Eu e o Gordo de novo

Quando eu era moleque, o símbolo máximo da diversão era a bicicleta. Na época elas se resumiam a quatro tipos: as de criança, com rodinhas; as de adulto, estilo barra-forte; as de corrida, com dez marchas e as de cross, para a molecada. Eu morava há pouco no bairro e só tinha um amigo, o Gordo. Ninguém o chamava de Gordo, nem seus pais, nem as pessoas que ele conhecia e nem no colégio. Só eu o chamava de Gordo. E ele respondia. Mas só respondia a mim. Qualquer outro que o chamasse de Gordo recebia de imediato um impropério.

O Gordo tinha uma bicicleta de cross feita de alumínio, que não arranhava. Ela era muito bonita e ele tirava a maior onda. Mesmo sendo um pouquinho gordo, o Gordo era muito habilidoso com a bike. Saltava meios-fios, derrapava nos cascalhos, empinava. Eu tinha me apropriado da bicicleta do meu pai, uma Peugeot verde, gigantesca, com bagageiro, buzina e freios de ferro. Um peso sem medida. Tirei o bagageiro, a buzina e os freios. Ela ficou careca. Tentei fazer as coisas que o Gordo fazia mas não conseguia. Um desalento.

No Natal meu pais me deram uma bicicleta de cross. Mas não era qualquer bicicleta de cross, era um Light, da Caloi. Toda feita em alumínio, era pintada de branco pérola com detalhes grená. Linda. E aro 26. As bicicletas de toda a molecada eram aro 20. Todas do mesmo tamanho. A minha era aro 26, bem maior que todas. Eu também era maior que todos na época. Era como se eu tivesse uma Ferrari do tamanho de uma camionete. Meio estranho, mas adorei a bike.

A primeira coisa que fiz foi montá-la e pedalar à toda para a rua. Vi que ela tinha os freios, coisa que eu não estava acostumado, pois andava com a bike do meu pai, sem freio. Eu sempre freiava colocando o pé na roda da frente. Decidi freiar para testá-los. Apertei os dois manetes com força. A bicicleta travou as rodas e eu fui jogado para frente, voando por cima do guidão. Ralei as mãos, o peito e as coxas. Esse foi meu primeiro contato com a minha mais querida bicicleta.

Dai por diante foi só alegria. Encontrava o Gordo logo após chegarmos das aulas, por volta de uma e meia da tarde. Saíamos de bicicleta.

-Vamos até o cu do mundo? – Eu perguntava.

-Vamos. – Respondia o Gordo.

E lá estávamos nós, no cu do mundo. Era um buraco perto de nossas casas. O antigo dono do terreno tirava terra do local, criando uma gigantesca cratera, meio arredondada. O dia que o descobrimos ficamos extasiados. Parecia um gigantesco cu. Não que já tivéssemos visto um cu, mas assim nos pareceu. Descíamos por suas laterais, o que achavamos enorme mas não devia passar de 3 metros, só com a roda traseira. E ficávamos horas lá dentro fazendo manobras. Saltávamos, derrapávamos, caíamos. Mais eu do que ele, tanto pela habilidade que eu possuía menor, quanto pela falta de prudência. Quando eu cismava de saltar alguma coisa, só parava depois de concluir o feito ou na impossibilidade de continuar pedalando, por ter estragado a bicicleta ou a mim mesmo.

Quando já estávamos muito ágeis na pilotagem das bicicletas, começamos a explorar nosso bairro. Era um subúrbio meio afastado do centro da cidade, uma península dentro de um lago artificial, onde menos de vinte e cinco por cento das casas já haviam sido construídas. Assim, tínhamos praticamente um continente cercado de água por todos os lados para nos divertirmos. Andávamos por todo o canto, inclusive pelos córregos que desenbocavam no lago. Nosso maior desejo era conhecer todas as trilhas que eram feitas pelos trabalhadores das casas em construção. Explico: os ônibus passavam de hora em hora até às seis da tarde. Depois deste horário, e nos finais de semana, a condução pública chegava a demorar duas horas e meia. Por isso, os peões de obra andavam em trilhas por todo o bairro, para conseguir chegar aos locais de construção e também para pegar os ônibus. E eu e o Gordo andávamos por todos esses caminhos pelo simples prazer de um dia dizer que conhecíamos todos os caminhos do Lago Norte.

E este dia chegou. Após algumas semanas andando de lá para cá, já sabíamos tudo.

- Vamos entrar naquele caminho para ir para a quebra da 13. – Dizia o Gordo, enquanto corria por entre uma trila no mato. Ele quase sempre ia na minha frente. Só não ia quando não conhecia o caminho, deixando-me o papel de desbravador.

- Vamos pra 13, mas vamos pela beira do lago porque eu quero saltar o meio-fio da 11. - Respondia eu, num dialeto que só quem morou no local pode entender.

Estávamos já tão craques no conhecimento dos caminhos que discutíamos distância.

- Pra chegar no bosque da 14 é mais rápido pelo caminho da 8. – Filosofava eu.

- Que nada, burro. É melhor ir pela estrada e entrar só na 12. – Retrucava o Gordo, com a sutileza dos gaúchos.

Quando discordávamos da distância, recorríamos ao meio mais idiota que poderíamos conceber para saber quem estava certo: uma corrida. Cada qual pegava o caminho que achava mais curto para chegar ao destino e, dada a largada, saíamos em disparada. Muitas vezes a ânsia de ganhar me fazia cometer erros e estabacar-me nas curvas de cascalho dos caminhos. Atribuía a isso minhas derrotas. Outras vezes via que o Gordo chegava sujo e sangrando aos destinos, alegando que alguém havia mudado o caminho que ele pegara. O Gordo nunca perdia nem errava. Eram situações além do seu controle as responsáveis por suas derrotas e enganos. Coisa de criança.

Se não conseguíamos chegar a um consenso sobre as distâncias ou havendo empate nas corridas, tirávamos a negra. Eu ia pelo caminho do Gordo e ele no meu, para re-apostar a mesma corrida. Nossa sinceridade era tão absoluta que nestas horas eu prestava até mais atenção na corrida para não cair e assim, não conseguir provar se meu amigo estava correto. Algumas ele estava, outras não. Mas para ele, sempre acertou.

Depois de trocar os pneus antes do primeiro ano de uso, tão gastos já estavam, aprendemos a andar de costas na bicicleta. Sentávamos no guidom e pedalávamos normalmente, só que na posição contrária. Começamos a querer andar só desta forma. Percorríamos os mesmos caminhos de antes, mas agora de costas.

Certo dia, estávamos subindo pela estrada central, de costas, acompanhando a faixa branca, quando dois moleques (entenda por moleque qualquer garoto menor que eu e, assim, passível de tomar uma porrada. O motivo? Ser menor que eu, oras) passaram por nós empinando as bicicletas. Fiquei com raiva, pois eu não conseguia empinar. O Gordo conseguia, mas apenas duas pedaladas, o que nem era considerado. Puxei papo, mais para ver se eles eram gente boa ou se mereceriam tomar as porradas que eu já pensava em aplicar-lhes. Porém, eram agradáveis, os moleques. Nos chamaram para correr numa pista de cross que tinha na 9.

- Não tem pista de cross na 9. Conhecemos todas as pistas de cross e na 9 não tem. – Apressou-se em dizer o Gordo.

- É isso mesmo. Conhecemos todos os caminhos do Lago Norte, e nenhum deles leva à pista de cross da 9, porque lá não tem pista. – Eu adorava mostrar algum conhecimento, principalmente por adorar ler livros de aventuras e saber que os outros moleques mal abriam seus cadernos.

- Há, tem sim, viu, tem sim! A gente acabou de fazer ainda ontem. E vai ter uma corrida lá no sábado.- Disse o menor deles, de um jeito meio atrevido. Os baixinhos eram sempre atrevidos.

Fomos conhecer a tal pista. Enquanto pedalávamos, fomos conversando com os moleques. O Gordo tentando descobrir os mistérios da empinada, e eu querendo saber quem eram eles e como haviam feito tal pista. Antes de chegarmos já nos eram velhos amigos, com quem estávamos aprendendo a empinar e a quem já havíamos ensinado a andar de costas na bicicleta.

A pista não era grande coisa. Era até meio chulé, mas tinha duas boas rampas de salto e um cone de curva bem feitinho. Outros três ou quatro moleques estavam andando nela. Antes de entrarmos, nossos novos amigos nos confidenciaram:

- Olha, a galera daí é meio foda. Se eles quiserem brigar com vocês, basta dizer que são amigos do Cobra e do Morcego que vai ficar tudo limpo pra vocês. – Disse-nos o maior dos dois.

Ficamos apreensivos com o alerta. Mas como eu só avistava alguns moleques, logo estávamos correndo na pista. Após muitos saltos, muitas curvas e não menos quedas, paramos para descansar e fomos ter com nossos novos amigos.

- Legal. – Disse o Gordo. Ele nunca foi de muitas palavras, a não ser que fosse algum assunto de seu total domínio, como jogos de Atari, bicicletas, motos, carros e os nossos vizinhos. Era bem fofoqueiro, o meu amigo gordo.

- É, legal. – Concordei. – Mas quem são esses tais de Cobra e Morcego, que vocês falaram. Devem ser os dois fodões da área. – Perguntei, apreensivo, pois os ditos poderiam chegar a qualquer momento.

- Cobra e Morcego – Disse o maior – somos eu e ele. – Apontou para si e para o amigo menor.

- É, eu e ele. – Confirmou o baixinho.

Ah, pensei, que merda. Voltei para a pista e nem dei mais bola para os dois, um réptil e um mamífero. Anos depois esses moleques montaram uma banda de Heavy Metal. Gravaram vários cds. Tenho todos. Autografados.

Depois de um tempo, as brincadeiras de bicicleta mudaram de atenção. Como já não havia mais tanto a explorar e nossas habilidades não mais se desenvolviam, pois achávamos que já sabíamos tudo, inventamos um novo jogo. Como tinha muita mamona na península, começamos a fazer guerra com os frutos. Pegávamos os ramos e os prendíamos na bicicleta. E começávamos a jogar uns nos outros para ver quem se mantinha em pé. Levar uma mamonada nas costas, na cara ou no saco não era fácil. Eu mesmo capotei algumas vezes por conta disso. E como sempre o Gordo se saia melhor. Eu tinha algum escrúpulo em jogar a mamona com toda minha força em alguém. O Gordo mirava no rosto. Nessa altura já havíamos formado uma turma de uns vinte e um moleques, de todas as idades. Tinha moleque de sete até catorze anos. O mais velho era o Negrete, um carinha do conjunto de cima. Demoramos a conhecê-lo pois ele era mais velho e muito melhor que nós na bicicleta. Achávamos que ele não iria querer brincar com uns moleques como nós. Quando ele se juntou à turma, eu e o Gordo melhoramos muito em nossas habilidades. Aprendemos a dar um salto, chamado “cavalo”, que era plasticamente lindo e muito difícil de ser feito em grandes alturas. Cai mais uma de centena de vezes até dominá-lo.

Nesta época o Gordo já conseguia empinar. Ele andava com a roda de trás por muitos metros. Eu não conseguia nem três pedaladas. Quando o Negrete nos viu, veio empinando de sua rua, parou do nosso lado, deu uma volta ao nosso redor e parou. Tudo isso empinando. Neste dia vi que algumas coisas eu não conseguiria fazer, assim, deveria me dedicar a outras artes para ser bem sucedido. Decidi saltar longas distâncias.

Começamos a roubar madeirites das obras. Era um compensado de pó de madeira que era prensado e colado. Colocávamos encostado em algum meio-fio, apoiávamos o meio da rampa com pedra e vínhamos a toda. Os saltos se pareciam com os de motoqueiros da televisão. Pulávamos e jogávamos a roda de trás para o lado, para fazer um efeito. Aprendemos, não sem quilos de peles raladas, a fazer muitos tipos de saltos. O mais espetacular era quando vínhamos em não tanta velocidade, passávamos pela rampa meio de lado e rodávamos a bicicleta no ar. Quase sempre o pouso era um tombo, mas a cada salto a admiração que os mais novos tinham por nós aumentava. E para a gente era isso que contava: o respeito.

Quando fazíamos rampas, sempre atentávamos para duas coisas: o ponto de entrada e o ponto de saída da rampa. Eu sempre me preocupava em deixar a madeira que fosse usada como rampa bem rente ao chão, para que o impacto de entrada na rampa não desestabilizasse a bike, derrubando-me (não demorei muito a dar atenção a este detalhe, por causa das quedas). O ponto de saída também era importante, pois ele precisava ser firme e alto, para que pudéssemos impulsionar a bicicleta com o corpo, realizando as manobras que queríamos. Havíamos feito várias boas rampas. Em especial uma no final da nossa rua, que era da altura dos nossas coxas. Decidimos pelo local pois o lote onde a rampa estava havia sido aterrado e assim tínhamos toneladas de terra fofa para atenuar nossas quedas. O Gordo, ainda prudentemente, decidiu que a rampa não estava firme o suficiente. Eu não podia saltá-la pois minha bicicleta estava no conserto. Como o Gordo não emprestava sua cromada de jeito nenhum, fui para casa e roubei a bicicleta da minha irmã, uma berlineta dobrável. Desci a rua pedalando o máximo que a berlineta alcançava. Entrei com a roda dianteira na rampa e a bicicleta subiu, subiu, e desceu de uma vez. Enterrei a cara na areia fofa. A berlineta abriu. Ficou totalmente destruída. O Gordo me desaterrou debaixo de toneladas de gargalhadas. Peguei a bicicleta da minha irmã e a escondi em casa. Tempos depois, quando ela descobriu o estrago, eu ainda a acusei de ser barbeira na pilotagem de bicicletas.

Certo dia asfaltaram a rua de baixo. Para isso aterraram o local. Um caminho, que passava ao lado da minha casa, cortava a tal rua perpendicularmente. Fomos passando por ali e percebemos que o aterro levantava o caminho até o asfalto, se parecendo com uma rampa. Imediatamente procuramos uns madeirites para construir aquela que seria a maior rampa que saltei. Colocamos uns madeirites no início da rampa, deixamos a terra socada do meio da rampa a mostra e, ao final, montamos uma ponta de rampa, triangular, de madeira, com pedras por baixo. Subi até minha rua, preparando-me. Desci na velocidade máxima. Saltei. Não cheguei nem ao início da rua. O Gordo se preparou e saltou. Sempre que começávamos uma nova empreitada, o Gordo era melhor que eu. Mas ali, vendo o seu salto, que não alcançava nem 1/6 da rua, e considerando que a sua performance devia ter sido melhor que a minha, notei que para saltar toda a rua eu teria que treinar muito. E assim o fiz. Durante mais de uma semana, durante a tarde inteira, eu fiquei descendo o caminho ao lado da minha casa, tentando saltar com a tal rampa toda a largura do asfalto da rua de baixo. Fui notando avanços. Primeiro a distância que eu tomava. Sempre que eu saía da minha rua e já entrava no caminho com uma boa velocidade e acelerava minha bicicleta aro 26 ao máximo, melhorava minha marca em mais de 30%. Aprendi que não deveria apenas deixar a bicicleta saltar, mas também deveria ajudar o conjunto, eu e bicicleta, dando um impulso com o corpo. Desenvolvi que o impulso deveria tomar duas direções: a quinze graus pra frente, para ela alcançar maior distância e a oitenta graus entre pra frente e pra cima, para ela alcançar a melhor altura fisicamente considerada e assim para ela aumentar a distância graças à altura. Mas ainda não estava sendo o suficiente. Ainda me faltava alcançar os 10% finais da rua. Fiz então o que dava para fazer: forçar a musculatura. Fazia todo o percurso e tentava acertar o salto da melhor forma possível. Saltava umas 200 vezes no início da tarde e mais umas 100 vezes ou mais, já ao final. E ainda melhorei mais um pouco. Mas comecei e a me desestabilizar na bicicleta no momento do pouso.

Haviam três modos de se pousar com a bicicleta depois do salto. O salto perfeito era com as duas rodas simultaneamente. Isso significaria o equilíbrio total. O segundo salto era o de mais estilo. O pouso era iniciado com a roda de trás. Isso era mais animal, mais selvagem, pousar com a roda de trás. Parecíamos caubóis dominando os touros selvagens. E o terceiro modo era o da habilidade, e o mais idiota e difícil. Era pousar com a roda da frente e deixar a roda de trás no ar durante alguns momentos. Era difícil pois a estabilidade da bicicleta ficava concentrada na roda da frente, que por sua vez estava segura apenas por nossas mãos. E era idiota pois só os idiotas pousavam assim depois do salto. Mas percebi que o desequilíbrio que eu sentia na bicicleta ao final do grande salto era porque a roda da frente imediatamente saia da rua de baixo e voltava para o aterro, que era cascalhento e cheio de mato. Eu teria que saltar todo aquele longo espaço e ainda teria que pousar da maneira mais difícil e idiota, com a roda da frente. Pois eu teria algo como uma rampa de pouso, que seria o final do aterro. Assim eu nem encostaria no asfalto e meu salto seria um sucesso.

Num sábado, quando todos estavam com as famílias, eu fugi da minha e fiquei todo o dia treinando. Quando notei, já quase escuro, eu estava completando perfeitamente o salto. Nem percebi qual foi o salto em especial que conseguir completar meu intento. Mas isso não importou. Eu conseguia fazer o que havia me proposto.

Fui para casa e dormi. No outro dia, um domingo, assim que encontrei o Gordo, chamei-o para ir até a rua de baixo. Posicionei-o para ver o salto e pulei a rua de baixo. Ele achou legal e quis voltar para casa para ver o Nelson Piquet na televisão. Tudo bem, o que tinha ele a ver com minha maluquices? Mas ele foi o primeiro a ver o maior salto de todos os tempos. O meu maior salto, é claro.

E assim o tempo foi passando. A gente, eu e Gordo, sempre juntos. Mas eu comecei a ficar mais velho, pois era dois anos mais idoso que ele. E ele ganhou uma mobilete, um ciclomotor a gasolina, brinquedo caro e perigoso que meus pais não aprovavam. E nos distanciamos. A vida foi vivida. Vinte anos se passaram. Muito tempo. E quando fui comprar minha moto, em dúvida sobre o modelo, liguei para meu velho amigo.

- Gordo, essa Falcon é boa mesmo? – Indaguei, desconfiado.

- Cara, ela é um tratorzinho. E é bem feitinha, é Honda. – Explicou-me, dono de causa, o Gordo, recente dono de uma Falcon.

Ontem, pela primeira vez depois de adultos, e pela primeira vez com motos, fomos a um encontro de motociclistas. Como saímos cedo, tivemos que encarar o trânsito do rush. E rodando de moto, atrás do Gordo (que hoje em dia está em melhor forma física que eu), por entre os carros, lembrei-me de quando éramos moleques e andávamos de bicicleta por entre os caminhos do Lago.

Conhecíamos todos os caminhos, e nenhum deles chegava até a pista de cross da 9.

fin

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