de grego bêbado, viadagem pura... Agora cala a boca.
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O Nanoconto

 

Por Marco Ermida Martire, Me Morte e Giovani Iemini

 
O mais famoso micro-conto do mundo foi de Augusto Monterroso: “Quando acordou, o dinossauro ainda estava lá”. Ele se tornou um ícone no assunto.

A primeira coisa que vemos no nanoconto (sim, menor que o micro-conto) é sua ligação estreita com a internet. Surge da imperiosa necessidade de ler e escrever e, por isso, deve ser considerado irmão de outros tipos literários. Nasce com uma forma exótica que aguça os olhos. O leitor ávido saboreia vários nanocontos em poucos minutos, de acordo com a disposição de tempo diante do microcomputador. Ele serve à leitura no mundo contemporâneo e talvez seja a expressão escrita de um tempo que virá.

O nano tem que ser despojado. O autor depara-se com uma escolha fundamental no ato de criação: deve decidir com quais elementos vai trabalhar. Se usará o humor ou não; se precisará de uma boa história breve; se fará uma narração completa com começo, meio e fim; ou se abdicará da descrição elaborada sem perder o sentido. Enfim, o nano não possui o tempo do leitor para todos os elementos de outros tipos literários. Sua história se faz das partes que ele sugere pelo caminho, pois o que o nano abandona é, precisamente, o que define a maestria de seu autor. Considera-se um nanoconto uma boa história com um mínimo de palavras.

Outro aspecto que impressiona no nano advém dessa necessidade de despojamento. A melhor compreensão do texto quase sempre depende de uma mínima frase ou palavra, uma chave que abre todo o sentido da historinha. Fica nítido que a comunhão entre autor e leitor precisa ser total, sob pena de perder-se todo o sentido e provar-se de uma sensação de ignorância abissal. O autor de nanos é, portanto, em síntese, um oportunista, ao fazer uso dos signos do momento ou da História. Percebe-se daí que o leitor de nanos precisa de uma boa cultura geral. Sem ela, restarão sempre lacunas de conhecimento, nichos onde o bom nano poderia produzir efeitos.

O livro Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século, organizado pelo escritor Marcelino Freire, mostra rápidas “sacadas” de poucas linhas que ajudam a entender este novo tipo literário.

Assim é o nanoconto. Uma experiência literária, curiosa e criativa, capaz de emoções verdadeiras, em busca de seu público cativo. Um estilo único e indiscutivelmente moderno, prático e completo ao que se propõe: difundir fantasia em curto prazo. Que tenha vida longa!


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InterNerd, 01 de outubro de 2007
Editado por Me Morte e Marco Martire