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Sobre escritoras, sucesso e o Slug Encontrei o Gumela, baixista do Slug (www.slug.com.br), na entrada do pub em que aconteceria o show comemorativo dos 15 anos. - ainda não ganhamos o primeiro milhão de dólares. – Comentou. - mas vocês nunca tocaram pelo dinheiro! Ele concordou com olhos difusos, certamente pensando que o tal milhão até seria útil. - vocês sempre fizeram roquenrou por causa do sexo e das drogas. - Ele riu e eu fiquei encucado: o sucesso é relativo ao dinheiro? O show foi ótimo, as guitarras gritando acompanhadas de cada baterista (4 ao todo, afinal, em 15 anos muitas baquetas passam pelo tambor). Casandré, o vocalista, mostrou, como sempre, que a energia é o melhor tempero da música. O tesão, autêntico, eleva a arte original a um padrão sublime. Enquanto isso, eu distribuía o zine do Bar do Escritor, o meu grupo, não de rock, mas de literatura. Talvez uma literatura-rock, pois gosto de sentir a mesma empolgação do público entoando os hits da banda nos textos que escolho para o livreto (e para o e-zine em www.bardoescritor.net). - você só distribuiu para homens. – Comentou minha mulher. – tá com medo d´eu sentir ciúme? - necas. É que não gosto de literatura feminina. – Aproximei a boca de seu ouvido, o som estava devidamente alto. – mulher quando escreve se detêm em detalhes desnecessários, ou melhor, em minúcias características da personalidade feminina, coisas que pouco importam aos homens ou à história, mas que dão a elas o sabor que apreciam. Clarice Lispector, Fernanda Young, Marian Keyes (essa é de lascar), J.K Rowling (imitadora do Neil Gailman), Luft, Roberts... todas são redundantes, esmiúçam descrições excessivamente sentimentais, palavras demais para pouca história. Enfim, podem até escrever bem, mas não me empolgam. – Fiz uma pausa para respirar. – a única que gosto de verdade é a Fernanda Takai, do Patofu. Ela é mãe, ou seja, uma amadora compulsiva e ainda assim faz crônicas afetivas sem ser sentimentalóide, sabe contar histórias simples sem parecer tola e, melhor, já era famosa quando apareceu na literatura. Por que fez isso? Porque gostava! Tinha tesão em escrever, em ler, gostava do mundo das letras. Ela é empolgante. Igual ao roquenrou. Igual ao Slug! - hein? Tá resmungando o quê, menino? – Falou minha mulher. Meu discurso havia se perdido entre os decibéis das caixas de som. No palco, o guitarrista Guilherme trocava uma corda quebrada. Cinco discos e ainda eram os próprios roadies. Zemário, o batera original, ainda se mantinha em forma (de barril, hehehe) para shows comemorativos como aquele. O prazer supera as dificuldades. O tesão não tem preço em dinheiro. - o que é o sucesso? – Gritei para a patroa. - holiúde. – Ela respondeu. Queria dizer que a fama era a verdadeira satisfação do artista? Ou que seria a vida no jet set? - por quê? – Inquiri, pronto para divergir. - a propaganda: holiúde, o sucesso. Lembra? – E me beijou no rosto. – Bocó. Sorri e assenti. Eu deveria saber que ela entenderia, como eu, que o verdadeiro sucesso é ter empolgação no que faz. Não há problema insuperável nem benefícios que possam substituí-lo. A fama real é interior; a intrínseca satisfação de saber que garantiu seu posto entre os próprios ídolos, de ter chegado onde está com os próprios pés, de ver nos fans admiradores tão sinceros quanto a própria arte. O sucesso não pode ser medido. - yeah! – Gritei, resumindo vários elogios num único brado exultante. |
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fin |
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