Um conto erótico
Os jovens rapazes fazem de tudo para perder a virgindade. Comigo não foi diferente. Quando por volta dos meus catorze anos eu conversava com os amigos e eles contavam suas mentiras em relação às práticas sexuais que teoricamente já haviam tido, eu me sentia inferiorizado. Pôxa, eu era virgem! Para um cara na minha idade isso era inadmissível. Para que eu fizesse parte da turma dos caras legais, era preciso que eu já fosse homem. Minha primeira reação foi mentir. -E então, você já transou? - Perguntou-me um moleque de quem não me lembro mais o nome, certa vez em uma rodinha de pilantras falando sobre sexo. -Transei, transei...- Tentei disfarçar, evasivo. -É isso aí. Conta! -Contar o quê? -Conta como foi, cara, os detalhes. Foi nesse dia que eu percebi que o importante não era transar, mas sim compartilhar com os amigos o sexo. Prática que infelizmente temos até hoje. -Foi normal...- Eu continuava evasivo, mas não conseguia convencer. -Como normal? Com quem você transou? Como foi? Onde foi? Conta logo, cara! Pressão. E tudo que eu sabia sobre sexo era o que eu via nas revistas de sacanagem que os mais velhos cobravam para vermos. E eu sempre tinha tão pouco dinheiro que o que via não me elucidava muito. -Bem, foi normal. A gente estava ... na casa dela... - Quem? Quem? - Na casa da ... Luciana e ... - A sua namorada? Meu Deus, se eu falasse que era ela iria acabar com a reputação da coitada. - Não, de outra Luciana. É uma vizinha minha... - Ah, eu conheço. Uma gatinha! Droga, os moleques da roda pareciam conhecer todas as Lucianas do mundo. - Não foi essa Luciana. Foi outra Luciana. - Qual Luciana? A que mora do outro lado da rua? Raios, era tão importante a pessoa com quem eu tivesse transado quanto a transa em si. -Não, não, outra. Aí a gente estava na casa dela e ... rolou. Pronto. Ninguém ficou convencido que eu já tivesse transado. As brincadeiras foram gerais. Além de ser virgem eu era agora mentiroso. Decidi que precisava perder a virgindade o mais rápido possível. Mas a quem apelar? Ao meu pai? -Pai, preciso transar. Minha vida social depende disso. - Não seria a melhor saída. Para minha mãe? Nem pensar. Aos amigos? Mesmo naquela idade eu sabia, inconscientemente, que todas aquelas experiências sexuais que eles contavam eram na maioria invenção. Era tudo balela, para impressionar os menos maduros. Então eu estava sozinho na minha empreitada. Transar ou morrer. Vendo um programa de televisão, em uma noite, descobri que existia um ponto de prostituição perto do meu colégio. Era minha salvação! Disse em casa que iria estudar na casa de um colega - Quem é esse colega? - droga, por que os pais sempre faziam perguntas indiscretas nas horas mais difíceis? Na casa do Eduardo. Tudo resolvido. Mas eu não tinha nenhum colega chamado Eduardo. Nas horas de tensão sempre dizemos coisas descabidas e impensadas. Cheguei no local onde as damas da noite - foi esse termo que eu li num livro sobre prostitutas quando estava pesquisando sobre as tais senhoras - faziam sua ronda noturna. A ronda nesse dia não era tão noturna, já que eram apenas sete da noite. Dei algumas voltas no local para conhecer o ambiente e, também, planejar uma rota de fuga para casos de necessidade. Olhei as senhoras de longe e escolhi uma menos piorzinha para me aproximar. Ela devia ter uns cento e vinte anos. Provavelmente era uma fugitiva de guerra, embora não me viesse à memória uma guerra em que o Brasil tivesse mandado suas mulheres. Era no mínimo uma ex-escrava que sobreviveu ao pau-de-arara. Mas ela era branca. E loira. Dos males o pior, pois eu poderia contar que transei com uma loira. - Oi. - Disse com minha voz juvenil. - Oi, gatinho. - Respondeu-me ela, com uma voz mais grossa que a do Renato Russo, o vocalista de uma banda da cidade que estavam fazendo uns shows bem interessantes. Desconcertado, sem saber o que fazer, falei a primeira coisa que me veio à mente. - Você tem cigarro para me arrumar? - De onde eu tinha tirado aquilo. Eu não fumava, era atleta. - Claro, gatinho. - Ela acendeu um na própria boca, fazendo questão de deixar a marca do batom ruge e melado e me entregou. - Pega, gatinho. - A palavra gatinho arranhava meus ouvidos. Estava realmente com medo de que aquele horrendo ser me atacasse e me beijasse. - Então, gatinho, o que você quer da sua Lola? Lola, que nome estranho. Enquanto eu me atrapalhava com o cigarro e tentava engolir a tosse, ela se aproximou. Parece-me, hoje, que me saí muito bem com o cigarro. A Lola não fez nenhum comentário sobre minha provável cor verde nem da minha boca de nojo. - Você gostou da Lola, gatinho? - Ela chegou mais perto e me abraçou. Ela me abraçou! Alguém pode imaginar quais as conseqüências psicológicas que esse abraço poderia ter me trazido? Eu sei que o sangue parou de circular do pescoço para baixo e fiquei estático. Eu estava gelado. Pensei que nunca deveria ter tentado perder a droga da virgindade. - Sai daí, Lola, deixa o garoto em paz. Desafasta, travesti. - Um cara grandão, jovem, veio e puxou a Lola de cima de mim. Abraçou o travesti, deu um tapa na sua bunda e a mandou se pendurar num poste. Achei engraçado e sorri. Esqueci que estava fumando e tossi até as tripas se desenrolarem. Pensei que fosse virar ao avesso, tamanha era a minha ânsia de vômito e o pigarro. O jovem grandalhão apenas me olhava e sorria. - Você não fuma, né garoto? - Não. - Eu sabia que não conseguiria enganar mais ninguém depois daquela demonstração de falta de intimidade com o cigarro. - E está aqui para arranjar uma puta, né? - É. - Mas não sabia que a Lola era uma bicha? - Não. - Você é virgem? - O cara estava já se intrometendo demais. O que isso dizia respeito a ele. Que cara perguntão! - Sou! - Acabei respondendo, envergonhado, como se a virgindade fosse a demonstração de alguma incapacidade ou uma doença. - Trouxe dinheiro? Quanto? - Fiquei desconfiado do grandalhão. Ele poderia ser um assaltante. - Trouxe. - E mostrei o valor. Imediatamente me arrependi, dizendo para mim mesmo que não era tão malandro quanto me julgava. - Ih, cara, isso aí não vai dar para nada. Nenhuma das garotas vai topar sair com você por esse valor. Talvez a Lola tope fazer um boquete em você, mas imagino que não seja isso que você esteja esperando. - Não. - Eu não sabia o que era um boquete, mas qualquer coisa que envolvesse a Lola estava fora de cogitação para mim. - Então faça o seguinte: volte para casa e arranje dinheiro. Volte aqui e me procure. Eu vou descolar o melhor filé para você. Qual o seu nome? - Eu disse o meu nome. - O meu é Chaparral. Sou bem conhecido no pedaço. Você é gente boa, garoto, vai ser o meu peixe. Qualquer coisa fale com o Chaparral que eu resolvo para você. - Certo. - Sem saber o motivo, estava me sentindo seguro com o Chaparral. - Você veio aqui perder a virgindade, né? Pois eu vou te dizer uma coisa: nada disso! Essa história de perder a virgindade com prostituta já está passada. É coisa de velho. Vou te dar as dicas. Eu era o maior Ted da minha rua. Hoje em dia o barato é perder a virgindade com as empregadas domésticas. Você sabe o que é um Ted? - Não tinha a menor idéia. - Ted é o terror das empregadas domésticas, sacou? - Mais ou menos. - Ted, terror da empregada doméstica! Volte para casa e passe uma cantada na sua empregada. Se ela for um bacurau, procure nas casas dos seus amigos as empregadas e cante as mais gostosinhas. É a melhor coisa para perder a virgindade. Depois daquela aula sobre métodos e formas de como perder a tão mal fadada virgindade, me despedi de Chaparral e tomei o ônibus para casa. Naquele dia eu nem imaginava que o cara grandalhão ainda me livraria de uma gigantesca confusão quando eu fosse um pouco mais velho e depois morreria na penitenciária, por ter assassinado um adversário em uma luta. Mas isso é outra história. Alguns dias depois a nossa empregada, uma boa senhora de setecentos anos, voltaria para sua terra. Um desses sertões espalhados pelo país. Obviamente eu não tinha tentado nada com ela. Seria sacrilégio. Para a minha felicidade, a moça que foi tomar seu lugar era divina. Sim, esse era seu nome: Divina. Não que ela fosse um primor de estética feminina, mas para um garoto de catorze anos que quer desesperadamente perder a virgindade ela era perfeita. Um pouco mais velha que eu e vinda do interior, ou seja, bobinha. Tratei logo de fazer amizade com a moça. Conversava com ela assuntos avulsos, chamava para assistir televisão durante a tarde, brincava de assustar quando ela passava distraída pelos cômodos da casa e o principal, quase um sacrifício para mim, não deixava mais meu quarto na mais louca desorganização. Também fazia questão de não mais emporcalhar minhas roupas de baixo. Pensando nisso, hoje em dia, é engraçado perceber que nunca tive essa preocupação com minha santa mãezinha. Coisas do sexo. Em uma tarde de sábado o momento perfeito chegou. Todos em casa saíram e iriam ficar fora por muitas horas. Estávamos eu e a Divina. Ela, despreocupadamente passando roupa e eu, maliciosamente, armando o plano de ataque. Fiquei mais de uma hora contemplando meu pênis, para poder me lembrar dele depois de estar desvirginado. Eu imaginava que alguma coisa de diferente iria acontecer com ele. Talvez ele dobrasse de tamanho. Ou mudasse de cor. Ou mesmo de formato. Pensei até em fotografá-lo, mas desisti depois de imaginar o escarcéu que minha mãe faria ao revelar as fotos de sua máquina fotográfica. Com o plano na cabeça, fui ao ataque. Cheguei no quartinho e fiquei uns quinze minutos olhando a Divina passando roupa. Pensei milhares de besteiras eróticas naquele momento. Ela passava a roupa com uma sensualidade que muitas modelos não possuiriam nunca. Incomodada, Divina perguntou se eu queria alguma coisa. - Sim, eu estou a fins. - Disse, com a garganta seca e com vontade de pular em cima da moça para não escutar sua resposta. - De quê? Melete? - O que? - O nervosismo me imobilizava. - Cê qué melete? - O que? - Melete? Cê qué melete? - Não tô entendendo. O que é melete? - Nesse momento minha cabeça depravada teve espasmos de brilhantismo. Melete deveria ser a palavras das pessoas do interior para sexo. - Melete? Cê num sabe o que é melete? É bom. - Solícita, a moça estava claramente incomodada por eu não saber o que era melete. Então, pela lógica, era claro que era algo sexual. - Quero melete, sim, quero. - disse eu, quase babando e projetando minha pélvis para frente. Não mais que inesperadamente, Divina veio para cima de mim, passou por mim e foi para a cozinha. Eu a segui. Ela abriu a geladeira, pegou uns ovos e os quebrou na frigideira. - Melete é omelete? - Perguntei, na minha infinita inocência. - É! Melete! - Respondeu Divina, feliz por me fazer entender e por poder me servir uma omelete. Meu Deus, de onde ela tirou essa idéia de omelete? Por que eu iria querer uma omelete exatamente naquele dia, naquela hora. Por que eu iria querer omelete, logo eu, que só gostava de ovo quente? E de manhã. Aquele infeliz dia passou. Algumas semanas mais tarde, as condições perfeitas para uma empreitada sexual em direção à Divina se repetiram. Nesse intervalo de tempo me tornei muito mais amigo da moça, conversando com ela assuntos mais variados, inclusive sexo. Já sabia que ela não era virgem e que quase tinha se casado com um vaqueiro do sertão da Bahia. Isso para mim significava que ela estava a fim de me dar. Em todas as minhas longas conversas com Divina sempre tive a preocupação de não deixar minha mãe perceber a proximidade com a empregada. Ela, aristocrática, até permitiria que eu fosse amigo de uma pessoa de classe mais simples, amante jamais. Porém ela percebeu que eu estava muito amigo da empregada e me chamou para conversar. Para minha surpresa chamou meus irmãos também. Na época, eles tinham dez e seis anos. Minha mãe falou que estava preocupada conosco. Disse que não queria que a gente tentasse nada com a empregada. Ela foi direta e incisiva. Será que ela conseguia ler a minha mente? Como eu era o mais velho, e ainda sou, ela estava falando tudo aquilo para mim. E os meus irmãos estavam alí apenas para amenizar o seu constrangimento de me dar aquele sermão. - Mas eu não tentei nada com a Divina. Eu só converso com ela. - Me desculpei. - Não estou falando de você. Estou falando dos seus irmãos. Ontem eu os peguei na janela do banheirinho de empregada espiando a Divina tomar banho. Que vergonha. - Meus dois irmãos estavam encolhidos, vermelhos como pimentões, e exibiam um sorriso divertido no canto da boca. É, as novas gerações começam mais cedo! Voltando ao segundo dia perfeito para perder a virgindade, me postei novamente na porta do quarto onde Divina passava roupas. Fiquei alí quase meia hora, fazendo comentários espaçados, sem interesse, a cada três minutos. Divina deve ter desconfiado de algo. - Cê qué mel... - Não, não, obrigado. Não quero omelete! Ela acabou de passar as roupas e foi para a cozinha. Eu a segui. Ela estava lavando louças de costas para mim. Seu vestido balançava ao som dos pratos batendo na pia. Contemplei o seu traseiro. Era bem avantajado, bonito. Nesse momento minha mente enevoou-se. Não conseguia mais pensar direito. Aproximei-me de Divina e abracei-a por trás. Eu estava completamente excitado. Divina assustou-se e quase gritou, mas permaneceu calada, lavando louça. E rebolando. Lembro-me de puxar o pinto para fora do short, levantar a saia de Divina e tentar encontrar o lugar de colocá-lo. Enquanto procurava, sentia o calor do interior das coxas da moça que continuava com suas tarefas, como se eu não estivesse alí. Comecei a me preocupar, pois não encontrava o encaixe correto. De repente, meu corpo amoleceu e meu coração bateu mais rápido. Senti uma gosma morna escorrendo pela minha mão. Eu havia gozado. Ajeitei meu pênis de volta ao short e fui para meu quarto. Não falei nada com Divina e ela também não disse nada para mim. No outro dia Divina demitiu-se, dizendo para minha mãe que a avó estava doente e ela precisava voltar para casa, no interior. Mas eu sei que ela foi embora por minha causa. Doce Divina. Por muitos anos imaginei ter perdido minha virgindade com aquela sensual moça que passava roupa como Marilyn em cima do exaustor. Contudo sempre me perguntei se eu havia penetrado na vagina, no ânus ou, na pior das hipóteses, na tomada que ficava logo abaixo da pia. Era uma suposição válida, pois a envergadura do meu pinto não era das mais animadoras e pela sensação de choque no momento do orgasmo. Hoje sei que continuei virgem, tendo apenas me esfregado nas coxas da garota.
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fin |
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