| Sou brasileiro e não me
orgulho nunca Parte VIII
O toque do meu celular é a música Inútil do Ultrage a Rigor. "Inútil, a gente somos inútil. A gente escreve livro e não consegue publicar". Essa música fala sobre o brasileiro. Uso-a para me lembrar quem sou e de onde venho. Toda vez que ela toca fico chateado. O pior é que o celular toca o tempo tudo. - Alô, porra! - Cara, você tem que odiar menos o Brasil. - Eu não odeio o Brasil. - Então por que você escreve aquelas coisas? Porque eu amo o Brasil. Mas como explicar isso? Vou fazer uma analogia para brasileiro entender: - Joguei bola a vida inteira com meu irmão. - Futebol é coisa que brasileiro entende. - Ele era goleiro. Um bom goleiro. Tinha ótima noção de tempo. Certo dia desistiu de jogar no gol pois achava que os caras da linha estavam jogando mal. Começou como zagueiro e logo foi transportado para a cabeça da área pois tinha boa habilidade e sabia distribuir a bola. História de vida relacionada a futebol sempre chama a atenção. Continuo. - Eu sempre joguei de centroavante. Nunca aprendi a jogar futebol pois estava preocupado apenas em fazer gol. Sempre joguei na frente, esperando a bola. Observei os jogadores. Vi que meu irmão sabia driblar, era inteligente, ótimo marcador e ainda tinha o melhor preparo físico entre todos, mesmo sendo meio fofo. Tá entendendo a profundidade da história? Vamos lá. - Um belo dia meu irmão cansou de ser o "carregador de piano" dos times que jogava. Ele sempre foi essencial no meio de campo, mas pouco aparecia para a torcida - apenas o goleador é que recebia os méritos. Resolveu jogar como meia-atacante. Foi um desastre! Ele não tinha o "timming" de centroavante. Não sabia a hora de correr nem a hora de esperar a bola. Também não tinha a explosão muscular necessária e tampouco era bom finalizador, virtudes pouco importantes para quase todo o time, menos para o atacante. Agora vem a parte importante. - Certo dia tentei explicar pro meu irmão como ele poderia jogar para potencializar os próprios talentos. Ele tentou algumas vezes e foi brilhante em campo, porém não se empolgou em jogar daquela forma. Eu disse para ele agir como um rápido primeiro-volante, aparecendo no ataque por trás dos zagueiros. Era muito trabalhoso e logo retornou ao antigo estilo: voltou a jogar como um meia-atacante medíocre. Até hoje brigo com ele em campo! Sei que ele é capaz de ser o melhor entre todos, porém ele não se empolga em jogar de forma diferente daquilo que está acostumado. Assim é o Brasil: capaz de ser o melhor, mas desmotivado. Meu irmão não joga na sua melhor posição pois simplesmente gosta de jogar em outra. Não faz mal a ninguém, a não ser ao meu mau-humor em saber que ele poderia ser o melhor. O Brasil não faz a sua parte pois os brasileiros não sabem fazer o que é correto, porém isso faz mal a um monte de gente. Faz mal a todos os brasileiros.
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fin |
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