Odeio perder amigo e adoro briga
Uma coisa que odeio é perder amigo
Uma vez escrevi a um amigo dizendo não precisa mais falar comigo. Não quero mais conviver com você. Descobri suas histórias. Cada um segue sua vida. O que ele me respondeu? Começou com Vá se foder. Eu não preciso de você e nem de ninguém. Pareceu-me um tanto egoísta à época, mas hoje vejo que ele foi correto e sincero, afinal, o que ele poderia fazer? Já havia estragado nossa amizade mesmo, então só lhe restava sair com a devida descompostura. Outro dia tive um desentendimento com outro amigo. Fiquei realmente chateado, magoado mesmo. Pensei em como reaver a ligação entre nós, na maneira de falar o que eu sentia pelo acontecido e não criar uma briga ou ser mal-entendido. Tentei imaginar alguns diálogos. - Cara, chega mais, quero falar uma coisa contigo. Eu começaria assim. Sempre começo assim quando quero falar alguma coisa séria. Depois entraria no assunto com minha ótima capacidade de explanação, afinal sou professor (que abandonou a carreira) e escritor (sem carreira). O problema é que não me importo em retomar a amizade! Quando me magoei não foi por frescura. O assunto, pessoal, me incomodou. Porém, o que mais me afetou foi isso: o que meu amigo fez foi suficiente para abalar nossa amizade. E agora?
Uma coisa que adoro é briga.
Hoje vi uma briga. Adoro briga, seja na tv, na rua, comigo ou semigo. Briga é a maior expressão da discordância humana. Mas a briga tem que ser justa, entre iguais. Se o cara for especialista em lutas, tem que encarar dois ou mais. Se for muito forte também. A briga que vi foi entre o dono do self-service que freqüento e um casal de fregueses. Bené, o dono, tem mais de 1.90 metros e uns 130 quilos, é um touro. O cara que o enfrentou tinha a minha altura mas o dobro da minha largura em músculos. O embate começou com uma discussão e de repente a mulher do tal cara desceu a mão na orelha do Bené. Ele, espantado, não teve dúvidas: devolveu o sarrafo nela e no marido de quebra. Ai o barraco caiu. Mesas e cadeiras voaram, junto com talheres e garçons. As pessoas correram assustadas. Eu me mantive a poucos passos dos brigões, sorrindo a valer. A cada safanão eu me regozijava. Ficava feliz mesmo. Não era eu quem tava apanhando. Pensei em apartá-los, mas percebi que se tentasse acabaria levando alguma mãozada de sobra. Esperei a polícia chegar. Pela minha calma no ambiente, fui o primeiro a ser consultado pelo guarda. - O que houve aqui? Perguntou. - Uma rixa, meu caro. Informei ao homem da lei. - Mas quem começou? - O que importa? Olhei o guardinha, em sua pouca compreensão legal. Rixa, na lei, tem punição para todos sem importar o assunto. - Positivo, cidadão, mas quem começou? Insistiu o PM. Encarei o guarda. Saquei sua intenção. - Tu só tá é querendo fazer fofoca, não é? Perguntei num sorriso. - Olha o respeito à autoridade, cidadão! Retrucou de peito estufado. Tá querendo ser preso? Não acreditei no que ouvi. Ele estava me ameaçando? - Não, seu gualda, não quero. Respirei antes de continuar. Mas se você quiser me prender para mostrar sua otoridade, então teremos briga. Tirei os óculas para encará-lo nos olhos. Ele não me prendeu. Nem me respondeu. Foi procurar outro alguém mais dócil para abusar.
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fin |
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