| Sou brasileiro e não me
orgulho nunca Parte X
Sinto-me como um verme que saiu do ânus de seu hospedeiro, puxado pela cabeça com uma pinça afiada. Essa realidade trágica e dolorida consolidou a triste constatação: não há mais utopia! O sonho de ver o Brasil como o país do futuro era somente uma alucinação controlada. Oferecia esperança à plebe, enquanto os verdadeiros donos do poder fincavam suas garras mais profundamente no Estado. Aqueles que trariam equilíbrio à nação se preocuparam primeiramente em enriquecer e principalmente em se manter no poder. Parecem arremedos de outras eras, onde revolucionários da liberdade transmutaram-se em ditadores de ordens repressoras. - Quem tá no poder? - Perguntei-me. - Os oligarcas no campo e os burocratas na cidade. - Respondi-me. - Todos respaldados pelos magistrados. O sistema republicano atingiu o ápice de sua corrupção. Os ricos e poderosos controlam os cordões das instituições-marionetes procurando a manutenção do status-quo, sempre favorecendo seus iguais com a exploração da massa desorganizada e estúpida. - Quem é essa massa? - Questionei-me. - Nós mesmo! O povo, a população, a extinta classe média, os pobres ignorantes e sem rumo. Não há solução! Para quem podemos apelar? (Ao exército) A Justiça é a mais podre das maças, pois por fora é suculenta e atraente mas por dentro é negra e pútrida. (Ao exército) A mobilização nacional exige a participação dos meios de comunicação, que necessariamente estão controlados. Não há imparcialidade na opinião. (Ao exército) Ao exército? Já foi feito isso no país, quando a ordem retirou dos brasileiros a liberdade. É um preço impagável. (A quem, então?) Já disse e repito: não há esperança. Dias atrás descobri que o síndico do meu bloco estava metendo a mão na grana do prédio. Organizei um impechement e botamos o cara na rua. Assumi o posto. Em poucos dias ficou claro que não sei fazer as coisas funcionarem. A gota dágua foi uma vizinha me acordar de madrugada para reclamar do cachorro de outra vizinha. - Misture pó de cimento com carne moída e dê para o cachorro. Em dois dias o estômago dele endurece e ele morre. Decidimos contratar uma administradora externa. Resolvemos nossos problemas. Já que somos corruptos ou incompetentes, vamos deixar as rédeas do edifício com alguém que sabe o que faz. O Brasil também precisa de outro rumo. Já que os brasileiros, esse povinho bunda, é corrupto e incompetente (no meu edifício éramos corruptos OU incompetentes), vamos deixar a direção do Estado com outro país. Podemos ainda ganhar uma grana com isso. - Vamos alugar o país! Djá! |
fin |
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